A interiorização do Palco Giratório: tecer outras redes

O Palco Giratório é um projeto consolidado no cenário cultural brasileiro e de importância especial para municípios do interior, cujas populações encontram mais dificuldade em acessar uma produção artística diversificada e continuada. A grande capilaridade do Sesc possibilita que todos os estados brasileiros recebam o projeto. Cada vez mais alcança não apenas as capitais, mas também as pequenas cidades, descentralizando a arte e estabelecendo outras redes de circulação e intercâmbio no país.
 

Este trabalho de interiorização é uma metáfora de fios entremeados em diversos nós: nós apertados que solidificam e marcam posições ou nós que se desfazem, desatando o que estava emaranhado, originando interessantes bordados.
 

São potentes as transformações que o projeto faz nas pequenas cidades. Em muitas delas, o Palco Giratório constitui-se como a única programação cultural, possibilitando a muitas pessoas assistir um espetáculo pela primeira vez na vida. Permite que demandas sejam criadas e reforçadas pela população, mobilizando a política local em articulação com o Sesc para o fortalecimento das Artes Cênicas, fazendo com que teatros sejam construídos e/ou reformados, que editais sejam lançados e que profissionais das artes sejam valorizados. O mapeamento de artistas e a construção de estratégias de visibilidade são também pontos-chave deste processo.
 

É importante ressaltar que este movimento não se dá de “fora para dentro”, colocando a cidade como mera receptora de cultura. A programação é articulada de modo a envolver a produção local, sendo a própria curadoria dos espetáculos do circuito voltada para as questões e preocupações mais latentes da cidade, promovendo intercâmbio de modos de fazer, criar, pensar e sentir.
 

Nas próximas páginas, você vai encontrar três diferentes exemplos de como levar cultura a pequenos centros e como isso influencia o cotidiano artístico das cidades: Ana Paolilo (Sesc Bahia) e Jane Schoninger (Sesc Rio Grande do Sul) compartilham experiências de interiorização mais longevas – sendo a do Rio Grande do Sul realizada desde a primeira edição do projeto – enquanto Lili Machado (Sesc Piauí) divide conosco essa vivência em um passado mais recente, confirmando que o Palco Giratório tem um efeito de transformação quase que imediato para público e artistas, sobretudo em um estado com pouquíssimas iniciativas de subvenção artística.