Formar o estudante integralmente é também reconhecer crianças, jovens e adultos como sujeitos que possuem história e conhecimentos prévios e qualquer proposta de educação deve atuar nos diversos aspectos da vida.

As experiências de Educação no Sesc têm como mote a “Educação por inteiro”, utilizando de espaços, acervos e profissionais para articular saúde, educação, cultura, lazer e assistência a serviço da vida como um todo, diz Maria Alice Souza, Gerente de Educação do Sesc. São mais de 70.100 alunos inscritos em todo país, presentes em 26 Estados do Brasil. As 208 escolas da rede Sesc estão presentes do Oiapoque ao Chuí norteadas pelas Propostas Pedagógicas.

No âmbito da Educação Formal, desenvolve Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos, além dos Projetos Sesc Ler (alfabetização de adultos) e Habilidades de Estudo (projeto de acompanhamento pedagógico de crianças do Ensino Fundamental no contraturno das escolas). Os Cursos de Valorização Social oferecem atividades corte e costura, culinária, apresentação pessoal e trabalhos manuais, voltados para formação inicial da clientela, independente de escolaridade, contribuindo para inclusão social, melhoria de renda familiar e socialização. voltar ao topo
Patrícia Gouvêa
Pertencimento
A Educação Infantil possui um desafio específico: valorizar a infância e combater o senso comum de que “qualquer coisa serve” para essa etapa do desenvolvimento; levar o brincar a sério. Uma das apostas do Sesc está na formação dos professores e na observação da própria experiência.

Anna Paula Gasparri e Claudia Medeiros, técnicas de Educação Infantil do Departamento Nacional do Sesc, enfatizam como o trabalho de formação de professores também passa pela observação e análise, constantes e em grupo, da prática pedagógica. A reflexão sobre o trabalho pode gerar mudanças e certezas, aperfeiçoamento, responsabilidade e vai construindo o sentimento de pertencimento ao grupo e ao espaço. Todos têm oportunidade de avaliar a sua própria experiência, mas também de ouvir e ser ouvido.

“A principal experiência é a do professor com o seu par”, explica Medeiros para enfatizar como a troca e os estudos são cruciais. “Aprendemos a ser professor ainda como aluno. Quantos anos passamos assistindo a atuação do professor? Segundo o educador Rui Canário, quando os professores estão atuando na escola com seus pares, é que podem ocorrer mudanças mais significativas. Um dos propósitos da formação seria, também, manter as equipes pensando sobre o que estão fazendo, ou melhor, estarem sempre questionando sua prática, registrando os sucessos, compartilhando as experiências e avaliando”.

“A principal experiência é a do professor com o seu par”

Natália Lucena trabalha no Sesc no Pará há 18 anos. É coordenadora regional de Educação e do Projeto Sesc Ler. Considera a partilha da experiência como parte importante do processo educativo: “O professor tem com quem dividir a realidade dos seus alunos, ele tem apoio de uma equipe à disposição para trocar impressões e experiências, é a partir disso que executa seu trabalho com qualidade”, afirma.


Uma das diretrizes do Sesc é estimular essa troca não só dentro das escolas, mas partilhar experiências bem sucedidas entre os estados, como o caso do Sesc Santo Ângelo (RS). “Uma professora atenta e sensível desenvolveu um projeto a partir da observação de uma criança que achou um ovo de bicho no parque”, conta Anna Paula Gasparri. “Assim nasceu um projeto didático que explorava a situação em sua integralidade (o ambiente, as ciências, a proximidade e o espaço) levando alunos e pais a participarem”. ‘Que bicho botou o ovo no jardim do Sesc?’ já foi levado para outras escolas no Brasil inspirando equipes.

Giselle Schrier da Silva, coordenadora da Educação Complementar do Sesc em Minas Gerais, percebe em inúmeras situações diárias relatadas pelas famílias e professores, como o desenvolvimento dos alunos está ligado ao pertencimento ao grupo: “Relatos de professores da rede formal dizem que o projeto tem construído muito para a socialização das crianças no ambiente escolar e fora dele. Transformando a convivência familiar em um ambiente de mais respeito, afeto, comprometimento e valorização dos estudos.", diz.

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Antônio Augusto Fontes
Formação
Além da troca de experiências que constroem a sensação de pertencimento, o Sesc investe constantemente na ampliação cultural dos professores e na sua formação profissional, apoiando nacionalmente seus profissionais através de cursos participação em congressos, seminários e outras ações de formação. A ideia é, também, diminuir a distância entre a cultura hegemônica e o cidadão, seja ele aluno, professor ou funcionário.

