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  • Entrevista
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  • Dezembro de 2013 / Janeiro de 2014
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Vinte das 700 músicas disponíveis no Sesc Partituras (www.sesc.com.br/sescpartituras) são de autoria de Alexandre Schubert, compositor mineiro, mestre e bacharel em Composição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vencedor de 13 prêmios de composição. Criada em 2007, a biblioteca digital sem fins lucrativos visa preservar e difundir o patrimônio musical brasileiro, democratizando o acesso a partituras digitalizadas. Schubert é um entusiasta do projeto. “O acesso às partituras auxilia a programação dos intérpretes, que têm à sua disposição um amplo repertório. Isso vai repercutir também no público”, afirma.  Apaixonado pelo que faz, ele afirma que não há diferença entre erudito e popular para quem ama música. E sugere que ouvintes/espectadores brasileiros ouçam cada vez mais as composições brasileiras. “É uma música de extrema riqueza e qualidade e que nos fala mais intimamente, pois é reflexo de nós mesmos.”

“O amor pela música deve ser sem fronteiras"


Qual a importância da música na vida das pessoas?

A música está presente na vida das pessoas integralmente. A expressão musical faz parte da natureza humana. Em qualquer lugar do mundo, nas mais diversas culturas, a música está presente, com diversas finalidades. Ela é usada para entreter, para a satisfação estética, para reunir as pessoas em torno de objetivos comuns, para emocionar, como ponte para o divino, enfim, é uma forma de nos fazer humanos.


Como você descobriu a música?

A música sempre esteve presente em nossa família. Meu pai ouvia muita música e de todos os gêneros, mas principalmente a música clássica. Começar a tocar um instrumento foi um desejo da infância que foi estimulado pela família. Comecei na flauta doce. Aos 11 anos, fiz minhas primeiras composições nela. É claro que eram peças singelas. Hoje, toco violino. Comecei a estudar aos 13 anos e aos 16 entrei para a Orquestra Sinfônica Jovem, que era um trabalho remunerado, profissional. Desde então, me dedico à música, estudando, trabalhando, vivendo. Considero que minha carreira como compositor começou aos 18 anos, quando foi apresentada minha primeira obra para orquestra de cordas: “Duas impressões místicas”. Na época, era aluno de Composição na Escola de Música da UFRJ.

Quem são seus ídolos? E suas peças preferidas? Cite suas influências.

Meus ídolos são os que minha professora de harmonia chamava carinhosamente de “grandes mestres”: Bach, Mozart, Beethoven e uma gama de importantes compositores que foram fundamentais na minha formação musical/cultural. Gosto muito de Mahler, das sinfonias, das canções. Sempre me emociono ao ouvir “Paixão segundo São Mateus”, de Bach; a “Nona sinfonia”, de Beethoven; “Tristão e Isolda”, de Wagner. Quanto aos brasileiros, Villa-Lobos é o grande mestre.  Gosto especialmente dos “Choros nº 10”, obra-prima da música do século XX. Minhas influências, como compositor, estão relacionadas com dois compositores que muito admiro: Messiaen e Ligeti. Geograficamente, a cultura chega de forma desigual no Brasil.

Você acha que isso atrapalha o desenvolvimento do amor pela música?

Acredito que o Brasil é um país muito rico culturalmente. É claro que falo da cultura originária, aquela que nos diferencia e nos torna “brasileiros” e, nesse caso, encontramos um amor profundo pela música em todas as regiões, já que ela faz parte das manifestações culturais. Por outro lado, vejo um crescente número de novas orquestras sendo formadas em todo o país, além de importantes projetos de divulgação e circulação de música, como o Sonora Brasil, levando novas possibilidades de expressão artísticas ao povo.

Você acredita em uma fórmula para desenvolver o amor pela música?

Sim, em primeiro lugar deve haver um estímulo a ouvir diversos estilos de música. O amor pela música deve ser sem fronteiras e não restrito à música de consumo. Ao mesmo tempo, acredito que o processo de aprendizado de um instrumento musical é essencial para o desenvolvimento de todas as potencialidades do ser humano, desde as que têm relação com o físico, como a coordenação motora, o desenvolvimento da memória, até os aspectos relacionados ao lado emocional, de expressão e de convivência social.

Para o amante de música, é indiferente se a música é erudita ou popular?

Sim, tudo é música. “O Sesc Partituras é uma importante ferramenta para a divulgação do repertório brasileiro”



Qual é a importância do Sesc Partituras? A popularização de partituras auxilia no crescimento do mercado musical?

É uma importante ferramenta para a divulgação do repertório brasileiro. O acesso às músicas auxilia a programação dos intérpretes, que têm à sua disposição amplo repertório.  Isso vai repercutir também no público, que terá a oportunidade de ouvir música brasileira de qualidade. Isso cria condições para uma vitalização do mercado musical no Brasil, com reflexos em outros países também, pois o acervo está à disposição em qualquer lugar do planeta, via internet.


Que mensagem você pode mandar para os ouvintes/espectadores brasileiros?

Que escutem cada vez mais a música feita no Brasil. É uma música de extrema riqueza e qualidade e que nos fala mais intimamente, pois é reflexo de nós mesmos. Que aproveitem as oportunidades de assistir a boas apresentações musicais e, quem sabe, que possam se tornar músicos, aprendendo a tocar um instrumento ou a cantar, fazendo parte de um grupo, tornando-se multiplicadores dessa arte tão sublime.


NASCIDO EM MANHUMIRIM, EM MINAS GERAIS, ALEXANDRE SCHUBERT É AUTOR DE MAIS DE 120 COMPOSIÇÕES FREQUENTEMENTE TOCADAS NO BRASIL E NO EXTERIOR. MESTRE E BACHAREL EM COMPOSIÇÃO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (UFRJ), ONDE ATUALMENTE É PROFESSOR, RECEBEU 13 PRÊ-MIOS DE COMPOSIÇÃO, INCLUINDO O PRÊMIO FUNARTE DE COMPOSIÇÃO ERUDITA (2010). TEM APRESENTADO OBRAS NOS TRÊS ÚLTIMOS ANOS NA SÉRIE “COMPOSER’S VOICE”, EM NOVA YORK.  INTEGROU O SONORA BRASIL EM 2011 E 2012 E APRESENTOU-SE NAS COMEMORAÇÕES DO ANO DO BRASIL EM PORTUGAL, ALÉM DE TER PARTICIPADO DE VÁRIOS FESTIVAIS DE MÚSICA NO MUNDO.