Publicado em 23/01/2019
Atualizado em 24/01/2019

Um mosquito, três doenças

Além da dengue e da zika, Aedes aegypti transmite o vírus da chikungunya

O Aedes aegypti ficou conhecido como o mosquito da dengue. Mas ele carrega outras doenças, como a chikungunya, que vem assombrando a população desde 2014, quando o vírus foi identificado pela primeira vez no país. De acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados entre janeiro e outubro de 2018 cerca de 81 mil casos de febre chikungunya. Seus principais sintomas são febre alta de início rápido, dores intensas nas articulações dos pés, mãos dedos, tornozelos e pulso. Pode ocorrer ainda dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele. Os sintomas iniciam entre dois e doze dias após a picada do mosquito.

A prevenção ainda é a forma mais eficiente de se proteger, tanto da chikungunya, como da dengue e da zika. Evitar o acúmulo de água em recipientes que possam virar criadouro do mosquito e utilizar repelentes registrados pela Anvisa são algumas medidas a serem tomadas no dia a dia. Mas se aparecerem sintomas como febre, manchas e dores no corpo, procure um profissional de saúde para um diagnóstico. Cheque aqui algumas informações importantes sobre as doenças:

Dengue, zika e chikungunya têm os mesmos sintomas
Não é bem assim. Alguns sintomas são parecidos, mas as doenças têm características diferentes:

CHIKUNGUNYA
- dor de cabeça moderada
- febre alta, superior a 38°, por 2 a 3 dias
- manchas vermelhas no 1º ou 4º dia, em 50% dos casos
- coceira leve
- inchaço nas articulações intenso a moderado
- dor articular intensa a moderada
- dor muscular intensa
- conjuntivite em 30% dos casos.

DENGUE
- dor de cabeça intensa
- febre alta, superior a 38°, por 2 a 7 dias
- manchas vermelhas a partir do 5º dia, em 30% a 50% dos casos
- coceira leve
- inchaço nas articulações é raro
- dor articular leve
- dor muscular intensa
- aparecimento raro de conjuntivite

ZIKA
- dor de cabeça moderada
- ausência de febre ou febre leve por 1 a 2 dias
- manchas vermelhas intensas entre o 1º e 2º dias, em 90% a 100% dos casos
- coceira moderada a intensa
- inchaço nas articulações frequente e de leve intensidade
- dor articular moderada
- dor muscular moderada
- conjuntivite em 50% a 90% dos casos
- hipertrofia ganglionar intensa

A pessoa pode pegar chikungunya várias vezes
Falso. Depois de infectada, a pessoa fica imune pelo resto da vida. Isso porque o vírus CHIKV é único, diferente da dengue, que apresenta 4 tipos diferentes de vírus. Nestes casos, a pessoa que se infecta pela segunda vez por apresentar um caso mais grave, com ocorrência de quadros de dengue hemorrágica.

Não existe vacina contra a chikungunya
Correto. Nem vacina ou tratamento específico. Os sintomas são tratados com medicação para a febre e as dores articulares. Não é recomendado usar o ácido acetil salicílico (AAS) devido ao risco de hemorragia. Recomenda‐se repouso absoluto ao paciente, que deve beber líquidos em abundância. E lembre-se: é essencial a orientação de um profissional de saúde.

Já existe a nova chikungunya, que tem sintomas mais fortes
Falso. De acordo com a Fiocruz, não há registro científico de que o vírus chikungunya tenha se modificado ou que o mosquito transmissor tenha se fortalecido.

As pessoas que pegam chikungunya sofrem com as sequelas por anos
Não é bem assim. Em geral, a chikungunya não deixa sequelas. A fase aguda da doença dura de alguns dias a algumas semanas. Segundo especialistas, 30% dos pacientes evoluem para o quadro crônico. Como a doença acomete articulações, no caso de pacientes mais fragilizados os sintomas podem se estender por anos. É essencial o acompanhamento por um profissional de saúde.





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