Nos estados também são desenvolvidos projetos locais de formação de professores tanto diariamente, quanto nas Semanas de Formação, quando um tema específico é trabalhado. “A formação de professores nas escolas do Sesc é um diferencial: trabalhamos com a formação continuada permanente e em serviço, que permite aos professores uma carga horária planejada e pensada”, diz Lucena (DR/PA).
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Marizilda Crupê
Diversidade
Técnica da Educação Fundamental, Lúcia Oliveira considera que atender a diversidade de alunos nas escolas do Sesc é um dos desafios da educação. Todos nós carregamos um acervo, uma bagagem cultural, vem de um lugar e com uma experiência. Abordar e valorizar esses saberes, locais e diversos, é ao mesmo tempo um desafio e uma solução da Educação no Sesc.

“No Sesc apresentamos para as crianças outras possibilidades de viver a infância.”

A coordenadora regional Natália Lucena também destaca a importância que a diversidade cultural e a cultura local ganham nas salas de aula: “Nós estudamos a realidade social e cultural da região, mapeamos de qual comunidade vem aquele aluno, como ele vive, qual sua estrutura familiar e fazemos o possível para que a escola seja o momento mais feliz do aluno.”, explica. A educadora conta que as brincadeiras de tradição local como brincadeiras de roda e cantigas são valorizadas. “No Sesc apresentamos para as crianças outras possibilidades de viver a infância. Procuramos resgatar a cultura local, as danças e tradições da região, todo um movimento não pode ser perdido.”, afirma.


Wladia de Menezes Trabalha no Sesc há 11 anos. É coordenadora regional de educação e coordenadora do projeto Sesc Ler no Ceará e diz que procura trabalhar com jovens e adultos sem excluir as experiências que eles carregam. “Nós valorizamos o conhecimento que esse aluno leva para a sala de aula, eles são ouvidos e respeitados, isso permite uma participação efetiva na escola, nos projetos pedagógicos, os alunos são o nosso feedback, são a resposta do nosso trabalho.”, conta.
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Marizilda Crupê
Protagonismo
Lúcia Oliveira, assessora da equipe de Ensino Fundamental, destaca que um dos objetivos do Sesc é formar um aluno autônomo, com senso crítico.

Para Maria Angélica de Moraes e Silva, Diretora de Ação Educacional do Sesc em Goiás,  educar os alunos para que sejam protagonistas da própria história significa levar em conta duas perguntas básicas: “que tipo de indivíduo ou cidadão se pretende formar? E que tipo de sociedade se pretende construir?”.
“Que tipo de indivíduo ou cidadão se pretende formar? E que tipo de sociedade se pretende construir?”

Mária Angélica dá como exemplo o Gente Boa, ação que consiste no planejamento, na elaboração e na execução de oficinas pedagógicas, recreativas e experimentos que os estudantes do Sesc apresentam e executam nas escolas municipais localizadas em regiões periféricas da cidade de Goiânia. O aluno do Sesc tem a oportunidade de colocar em prática esse protagonismo que é ensinado e vivido na escola.

Para enfrentar o desafio, a educação é pensada por inteiro também para funcionar em rede, onde todos os funcionários do colégio são e se sintam educadores, comenta Lúcia Oliveira.  O  projeto didático pensado na educação de maneira integral ou global, por inteiro, é o caminho para a conquista da autonomia do aluno. voltar ao topo
Antônio Augusto Fontes
Integração
A proposta da educação integral é abordar os temas da maneira como eles se apresentam na vida: em sua multiplicidade e articulando vários conhecimentos. Para Vania Menezes, assessora do Projeto Habilidades de Estudo, o diferencial do Projeto está justamente na abordagem dos temas na sua totalidade, explorando diferentes linguagens sejam da arte, da cultura, do esporte, entre outros.

Maria Angélica de Moraes e Silva vê na prática do Sesc Goiás esse cuidado com a educação abrangente, que não é restrita à educação escolar, mas que amplia as possibilidades de uso dos espaços educacionais através de projetos multidisciplinares, de aulas campo (onde é possível observar o objeto em seu contexto), nas práticas de assistências sociais (quando são arrecadados alimentos e distribuídos em creches, asilos, como o Mesa Brasil Sesc), e em outras atividades comunitárias que colaboram para o protagonismo das crianças, adolescentes e jovens.

Rosa do Nascimento, técnica do Sesc Ler, acredita que é o respeito à diversidade e a maneira com são abordados os temas, trabalhando e reconhecendo as diferentes identidades, que ajudam a manter o aluno nas escolas. A permanência é o principal desafio da Educação de Jovens e Adultos. “São pessoas que não tiveram oportunidades de estudar ou tiveram experiências frustrantes e depois de muito tempo voltam a estudar. Esse estudo precisa fazer sentido porque eles sobreviveram sem isso.” , diz. 

Para Wládia de Medeiros a “dificuldade” é o aluno querer sair do Sesc. “Eles não querem ir embora porque amam o espaço, porque se sentem valorizados e fizeram amigos. Os adultos passam a ter uma vida social, lá eles são seres completos, fazem exercícios físicos, se enriquecem culturalmente, têm momentos de lazer e aprendem a cuidar melhor da saúde.
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