Publicado em 19/09/2018
Atualizado em 19/09/2018

Setembro Amarelo

Sesc participa de campanha mundial de prevenção ao suicídio.

A cada 40 segundos, alguém no mundo atenta contra a própria vida. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o número de óbitos autoprovocados é 800 mil por ano. No Brasil, registra-se 32 suicídios diariamente, uma média de uma morte a cada 45 minutos.
 

Em setembro, as atenções se voltam para o tema por conta da campanha mundial de prevenção ao suicídio, denominada Setembro Amarelo. O objetivo é desmistificar o assunto e promover esclarecimentos a respeito da identificação de sinais e busca por ajuda. O Sesc participa da campanha com iniciativas em suas unidades em todo país, tais como palestras, oficinas e debates.
 

Para explicar um pouco sobre o tema, entrevistamos a Coordenadora Geral de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Karla Baeta.
 

O suicídio é considerado um tabu, sendo pouco discutido na sociedade. Muitas pessoas não sabem o que fazer quando suspeitam que alguém pensa em cometer suicídio. Como proceder em uma situação como essa?
Karla Baeta:
Ao contrário do que se pensa, perguntar sobre autoagressão ou suicídio não provoca os atos. Falar direta e abertamente, sem alarmismo, sobre a ideia suicida e seus fatores de risco é a forma mais eficaz de abordar e manejar o risco de suicídio em adultos.
 

Mas como identificar um possível potencial suicida na pessoa?
Nem sempre a pessoa expressa claramente seus pensamentos ou sentimentos relacionados ao suicídio. É necessário estar sensível para reconhecer que a vontade de morrer pode estar presente e abrir um espaço para o diálogo, permitindo que a pessoa fale sobre o que se passa com ela, sem julgamentos ou interpretações. Em geral, falar sobre o suicídio reduz a ansiedade associada aos pensamentos ou atos de autoagressão e ajuda a pessoa a se sentir compreendida e a aceitar ajuda.
 

A depressão é um fator característico de quem pensa em cometer suicídio?
A presença do risco de suicídio não implica na existência de um agravo à saúde mental. Apesar de frequente, esta associação não deve ser sobrestimada. Há casos em que nenhuma perturbação mental foi detectada, e sim, situações outras de vulnerabilidade pessoal, econômica e/ou social. É necessário fazer uma análise contextual para compreender situações de maior risco aos quais a pessoa está exposta, como por exemplo violência doméstica, instabilidade familiar, desemprego, aposentadoria, baixa autoestima, bullying.
 

Qual a relação que existe entre qualidade de vida, trabalho e saúde mental?
Trabalhar pode ser fonte de realizações e prazer, mas dependendo das condições em que é feito, também pode causar sofrimento e até a morte. Ou seja, os sentimentos que são suscitados no trabalho por meio das suas relações e processos, podem se transformar em adoecimento físico e também psíquico, afetando a saúde mental. Existem características do trabalho que podem ser consideradas fatores psicossociais de risco para o desencadeamento do processo de adoecimento mental, como trabalho que gera tédio ou isolamento; atividades em que a tensão é constante e elevada; decepções sucessivas, frustrações, perdas acumuladas ao longo dos anos de trabalho; exigências excessivas de desempenho; ameaça permanente de perda do lugar na hierarquia da empresa; perda do posto de trabalho e demissão.
 

Como contribuir para a prevenção de adoecimentos mentais no ambiente de trabalho?
A prevenção do sofrimento/adoecimento mental relacionado ao trabalho pode se dar, principalmente, pela vigilância e intervenção dos fatores de riscos psicossociais nas condições e ambientes de trabalho, nos processos produtivos e nas relações sociais do trabalho. É importante que as organizações busquem reduzir cargas de trabalho excessivas, exigências contraditórias e falta de clareza na definição das funções; que incentivem a participação dos trabalhadores na tomada de decisões; que proporcionem aos trabalhadores o controle sobre a execução do seu trabalho; que criem metas factíveis; que melhorem a comunicação entre chefia e colegas por meio de uma gestão participativa, criando programas que visem restaurar o respeito e a cooperação entre superiores, colegas e subordinados.
 

Como as empresas podem trabalhar o tema em programas, campanhas ou ações, de forma a contribuir para esclarecimento e prevenção ao suicídio?
As soluções para um ambiente de trabalho mais amigável e menos adoecedor - sejam por meio de campanhas, programas ou ações - podem e devem partir do próprio trabalhador, que é quem mais conhece o seu processo de trabalho. Essa perspectiva, da humanização do trabalho passa fundamentalmente pelo conhecimento das condições em que é realizado, a partir do protagonismo do trabalhador. Nessa lógica de humanização, algumas premissas devem ser consideradas: fomento de autonomia dos trabalhadores, estabelecimento de vínculos solidários e de participação coletiva no processo de gestão, o compromisso com a ambiência e a melhoria das condições de trabalho.
 

Conheça alguns mitos sobre o suicídio:

- Quem fala sobre o suicídio quer apenas chamar a atenção. Ao contrário do que se pensa, quando um indivíduo falar de intenção suicida, deve ser levado a sério.

- O suicídio é sempre impulsivo e acontece sem aviso. A maioria dos casos acontece de modo premeditado e as pessoas deram avisos de suas intenções anteriormente.

- Os indivíduos suicidas querem mesmo morrer. A maioria das pessoas nesta situação experimenta sentimentos ambivalentes sobre o suicídio e ficam em dúvida se devem fazê-lo, considerando motivos para morrer e para viver. Muitas vezes já relataram ou deram pistas destes pensamentos a uma ou mais pessoas

- Quando um indivíduo mostra sinais de melhoria ou sobrevive a uma tentativa de suicídio, está fora de perigo. Na verdade, um dos períodos mais perigosos é logo após a crise, ou quando a pessoa está no hospital, na sequência de uma tentativa.

- O suicídio é sempre hereditário. Nem todos os suicídios podem ser associados à hereditariedade, no entanto, a história familiar de suicídio é um fator de risco importante para o comportamento suicida, particularmente em famílias onde a depressão é comum.





O Sesc no Brasil