Difusão de cultura
Projetos do SESC espalham a riqueza cultural brasileira em seus mais diversos aspectos
Literatura, música e teatro
Programação cultural do SESC em 2012 começa com lançamentos de projeto musical, publicação e comemoração dos 15 anos do Palco Giratório.

Folclórica brincadeira do Cavalo-Marinho, tradicional no Nordeste brasileiro, é encenada no espetáculo “A Barca”, que faz parte do roteiro do Palco Giratório desse ano

A área cultural do SESC começou o ano com uma agitada agenda, levando literatura, música e teatro a todo o país. Os grandes destaques começaram no dia 31 de março. Enquanto na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) um concerto da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa comemorava o lançamento do livro sobre um dos maiores personagens da música brasileira – Edino Krieger –, interpretando obras do artista, Fortaleza, no Ceará, celebrava o início da 15ª edição do Palco Giratório com a apresentação do espetáculo Escapada, da Cia. de Dança Mario Nascimento, de Minas Gerais. Quinze dias depois, em 14 de abril, 22 estados brasileiros e o Distrito Federal se uniram para o lançamento simultâneo do Projeto SESC Partituras, uma iniciativa para difundir a música brasileira, estimular a formação de grupos de câmara e possibilitar ao público o contato com a riqueza da música escrita no Brasil, por meio de uma verdadeira biblioteca virtual.

Gênio da música em livro


Aos 84 anos, Edino Krieger, músico, compositor, produtor e crítico musical tem muitas histórias para contar. Como os convites que recebeu para compor o concerto Te Deum puerorum Brasiliae, em comemoração à vinda do Papa João Paulo II ao Brasil, em 1997, e a música Terra Brasilis, escrita especialmente para celebrar os 500 anos do descobrimento do Brasil, em 2000. Essas e muitas outras curiosidades estão no livro Edino Krieger, elaborado pela professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ermelinda Paz, fruto de 16 anos de entrevistas realizadas com amigos e parentes do artista e pesquisas em diversas instituições nacionais ligadas à música.

“O interesse pela vida e obra do artista nasceu após a conclusão de uma pesquisa sobre ritmos populares onde pude conhecer melhor a atuação de Edino”, conta Ermelinda, que encontrou no SESC o parceiro ideal para colocar em prática o projeto. “Só mesmo uma instituição tão comprometida, que se notabiliza como incentivadora das linguagens artísticas brasileiras, de todos os tempos, seria capaz de tornar esse sonho possível”, diz a professora.

Ermelinda Paz no lançamento

Além da qualidade da publicação, que segundo Ermelinda é “de alto nível”, ela destaca o papel social do SESC na difusão do conhecimento contido no livro. “A biografia, dividida em dois volumes, será distribuída para todas as bibliotecas da entindade e Centros de Estudo de Música no Brasil e também será disponibilizada para download no portal do SESC. Que outra instituição conseguiria promover tal distribuição de um livro como esse?”, conclui.

O homenageado, Edino Krieger, também menciona a importância da instituição. “O SESC é o anjo da guarda da nossa cultura. Muito antes da publicação do livro eu já conhecia o seu trabalho, dando um apoio à cultura às vezes maior que o próprio poder público”, comenta.

A obra traz não apenas informações sobre a vida profissional de Krieger, como a discografia, prêmios e homenagens, mas também revela muito da vida pessoal deste catarinense que iniciou sua vida musical aos sete anos, quando aprendeu a tocar violino com o pai. Assim, o livro servirá de referência para professores, estudantes de música e público em geral.

Um giro nacional do teatro

O tradicional Theatro José de Alencar, em Fortaleza, Ceará, foi o cenário à altura da importância de outro grande acontecimento do dia 31 de março – o lançamento do circuito 2012 do Palco Giratório, que comemora 15 anos.

A primeira edição aconteceu em 1998, inspirado na itinerância do “Mambembão”, projeto realizado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) entre 1978 e 1980. O objetivo de difundir e descentralizar as artes cênicas, proporcionando o acesso às produções teatrais de qualidade a toda a população brasileira tem sido amplamente alcançado, fazendo a iniciativa ser considerada uma das ações de difusão das artes cênicas mais importantes do país.

