Publicado em 03/09/2019
Atualizado em 01/10/2019

Todo mundo vacinado

Quando você se vacina contribui para um ambiente mais saudável e livre de doenças

O Brasil não é mais considerado um país livre de sarampo. A doença retornou no início de 2018 e desde então são mais de 10 mil casos registrados. A vacina é a única forma de prevenção e, assim como o sarampo, outras doenças já eliminadas no país podem acabar retornando caso a população não esteja devidamente imunizada.

 

A vacinação vai além de um ato individual de proteção, pois também atua no coletivo. Quando um número representativo de pessoas é imunizada, obtém-se o chamado efeito rebanho, ou imunidade coletiva. Representa que as doenças não podem se espalhar facilmente de pessoa para pessoa porque a maioria está imune. Isso proporciona uma camada de proteção, mesmo para aqueles que não podem ser vacinados.

 

 

Em outras palavras, quando você se vacina está contribuindo para um ambiente mais saudável e livre de doenças. Para te ajudar a entender melhor o benefício das vacinas e tirar dúvidas sobre como se imunizar, conversamos com a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a pediatra Isabella Ballalai.

 

Sesc – A vacinação elimina doenças?

Isabela Ballalai – No Brasil, eliminamos a pólio nos anos 1970, a rubéola em 2015/2016, o sarampo havia sido eliminado em 2016. Para eliminar uma doença é preciso cobertura vacinal, proteção coletiva, com pelo menos 95% da população vacinada. A cobertura vacinal protege cada um de nós e também aqueles que não podem se vacinar por conta de contraindicações, como pacientes com câncer ou que vivem com HIV.

 

Sesc – Quem são essas pessoas que não podem receber vacina?

Isabella Ballalai – Pessoas que têm a imunidade baixa não podem receber vacinas vivas atenuadas. Ou seja, pessoas com câncer, em tratamento com drogas imunossupressoras, que vivem com HIV e também grávidas, por conta do risco teórico para o feto, que é imunodeprimido. São vacinas como a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola; a tetraviral, que inclui a varicela; vacina para o herpes-zóster; febre amarela, poli oral. Estas pessoas precisam que seus contactantes estejam vacinados. Isso mostra que a responsabilidade não se limita a vacinação pessoal, mas também proteger essa parcela da população.

 

Sesc – Muitos pais relutam em vacinar os filhos. Quais as consequências?

Isabella Ballalai – Quando você não vacina seu filho está causando um mal para ele, impedindo que cresça sem risco de doenças graves. Além disso, permite que ele seja fonte de doença para outras pessoas. Hoje o Estatuto da Criança e do Adolescente deixa claro: vacinar a criança e o adolescente é um direito e uma obrigação e os pais podem ser penalizados. Mas penalizar pela lei não vai salvar vidas. Vacinação é uma responsabilidade de todos.

 

Sesc – Adultos precisam se vacinar com a mesma frequência que crianças?

Isabella Ballalai – Vacinação não é só para crianças, é para todos. Não existe limite de idade para se vacinar e no caso de dúvida a pessoa deve ir ao posto e verificar se está com as vacinas em dia. É preciso mudar essa cultura de que vacinação é para crianças e fazer o adulto buscar a vacina como uma rotina e não só em campanhas, quando a situação já é de crise. Vacina em excesso não faz mal, o que faz mal é não estar vacinado.

 

Sesc – Vacina causa doença?

Isabella Ballalai – Vacina não causa doença. As vacinas vivas atenuadas contêm vírus vivos fracos, incapazes de provocar a doença. Elas têm capacidade de fazer com que a pessoa crie anticorpos sem adoecer. Em alguns casos raros, a pessoa toma a vacina e 5 dias depois apresenta sintomas da doença, mas de forma fraca e não transmissível. Vale ressaltar que a vacina não faz efeito na hora, ela precisa de um tempo. Logo, se a pessoa se vacina e no dia seguinte apresenta sintomas da doença, possivelmente já estava infectada com o vírus. A recomendação é procurar um médico para investigar o quadro.

 

Sesc – Vacina causa autismo?

Isabella Ballalai – Nenhuma vacina causa autismo, não há nenhuma possibilidade disso. Essa informação provém de um artigo científico fraudulento, um boato grave e muito prejudicial.

 

Sesc – O mercúrio em vacinas causa danos à saúde?

Isabella Ballalai – A grande maioria das vacinas hoje nem contém mais mercúrio. Além disso, o mercúrio que está contido nas vacinas, em doses insignificantes, não é o mesmo que intoxica o ser humano.

 

Ainda tem dúvidas? Consulte um profissional habilitado na unidade de saúde e mantenha a caderneta de vacinação atualizada.





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