• 13/05/2015
  • Pioneiro (RS)

Peça ‘Antes da Chuva’ encena a espera por uma paixão, amanhã, no Sesc

 

O amor e a espera são temas que se entrelaçam na trama do espetáculo Antes da Chuva, que será apresentado amanhã, às 20h, no Teatro do Sesc. Com texto e direção de Rodrigo Portella, a peça da Cia Cortejo, de Três Rios (RJ), tem duas obras bem populares como referência: o filme O Leitor, dirigido por Stephen Daldry e estrelado por Kate Winslet e Ralph Fiennes, e o romance O Amor Nos Tempos do Cólera, de Gabriel García Márquez. A partir delas, o autor imaginou a sua trama, sobre o apaixonamento de um menino por uma mulher mais velha. O menino, na ocasião com 11 anos, é chantageado pela moça para que deixe que ela o veja nu e depois leia pra ela em voz alta. 

– Procurei fazer um espetáculo para atingir todas as pessoas. 

Tem um entendimento de uma camada mais intelectualizada, mas queria algo de maior alcance, que emocionasse. O que busquei foi a capacidade de ser universal. Além do romance, o que liga a peça a essas duas obras citadas é o contexto do homem que espera – comenta Rodrigo Portella. 

Com a montagem circulando pelo Brasil, o autor e diretor festeja a capacidade de comunicação com o público. No palco estão apenas dois intérpretes, Bruna Portella e Luan Vieira, que, segundo ele, têm uma comunicação plena com o público. 

– Por onde a gente passa, conquista fãs. As mulheres se sentem muito envolvidas. Afinal, todas querem ter um homem como ele. E a trama tem comédia, tem leveza – acrescenta Portella. Mas que não se pense numa história água com açúcar. Há momentos densos, metáforas. 

– A peça fala da expectativa da realização de um amor que ficou em suspenso. Ele escreve milhares de cartas. Trata-se de um encontro através das leituras de livros – diz o autor e diretor. 

Num palco com cenografia mínima, o público é desafiado a imaginar onde a história se passa: um lugarejo à margem do Rio, onde as coisas acontecem antes e depois das intempéries. E o apaixonado passa uma vida a ler, e a escrever cartas: 
– A ideia é fazer com que o público também leia os livros, que veja tudo num espaço onde não tem nada. 

Indicada ao Prêmio Shell de 2014, a montagem tem circulado graças ao Palco Giratório. Oportunidade que, segundo o diretor, é pra lá de rica para o grupo, que esteve em Caxias no ano passado, no Caxias em Cena, com a peça Uma História Oficial: 
– Esse projeto abre oportunidade de contatos, traz enriquecimento cultural para os artistas. Esse tipo de encontro é mágico, pois no teatro existe a impossibilidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo.