Saúde em família

Saúde é bem estar integral. Significa emancipação, autocuidado, acolhimento e empoderamento. Dona Jaete, seus filhos, netos e bisnetos descobriram que saúde é cuidar de cada um todos os dias. No Dia Mundial da Saúde, contamos a história desta família, escrita e inscrita em uma unidade do Sesc em Alagoas.

William e Williame Rodrigues, sua mãe, Silvania , e a avó, Jaete Rodrigues frequentam juntos o Sesc Poço em várias atividades de saúde.
Jaete Rodrigues, 76 anos, bahiana que mora há 71 em Maceió, em frente ao Sesc Poço, viu a pedra fundamental do prédio ser lançada. Quando a unidade chegava ao local, em 1957, Jaete tinha 19 anos. O Sesc já havia implementado, ao longo dos anos 40, o atendimento à infância e à maternidade. A criação do ambulatório de saúde (1950) e do Serviço de Assistência ao Parto e à Maternidade (1952) foram as primeiras ações em Alagoas. A preocupação com a mortalidade infantil era uma das agendas da época e o Sesc abriu postos de puericultura, criou cursos de higiene pré-natal, produzindo cartilhas e folhetos para educação e orientação. A assistência familiar e farmacêutica já eram desenvolvidas em outros estados nos anos anteriores à chegada da unidade ao bairro de Jaete. Não à toa, mãe solteira de quatro filhos, Jaete afirma que “Se não fosse o Sesc, eu não tinha a vida que tenho hoje”. E diz brincando: “Foi meu marido”.

Promover o empoderamento de mulheres como Jaete é um dos focos da Educação em Saúde que, por meio de ações educativas, estimula a adoção de medidas que favoreçam a melhoria da qualidade de vida.


A conscientização por parte dos indivíduos quanto ao modo de vida saudável e sua consequente mudança de comportamento não se consegue rapidamente, nem de forma autoritária. Assim, a pessoa que convive com a pobreza e o desemprego, que sofre discriminação social e vive em condições insalubres dirigide toda sua energia e tempo à questões mais imediatas.

Os estilos de vida não dependem somente das escolhas pessoais, mas são influenciados pela estrutura social e cultural em que vivemos. Dessa maneira, os modos de agir e viver são baseada nas necessidades e nos desafios enfrentados ao longo da vida, nas mais diversas condições.

A linha meotodológica da atividade Educação em Saúde prevê a dinâmica do processo educativo, privilegiando a interação e integração das pessoas na construção do conhecimento para prática cotidiana.


A formação de agentes multiplicadores tem sido uma das principais estratégias adotadas, atingindo diferentes segmentos da população (crianças, adolescentes, trabalhadores em geral, idosos), incluindo profissionais das áreas de saúde e educação, em que o potencial de propagação das informações, garante o desdobramento do trabalho.

Tais critérios orientam a proposta de alguns projetos pelo Sesc, além das parcerias que permitem a ampliação e aprofundamento do trabalho em parceria com a comunidade. A atividade Educação em Saúde desenvolve ações sistemáticas como "Ver para Aprender”  e “Transando Saúde”.

A Educação em Saúde também atua nas ações das unidades móveis OdontoSesc e Saúde Mulher integrando práticas educativas ao atendimento clínico odontológico ou médico, disponibilizando conhecimentos e fornecendo apoio ao público .

Outra esfera de atuação do Sesc é a Assistência Médica, que integra ações destinadas ao diagnóstico, à prevenção de agravos, promoção e recuperação da saúde.

Jaete também trabalhou na unidade durante 25 anos. “Eu comecei como faxineira e passei à merendeira e cozinheira.”, lembra. Foi também no Sesc Poço que ela começou a ler. “Eu entrei no EJA (Educação de Jovens e Adultos) porque quem trabalhava precisava fazer.” O Sesc iniciou a década de 60 reforçando sua atuação nas atividades de educação, nutrição (para combater a desnutrição infantil) e odontologia, principalmente nas cidades do interior.


Além da educação formal, D. Jaete conta que os anos de trabalho no restaurante foram responsáveis por mudanças de hábitos ligados à praticas na cozinha, como limpeza e nutrição, graças à cursos de higienizaçao e sobre alimentos: “Eu mudei muito a maneira de cozinhar em casa. Hoje falo para a família ter cuidado com a carne de porco...”, diz. Mas Jaete também mudou a forma de se relacionar no trabalho, construindo laços fortes com os outros funcionários. "Fiz amigos.", conta.


