Bandas de música: formações e repertórios
Na pisada dos cocos

O Sonora Brasil é considerado o maior projeto de circulação musical do país, realizando aproximadamente 450 concertos por ano, passando por mais de 100 cidades, a maioria distante dos grandes centros urbanos. O projeto possibilita às populações o contato com a qualidade e a diversidade da música brasileira e contribui para o conjunto de ações desenvolvidas pelo Sesc visando à formação de plateia. Para os músicos, propicia uma experiência ímpar, colocando-os em condição privilegiada para a difusão de seus trabalhos e, consequentemente, estimulando suas carreiras.

O Sonora Brasil busca despertar um olhar crítico sobre a produção e sobre os  mecanismos de difusão da música no país, incentivando novas práticas e novos hábitos de apreciação musical, promovendo apresentações de caráter essencialmente acústico, que valorizam a autenticidade sonora das obras e de seus intérpretes.

Confira aqui as edições anteriores do projeto.

os temas

Em sua 20ª edição, o projeto apresenta os temas 'Na pisada dos cocos' e 'Bandas de música: formações e repertórios' que serão desenvolvidos no biênio 2017/2018 com a participação de quatro grupos em cada tema. 
Em 2017, o primeiro tema circula pelos estados das regiões Norte e Nordeste, enquanto o segundo segue pelos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Em 2018, na 21ª edição, procede-se a inversão para que os grupos concluam o circuito nacional. 

Bandas: formações e repertórios

Bandas: formações e repertórios traça um panorama das tradicionais bandas que, espalhadas por todo o Brasil, são reconhecidas como importantes instituições formadoras de músicos, responsáveis pela base da educação musical de um grande número de instrumentistas que hoje integram orquestras e conjuntos de câmara.  São identificadas como parte da história de uma infinidade de cidades brasileiras, ocupando lugar de destaque na memória das pessoas. Têm origem no meio militar, de onde assimilaram características marcantes como o uso de uniforme, o repertório de marchas e a instrumentação, e são responsáveis pela criação de um gênero musical tipicamente brasileiro: o dobrado. Mesmo tendo esta força como expressão cultural, com o passar do tempo a necessidade de adequação de repertórios ao gosto popular e às possibilidades técnicas e interesses dos seus integrantes, fez com que repertórios tradicionais, compostos para formações originais, fossem desaparecendo, dando lugar aos arranjos de clássicos da música popular, de temas de filmes de cinema e de outras vertentes popularizadas nos meios de comunicação. Recuperando esses repertórios originais, históricos ou recentemente compostos, o Sonora Brasil traz quatro formações distintas, sendo três representando os grupos tradicionais que se apresentam nas ruas e praças e um representando o segmento da música de concerto com repertório inspirado na sonoridade das bandas. São eles: Corporação Musical Cemadipe (GO), A Bandinha (AM), Sociedade Musical União Josefense (SC) e Quinteto de Metais da UFBA (BA).

Na pisada dos cocos

Coco de roda, samba de coco, coco de zambê, coco de pareia, coco furado, coco de embolada...são muitas as variantes que justificam a denominação “cocos”, sempre no plural. Na pisada dos cocos apresenta variantes desta expressão lítero-cênico-musical típica da região Nordeste do Brasil trazendo dois grupos que praticam cocos do litoral e dois do interior. É uma prática coletiva que envolve, na maioria das vezes, grupos mistos, formados por homens e mulheres, que são encontrados em áreas urbanas e na zona rural, inclusive em aldeias indígenas e comunidades quilombolas, onde a dança e a música, integradas, estão presentes nos terreiros, nas festas populares e em ritos religiosos. Cantadores e dançadores são acompanhados ora por instrumentos de percussão como bumbo, ganzá, pandeiro, caixa, etc, ora por palmas ou pela batida dos pés que marcam o andamento, simulando a pisada que prepara o chão batido, atividade praticada nos mutirões a qual se atribui esta característica da dança. Circulam pelo Sonora Brasil os grupos: Coco de Zambê (RN), Samba de Pareia da Mussuca (SE), Coco do Iguape (CE) e o Coco de Trupé (PE).

os grupos

Para a edição 2017/2018 do Sonora Brasil foram escolhidos dois gêneros musicais essencialmente brasileiros, identificados com o desenvolvimento da nossa cultura.

