20 anos

O mundo em que vivemos requer mais atenção. Requer mais respeito e mais liberdade para que as diferentes temporalidades e visões de mundo possam dialogar e se remixar. Pois é na mistura e na relação entre os afetos que o encontro se concretiza. Encontrar para desmanchar polaridades. Encontrar para compartilhar. Encontrar para assumir todos os riscos que um encontro provoca em busca de outras formas de convivência. Conviver não para apaziguar, mas, para respeitar as diferenças e assim, viver. Viver para amplificar experiências, interrogar ciências e construir re-existências.

É a partir do encontro que este projeto é construído diariamente. É pelo encontro entre trinta e quatro curadores, entre artistas e público, do público com as obras, dos artistas com outros artistas, de um público com os outros públicos e de todos eles juntos com os diferentes espaços geográficos deste país que esta complexa rede se tece a cada dia. Complexa porque é diversa. Porque valoriza e respeita a construção simbólica de cada indivíduo que dela compartilha. 

Com uma curadoria única no Brasil composta por trinta e quatro profissionais do Sesc oriundos de todos os estados brasileiros, a programação do Palco Giratório configura um panorama singular das artes cênicas. Ao longo de todo ano, o curador de cada estado, figura presente e atenta à sua cena local, indica - obrigatoriamente após ter assistido de forma presencial - até cinco espetáculos que são apreciados e discutidos pelos demais curadores, que acessam aos vídeos dos trabalhos indicados por meio de uma plataforma curatorial online. Durante o Encontro Nacional de Programação em Artes Cênicas, toda a rede de curadores do Sesc se reúne para analisar o conjunto das indicações e definir coletivamente a programação do Palco Giratório a partir de critérios que se renovam a cada encontro pelos caminhos que os próprios espetáculos abrem no decorrer do trabalho.  Considerando que a diversidade é um aspecto chave do projeto, existem eixos Âncoraque norteiam a curadoria, tal como a heterogeneidade de expressões artísticas, regiões, estados e faixas etárias dos espetáculos, bem como as preocupações detectadas pelo coletivo em questões conceituais específicas do campo das artes cênicas.  É um processo curatorial vivo e dinâmico que vai no contrafluxo de processos convencionais: não são os curadores que definem a priori um recorte de programação. São as questões levantadas pelos espetáculos selecionados que se articulam com os eixos do projeto, específico a cada ano de realização.

Afirmar a importância das artes cênicas num tempo de incertezas é o principal motor do projeto neste ano, sendo as Aldeias e os Festivais Palco Giratório as suas engrenagens. As trinta e duas Aldeias espalhadas por todas as regiões do Brasil são um desdobramento importante do circuito onde os espetáculos da circulação se intercambiam com espetáculos locais configurando importantes estratégias de desenvolvimento artístico numa via de mão dupla. Já os Festivais Palco Giratório representam uma oportunidade para o público assistir todos os espetáculos da circulação, os quais também se articulam com a cena local. Os festivais acontecem atualmente em 8 cidades e são da maior importância para a força do projeto tomar conta das diferentes urbanidades por um tempo mais alargado.

O hibridismo e a quebra de expectativas que as articulações entre as diversas linguagens cênicas despertam no público tem sido um debate bastante caro à curadoria do Palco Giratório. Assim, nesta 20ª edição comemoramos também o primeiro circuito de performance. Outra novidade desta edição é que a intervenção urbana deixa de ser um circuito específico, integrando duas propostas diferenciadas.

Na esteira do hibridismo, muitas articulações interessantes se dão nos campos da dança, circo e teatro. Descubra quais são! Por fim, o Palco Giratório a cada ano aprofunda a sua atenção com a infância e, sobretudo em 2017, com a juventude, faixa etária ainda pouco trabalhada pelas artes como um todo.

Vamos desconstruir lógicas e irradiar outras formas de ver a vida. Convidamos a todos para viver essa experiência junto conosco, comemorando a 20ª edição do Palco Giratório e compartilhando o necessário movimento de apontar ações para o futuro, conscientes do constante desafio da reinvenção. Porque Arte é resistência. Arte é re-existir.

 

Curadoria Palco Giratório 2017