A programação está caprichada como sempre, com um total de 16 grupos teatrais de 11 estados. O projeto percorre até o fim do ano 122 cidades brasileiras com 701 apresentações de comédia, drama, musical, teatro gestual, épico de animação, teatro de máscara, além de números de danças, de rua e contemporânea.

Serão realizadas ainda 54 mostras de Arte e Cultura (Aldeias) e 9 Festivais Palco Giratório, que consistem em 30 dias de programação com todos os espetáculos da edição nacional, além da participação de companhias locais. Este ano os festivais acontecem nas cidades de Fortaleza, Recife, Cuiabá, Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Velho e Curitiba.

Além de uma oportunidade para mostrar seu trabalho ao grande público, o evento é uma experiência de intercâmbio cultural entre os artistas e suas equipes, que acabam tendo contato direto com profissionais de vários estados e regiões e podem assim conhecer o que está sendo produzidos em termos culturais ao redor do país. É ainda uma oportunidade de interação dos artistas com o público, por meio de conversas, oficinas e debates que ampliam o conhecimento sobre o processo de criação no universo das artes cênicas. Para Maria Paula Costa Rêgo, coreógrafa do Grupo Grial de Dança, “é dessa relação entre público e artista que um espetáculo cresce, e confirma sua linha cênica e estética. O Palco Giratório oferece aos grupos participantes um ano de prática e reflexão, e nós do Grial temos a certeza de que são essas vivências e trocas que desembocam em novas descobertas e criações”.

Banco de partituras

Foto: Aline Brabo Trio de clarineta, violoncelo e piano da Universidade Federal do Acre no lançamento do Projeto Partituras no estado

Imagine ter ao seu alcance, com a distância de apenas alguns cliques, obras eruditas compostas por artistas brasileiros. Isso já é possível com o SESC Partituras, um ambiente virtual onde se pode ouvir e imprimir, gratuitamente, partituras de composições nacionais de todas as épocas, algumas delas ainda inéditas.

A pesquisa pode ser feita por título ou nome do compositor e aprofundada com a utilização de diversos filtros, como os instrumentos utilizados na composição. Pelo site www.sesc.com.br/sescpartituras é possível ainda conhecer um pouco mais sobre cada compositor catalogado e até mesmo sobre a história da escrita musical.

O lançamento foi mais uma forma encontrada pela entidade de unir o país em volta da cultura. Foram realizados concertos simultâneos em 22 cidades brasileiras e no Distrito Federal. Para mostrar que todo o Brasil possui grandes talentos na música de câmara, corais, solistas e orquestras, cada apresentação contou com a presença de artistas locais interpretando peças do acervo do SESC Partituras.

O violonista e pesquisador Salomão Habib participou da cerimônia de lançamento do projeto no SESC Boulevard, em Belém, interpretando o repertório de Tó Teixeira, compositor paraense com mais de 400 obras de corda e sopro, que também foram catalogadas pelo projeto. “Essa iniciativa promete ser um divisor de águas para pesquisadores, músicos e estudantes”, opina. “É um trabalho impecável, sem precedentes, e que além de enaltecer artistas consagrados, ajuda também a divulgar ricas obras já esquecidas ou desconhecidas pelo povo brasileiro”, complementa.

Foto: Marcelo Seabra Violonista Salomão Habib participou do lançamento do projeto SESC Partituras em Belém (PA)

No acervo estão composições raras, até então mantidas em manuscritos originais, de compositores como Francisco Mignone, Guerra-Peixe e Glauco Velásquez, além de verdadeiros patrimônios históricos, como composições sacras do Padre José Mauricio Nunes Garcia (1767-1830). Talentos regionais também marcam presença no acervo, como Maurício de Oliveira (ES), Adelmo Arco Verde (PE), Fernando Cerqueira (BA) e João Rodrigues de Jesus (SE); além de compositores contemporâneos como Alexandre Schubert, José Orlando e Elieri Moura.

As três iniciativas levam o melhor da cultura nacional aonde o povo está.

Foto: Danton Freitas Grupo Palmas-Tocantins, que participou do lançamento do SESC Partituras em Tocantins