 

Coco de roda, samba de coco, coco de zambê, coco de pareia, coco furado, coco de embolada... São muitas as variantes que justificam a denominação “cocos”, sempre no plural. ‘Na pisada dos cocos’ apresenta variantes dessa expressão lítero-cênico-musical típica da região Nordeste, trazendo dois grupos que praticam cocos do litoral e dois do interior. É uma prática coletiva encontrada em áreas urbanas e na zona rural, onde a dança e a música, integradas, estão presentes nos terreiros, nas festas populares e em ritos religiosos. Cantadores e dançadores são acompanhados ora por instrumentos de percussão ora por palmas ou pela batida dos pés que marcam o andamento, simulando a pisada que prepara o chão batido.

 

‘Bandas de música: formações e repertórios’ traça um panorama das tradicionais bandas que, espalhadas por todo o Brasil, são reconhecidas como importantes instituições formadoras de músicos, responsáveis pela base da educação musical de um grande número de instrumentistas que hoje integram orquestras e conjuntos de câmara. Têm origem no meio militar, de onde assimilaram características marcantes como o uso de uniforme, o repertório de marchas e a instrumentação. Com a intenção de recuperar repertórios originais, históricos ou recentemente compostos, o Sonora Brasil traz quatro formações distintas, sendo três representando os grupos tradicionais que se apresentam nas ruas e nas praças e um representando o segmento da música de concerto com repertório inspirado na sonoridade das bandas. 

Bandas de música: formações e repertórios

ABandinha

À difusão do repertório de música brasileira e latino-americana do século 20, com especial atenção aos compositores contemporâneos.

Formado pela soprano Manuelai Camargo e pelo violonista Cyro Delvizio (ambos mestres em música pela UFRJ e com carreiras solo além do trabalho conjunto), vem se consolidando desde 2007 no cenário musical, especialmente na cidade do Rio de Janeiro.
 

Entre suas apresentações destacam-se séries que abarcam diversos gêneros da canção brasileira, além de recitais em programas de rádios pelo Brasil e México.

A dupla se dedica intensamente à interpretação da obra de Edino Krieger, que tem acompanhado de perto essa produção e as transcrições de obras originalmente escritas para canto e piano.

Bandas de música: formações e repertórios

Corporação Musical Cemadipe

A Corporação Musical Cemadipe é uma banda formada por jovens de Aparecida de Goiânia (GO).
A criação do grupo, em 2005, ocorreu como uma proposta de educação musical baseada em referências comumente encontradas em cidades do interior do Brasil. No caso deste grupo, é realizado um trabalho bastante sistematizado e embasado teoricamente pelo fato de ter à frente um maestro/professor com formação acadêmica.

 

A história da banda tem origem no Centro de Educação Infantil Marista Divino Pai Eterno (Cemadipe), que desde 2001 atua com projetos de cunho social, atendendo famílias do bairro Madre Germana com vistas à atenção a seus direitos no campo da Educação.

 

Na composição do panorama apresentado no projeto, a Cemadipe representa as bandas civis que lidam com repertórios de marchas e hinos. Formada por naipes de metais e percussão, abordando repertórios de relevância histórica e com atenção especial a compositores goianos, o grupo também vai apresentar instrumentos de fanfarras e exemplos de seu repertório específico.

 

 

 

 

 

Na pisada dos cocos

Coco de Tebei

Esse coco é praticado por um grupo de agricultores e tecelões da comunidade Olho D’Agua do Bruno, na cidade de Tacaratu, Pernambuco, localizada na região do Médio São Francisco, próximo à divisa com Bahia e Alagoas. A paisagem local é típica do sertão nordestino: terra seca, casas esparsas e muito precárias, mandacaru e alguma criação animal.

O Coco de Tebei é cantado por mulheres e dançado por casais. Não utiliza instrumentos e a base rítmica é marcada pela pisada dos dançadores. A sonoridade que resulta do canto somado ao ritmo da pisada nos remete, de certa forma, a uma ritualística indígena, que se caracteriza pelo contraste de timbre entre o metal das vozes femininas e o som seco da pisada no chão, e pela ausência de nuances em cada um dos elementos. Também faz parte da memória do grupo a cantoria do rojão, associado ao uso da enxada na preparação da terra para o plantio.

 

Na pisada dos cocos

Coco de Zambê

É principalmente no município de Tibau do Sul, litoral do Rio Grande do Norte, que encontramos o Coco de Zambê, expressão cultural que, segundo pesquisadores, chegou aos engenhos de cana-de-açúcar e colônias pesqueiras da região através de africanos escravizados.

