Publicado em 30/11/2018
Atualizado em 14/12/2018

Vamos falar sobre AIDS?

Algumas pessoas acham que é um assunto do passado. Informe-se e previna-se!

Desde o fim dos anos 1980, o dia 1º de dezembro é lembrado pelo combate à Aids, uma doença que foi descoberta há quase 40 anos e logo se tornou uma epidemia global. De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 36,9 milhões de pessoas viviam com o vírus HIV em 2017. Embora o número de novas infecções tenha caído 47% desde o pico, em 1996, ele continua alto: 1,8 milhão de pessoas foram infectadas pelo vírus no ano passado.

 

Entre os jovens, o número de casos da doença também tem crescido. Nos últimos 10 anos, as taxas de detecção entre pessoas do sexo masculino, de 15 a 24 anos, mais que dobraram em uma década, segundo dados do Boletim Epidemiológico de HIV 2018. Levar informação ao público é essencial não só para a prevenção à doença como para ajudar aqueles que já vivem com HIV.

 

O Sesc entrevistou o assessor da Unaids Brasil, Cleiton Euzébio, para saber mais sobre os meios atualmente utilizados na prevenção à Aids.

 

Sesc: O preservativo é a única forma de prevenção contra o HIV?

Cleiton: Não. Hoje existe diversos métodos de prevenção disponíveis pelo Sistema Único de Saúde. O preservativo é ainda o mais conhecido e usado, sendo barato e de fácil acesso. Mas a prevenção combinada permite a escolha de métodos mais adequados a situação de cada um.

 

Sesc: O que é Prevenção Combinada?

Cleiton: A prevenção combinada associa diferentes métodos, conforme situação, risco e característica de vida. Essas estratégias ampliam a gama de opções para prevenção contra o vírus. Entre elas temos a Profilaxia Pós-exposição (PEP) e a Profilaxia Pré-exposição (PrEP).

 

Sesc: Como funcionam o PrEP e o PEP?

Cleiton: A Profilaxia Pós-Exposição - PEP é destinada a uma situação de emergência, após o risco de contato com o HIV. Por exemplo, quando a camisinha rompe durante a relação sexual. Neste caso, a pessoa tem até 72 horas para iniciar o tratamento, que dura 28 dias, sendo mais eficaz se iniciado nas duas primeiras horas após a exposição. Já a PrEP consiste no uso do medicamento antirretroviral por quem não convive com o vírus, mas se encontra em situação de elevado risco de infecção. A pessoa deve ingerir  um comprimido por dia, todos os dias. Com o medicamento em circulação no sangue no momento do contato com o vírus, o HIV não consegue se estabelecer no organismo. O Ministério da Saúde disponibiliza a PrEP pelo SUS para alguns grupos prioritários.

 

Sesc: Mas os preservativos ainda são indicados?

Cleiton: Sim. Existem as camisinhas peniana e vaginal. Ambas são distribuídas gratuitamente no SUS. Muitas pessoas não conhecem a camisinha vaginal, que tem como diferencial poder ser colocada até oito horas antes do sexo. Especialistas indicam, no entanto, que também é recomendado usar gel lubrificante para diminuir o atrito que pode provocar microlesões na mucosa e, consequentemente, servir como porta de entrada do vírus. É importante lembrar que os preservativos também protegem contra outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis, HPV, gonorreia e outras.

 

 Sesc: O número de casos entre jovens vem crescendo, apesar das campanhas. O que pode ser feito neste sentido?

Cleiton: É preciso falar mais sobre o HIV. A geração atual, seguramente, é a que tem mais acessos a informações, graças a internet. Mas é preciso atenção para a qualidade e confiabilidade das fontes. O jovem tem que estar preparado para interpretar  e absorver as informações , de forma a utiliza-las da maneira mais adequada, vivenciando uma sexualidade saudável. Neste sentido, foi lançado o site deupositivoeagora.org,  que reúne informações sobre HIV em linguagem atualizada, clara e acessível. Lá o público encontra informações sobre a diferença entre HIV e Aids, formas de transmissão e prevenção, direitos das pessoas que vivem com HIV, entre outras. Além disso, informações confiáveis podem ser encontradas em sites oficiais, como o do Ministério da Saúde (aids.gov.br) ou o da Unaids (unaids.org.br).

 

Anote algumas informações importantes:

O HIV pode ser transmitido da mãe para o filho durante a gravidez, trabalho de parto ou no período de amamentação. Por isso, é importante que toda mulher grávida faça o teste para o HIV. Caso dê positivo, a gestante deve receber o tratamento para evitar a transmissão durante e após o parto. O recém-nascido também deverá tomar medicação nas seis primeiras semanas de vida e será necessário substituir a amamentação por leite artificial ou humano processado em bancos de leite.

 

Algumas iniciativas conhecidas como “redução de danos” buscam reduzir as consequências negativas tanto à saúde quanto à situação socioeconômica associadas ao uso de drogas, tais como programas de substituição de seringas e agulhas; terapia de substituição de opioides; testagem e aconselhamento em HIV; atenção e terapia antirretroviral para pessoas que usam drogas injetáveis e seus parceiros sexuais; diagnóstico, tratamento e vacinação contra hepatites; e prevenção, diagnóstico e tratamento da tuberculose.

 

Pessoas com HIV podem receber todas as vacinas do calendário nacional durante o ciclo de vida, contanto que não apresentem alguma deficiência imunológica. É importante passar por uma avaliação médica antes de tomar qualquer vacina.





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