• A Gazeta (ES)

Releituras debochadas de ícones culturais

 

Para um artista que usa o próprio corpo e faz performances em todas as suas obras, Alexandre Mury é bem tímido. Durante a montagem da sua exposição “Fricções Históricas” – que começa amanhã, no Sesc Glória – posou para fotos jornalísticas e estava visivelmente embaraçado. 

“Sou tímido como todo fotógrafo. Fico até vermelho”, explicava. Acostumado a ter controle sobre todos oselementosdoscenários que cria para suas obras, Mury diz que não usa as obras para aparecer, mas para se esconder,para ser outros. 

Suasobrassãoreleituras de ícones culturais, filmes, pinturas,eatépersonagens históricos. Desde o “Abaporu”, de Tarsila do Amaral, passando por “ O Bebedor de Absinto”, de Manet, até a célebre “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci. A exposição conta com 42 autorretratos, em grandes formatos, tem curadoria de Vanda Klabine coordenação do marchand Afonso Costa. 

Para a curadora, as obrasnãosão apenas fotografias, mas instalações no curso de Comunicação Social e atuoucomodiretor de arte em agências de publicidade em Vitória, em 2010. Suas obras foram descobertaspelomarchand AfonsoCosta,queviuosautorretratosqueMurypostava no Fotolog e o abordou na abertura deumaexposição em Vitória, em 2008. 

À época Mury disse que não era um artista. Mais tarde, suas obras estavam sendo expostas no Museu de Ate Moderna do Rio de Janeiro(MAM).“Noinício era tudo uma brincadeira para mim”, lembra. 

O processo de seleção das obras e dos ícones que se tornam objeto das releituras ainda é “místico”. 

“Em algumas vezes eu escolho a obra. Em outras, ela me escolhe”, diz. 

Para a releitura da “Mona Lisa”, a seleção levou mais tempo. “Talvez eu tenha levado quatro anos pensandoemcomoeufaria essa obra. Tanta gente já tinha feito releituras da ‘MonaLisa’, quefoiuma preparação intensa”, contaMury, sobre a obra que, para a curadora, é uma das mais radicais do artista, que teve que raspar a barba, as sobrancelhaseocabelo. 

É claro que ela tambémpoderá ser conferida no Sesc Glória a partir de amanhã. 

Alexandre Mury foi “descoberto” após postar algumas de suas releituras em seu fotolog. Pouco depois já tinha obras expostas nos maiores museus do Brasil 
Emexposição no Sesc Glória, AlexandreMury faz autorretratos e revisita obras célebres Releituras debochadas de ícones culturais 

FRICÇÕES HISTÓRICAS 

Quando: Abertura amanhã, às 9h. 
Onde: Centro Cultural Sesc Glória 
– Av. Jerônimo Monteiro, 428 Centro, Vitória 
Ingressos: R$ 5 (inteira) e R$2 (meia e comerciários) 
Visitação: Terça à sexta-feira, das 09 às 20h. 
Sábados e domingos das 10 às 19h. 

Até 12 de julho Informação:(27) 3223-0720 temporárias e performances que acabam por ser capturadas pela câmera. 

“É uma estética muito atual, que define a heterogeneidade da arte contemporânea”, analisa. 

Para ela, a ressignificação de ícones mitológicos e/ou literários culmina num trabalho totalmente original,jáque,emalgumas obras, o artista cria uma identificação visual muito forte, enquanto outras funcionam com um embaçamentodaoriginal, comoéo caso de “Ganímedes”. 

“Quando fiz o ‘Ganímedes’, coloquei no Google e olhei todos os resultados – dez mil imagens – para ver todas que estivessemdisponíveis, e montei uma pasta com essas referências. E a minha leitura não é de nenhuma delas especificamente, mas uma releitura do mito”, conta Mury. 

Formado em Publicidade e Propaganda, Mury lecionou em algumas faculdades, entre 2003 e 2006, Mostra temreleituras de obras, entre elas a de “O Bebedor de Absinto”, de Manet, e de mitos como o de Ganímedes