Algumas vezes por semana, a ex-funcionária almoça no restaurante do Sesc e revê muitos colegas. "O preço é acessível, a comida é boa, o restaurante é limpo, a nutricionista é boa...", aprova.

Atualmente o Sesc possui 371 restaurantes e 231 lanchonetes distribuídos em todos os estados do país. 


A Nutrição tem um espaço de atuação no campo social e da saúde, com propósito educativo, prioritário nas realizações do Sesc e atende preferencialmente o público comerciário.


O fornecimento de refeições desempenha o papel principal, são 200 mil pessoas atendidas diariamente nos restaurantes do Sesc , além de lanches aos estudantes da Educação Infantil e Educação para Jovens e Adultos.

  

A Nutrição do Sesc atua na produção de refeições, lanches e consultas dietoterápicas, com ênfase nos critérios e procedimentos para o fornecimento de refeições com garantia da qualidade biológica, sanitária e nutricional, estimulando práticas alimentares e estilos de vida saudáveis.

Em todas as realizações da Nutrição, estão inseridas a promoção, a proteção e a recuperação da saúde, em especial o estado nutricional, com o fornecimento de serviços e alimentação de qualidade. Os cardápios dos restaurantes dos comerciários são especialmente preparados para garantir no dia a dia uma alimentação adequada e preços acessíveis, têm ainda a tradição de oferecer pratos típicos regionais, entre diversas opções para a clientela. 

A qualidade do atendimento não se esgota na prestação do serviço mas deve contribuir para a incorporação de hábitos voltados à boa alimentação e a multiplicação de boas práticas de alimentação. O trabalho com as famílias assume também espaço privilegiado no PAS – Programa de Alimentos Seguros – no qual o Sesc leva até as Escolas o conceito de alimentos seguros para o cotidiano das crianças.   

A perspectiva educativa, realizada através de ações de educação alimentar tem o propósito de socializar conhecimentos relacionados aos hábitos alimentares e contribuir para a solução de problemas nutricionais da comunidade.



Com os filhos já criados e aposentada, a ex-cozinheira poderia ter se acomodado, mas tratou de manter cheia a agenda (e o vigor) de quem criou sozinha, ou com o Sesc, como gosta de dizer, os quatro filhos.  Às segundas, ela tem aulas de canto, participa do Coral do Sesc Poço. Às terças, D. Jaete dança na atividade chamada de Folclore, que valoriza a tradição local; às quartas, se encontra com os amigos para uma tarde de lazer dentro do programa Trabalho social com idosos (TSI). Na quinta-feira, exercita a mente relembrando histórias e partilhando memórias na atividade Arte de lembrar, também do TSI, e o corpo na hidroginástica (que também acontece às terças). 


A Arte de lembrar é uma das atividades que D. Jaete mais gosta. " A gente lembra das histórias antigas... é muito bom" Junto ao grupo, partilha memórias e ouve outras de quem já tem muito para contar, como ela. Relembrando o vivido, se integram e valorizam juntos o papel do idoso na sociedade.


Jaete Rodrigues participa de várias atividades do Trabalho Social com Idosos no Sesc Poço

A Assistência desenvolve três atividades: Trabalho com Grupos, Ação Comunitária e Assistência Especializada.

O Trabalho com Grupos compreende ações de formação, desenvolvimento e intercâmbio de grupos, destinados a promover a participação social e o exercício da cidadania. Esta atividade é desenvolvida através das modalidades idosos, crianças, adolescentes, intergeracionais, de pais e de voluntários.

As ações realizadas pelo Sesc na atividade Trabalho Social com Idosos (TSI) tiveram início na década de 60, na cidade de São Paulo, onde idosos procuravam por atividades que ocupassem o tempo livre e os retirassem do isolamento. A percepção da presença de idosos, num espaço predominantemente ocupado por jovens e adultos, levou o Sesc a organizar um trabalho de caráter socioeducativo e cultural voltado exclusivamente para o atendimento dessa clientela. Atualmente, o TSI atende  aproximadamente 70 mil idosos.


A Assistência Especializada desenvolve ações destinadas a prestar orientações técnicas, auxílios financeiros individualizados, como consultas para obtenção de documentos, financiamentos de serviços e bolsas de estudo.


A Ação Comunitária consiste em atividades eventuais ou sistemáticas destinadas a promover o desenvolvimento social, econômico e cultural das comunidades, incentivando a participação social, através da atuação do Sesc na localidade e do estabelecimento de parcerias. Os objetivos são contribuir com a mobilização, apoiar ações que visem o encaminhamento de soluções dos problemas locais, valorizar o potencial da comunidade e incentivar a formação de redes.


As ações sociais sempre estiveram presentes nas atividades do Sesc, desde sua fundação, com o destaque para as Unidades Móveis de Orientação Social (Unimos), na década de 1960, que permitiram a interiorização da atuação da entidade e influenciaram o desenvolvimento de outros eventos, como as feiras de saúde.



Sobram alguns dias fora do Sesc, para descansar, mas Jaete também costuma frequentar a área de lazer da unidade de Guaxuma, também em Maceió, em alguns finais de semana. Ao longo dos anos 1950, o Sesc também passou a valorizar ainda mais a qualidade de vida investindo no  Lazer. Pelo TSI, tão presente em sua vida atual, Jaete passeia bastante. Voltou à cidade natal, Bahia, “mas não gostei tanto”, diz. Conheceu o Rio Grande do Norte e São Paulo: “Adorei Santos!”, conta. E completa: “Eu tenho muitos amigos no Sesc. Na quarta-feira são mais de 800 idosos participando da tarde de convivência.”, conta. “Além dos amigos que fiz no TSI, tenho outros, que são funcionários de lá, como a Rosinha, assistente social que tanto me ajudou com meus filhos”, diz.

Williame Rodrigues,22 anos, neta de D. Jaete recebe tratamento odontológico.

A cozinheira aposentada diz que mesmo com os filhos pequenos conseguia frequentar atividades na unidade do Poço porque eles acompanhavam. “Eu participava do Folclore e às vezes as meninas iam comigo”, conta. A filha mais nova estudou na Escola Sesc e os outros filhos frequentaram atividades lúdicas e esportivas, além de terem recebido atendimento odontológico na unidade ao longo dos anos.

A Odontologia do Sesc é formada por um conjunto de atividades clínicas e educativas com foco na prevenção, promoção e recuperação da saúde bucal. Presente em todo o país por meio de 200 clínicas e 59 unidades móveis OdontoSesc, conta com cerca de 2000 profissionais que promovem um serviço de saúde e em defesa da vida pautado nos princípios de acolhimento, vínculo e responsabilidade profissional. A saúde bucal para o Sesc é parte integrante da saúde geral e deve ser fortalecida na interação e equilíbrio dos indivíduos com o seu ambiente e relações sociais, resultado das condições e estilos de vida na qual se encontram inseridos. A Assistência Odontológica do Sesc se articula às demais ações programáticas do Sesc, como por exemplo às áreas de esporte, lazer, educação, cultura e demais atividades da saúde, permitindo o fortalecimento do auto-cuidado e a adoção de hábitos de vida mais saudáveis.


Silvania, de 48 anos, filha de Dona Jaete, possui um pequeno salão de beleza em sua casa. Ela frequenta o Sesc Poço desde a adolescência seguindo os passos da mãe. Já fez vôlei, basquete e dança moderna. Atualmente faz ginástica localizada e musculação. A cabelereira já viajou para vários lugares do Brasil, como São Paulo e Bahia, se apresentando pelo Folclore, atividade que reúne as tradições locais do reizado e do pastoreio. “Dificilmente teria acesso a tudo o que tive no Sesc. Tudo aqui na cidade é caro.”, diz.

Silvania frequenta a musculação às terças e quintas.

Silvania já trabalhou no comércio, mas nunca teve plano de saúde. Pelo Sesc  tinha atendimento odontológico e seus filhos, além do dentista, iam ao pediatra da unidade, quando este serviço era oferecido. O casal de filhos de Silvania também frequentou a Escola do Sesc na unidade do pré-escolar até o 4º ano.


Durante a semana, sua família frequenta o restaurante do Sesc algumas vezes. “Lá tem tudo o que meu filho gosta”, comemora. E ao responder sobre as preferências do adolescente, informa: “ Ele gosta de legume, verdura e lasanha.”

Com o marido, Silvania aproveita o happy hour nas sextas à noite. Quando a unidade perto de sua casa oferece shows e peças de teatro, ela também costuma assistir.

Quando perguntamos à Silvânia em que o Sesc mais impactou em sua saúde ela responde: “Com certeza em tudo o que o Sesc fez pela minha mãe. Ela teve uma recaída na depressão porque sofreu um AVC e ao participar das atividades do TSI recuperou o ânimo. Hoje ela dança até o ´show das poderosas´”, brinca. Silvania.