Dois tambores estão presentes na maioria dos grupos que praticam o Coco de Zambê: o próprio Zambê, também conhecido como pau furado ou oco de pau, que é maior e mais grave, e o Chama, ambos construídos artesanalmente com troncos de árvores da região. Além desses tambores outros instrumentos de percussão podem ser encontrados, inclusive a lata, usada no grupo do Mestre Geraldo que, na verdade, é o reaproveitamento da lata de 18 litros, utilizada no comércio de tintas.

A música se caracteriza como um canto responsorial, puxado pelo mestre e respondido pelo coro de vozes, e a dança acontece numa roda que mantém ao centro os tocadores. Os brincantes se revezam reverenciando o tambor e realizando passos livres de grande energia que lembram movimentos da capoeira e do frevo. Uma de suas principais características é o fato de ser praticado apenas por homens. 
 

Na pisada dos cocos

Coco do Iguape

Aquiraz fica a 30 Km de Fortaleza, no litoral cearense, e a Praia do Iguape, localizada neste município,  que foi a primeira capital do estado do Ceará, é onde moram os integrantes do grupo. Eles praticam a pesca artesanal, principal atividade econômica da região, e são liderados pelos mestres Raimundo da Costa, que desde os dez anos de idade, como ele mesmo conta, pratica o coco de embolada e Chico Caçuêra.

 

Segundo pesquisadores, o Coco do Iguape tem uma característica peculiar que é o andamento mais acelerado e uma dança mais “pulada”. Como outros cocos do litoral, o grupo se apresenta descalço, como os pescadores costumam andar. A vestimenta é feita artesanalmente com o mesmo tecido usado nas velas das jangadas e tingida com a tinta retirada da casca do cajueiro azedo, árvore encontrada na região.

 

Os instrumentos utilizados pelo grupo são o caixão (espécie de Cajon), que é feito de madeira em forma de caixa, permitindo que o tocador fique sentado sobre o instrumento, e o ganzá, espécie de chocalho feito com latas reutilizadas, ambos fabricados pelos próprios integrantes. O triângulo, pouco encontrado em grupos de coco, foi inserido a partir de influências externas.

 

Bandas de música: formações e repertórios

Quinteto de Metais da UFBA

Os conjuntos de câmara têm origem no século 16, época em que se tornou uma prática a apresentação de pequenos grupos musicais nos castelos medievais europeus em situações sociais envolvendo a nobreza. Ao longo da história, o quarteto de cordas, em sua formação clássica com dois violinos, viola e violoncelo, foi a formação que mais se consagrou nesse âmbito, motivando compositores de todos os períodos históricos, estimulando a produção de vasto repertório.

 

O quinteto de metais tradicional é um conjunto de câmara formado por dois trompetes, uma trompa, um trombone e uma tuba, instrumentos que integram o naipe de metais das orquestras sinfônicas. Não teve a consagração alcançada pelo quarteto de cordas, e sua existência remonta a um período mais recente na história da música, seguramente não mais de 150 anos. Mas, ainda assim, é um dos conjuntos de câmara mais tradicionais no campo da música de concerto.

 

A inclusão de um quinteto de metais nesta edição do Sonora Brasil tem por objetivo apresentar repertórios compostos para essa formação, no âmbito da música de concerto, que apresentem influências da sonoridade interiorana das bandas tradicionais. 
Repertórios encontrados, de um modo geral, na obra de compositores que também vivenciaram esse percurso como instrumentistas, partindo, posteriormente, ao estudo acadêmico dedicado à composição.

Na pisada dos cocos

Samba de Pareia da Mussuca

O Povoado de Mussuca fica no município de Laranjeiras, a 23 Km de Aracaju, capital do estado de Sergipe. É uma comunidade de remanescentes quilombolas que se empenha para manter as tradições herdadas de seus antepassados, como a Dança de São Gonçalo e o Samba de Pareia. A pesca e a cata de crustáceos, como o caranguejo e o sururu, são atividades econômicas tradicionais que envolvem muitas famílias, e se desdobram numa culinária atraente que contribui para o desenvolvimento da economia local.
 
O samba não se caracteriza como um folguedo, mas apresenta dança coreografada e trajes padronizados. As letras das músicas fazem alusão a situações do dia-a-dia, normalmente com muita irreverência.

O grupo é liderado por uma mestra, Dona Nadir, o que é raro nos grupos de tradição, onde as funções de liderança normalmente cabem aos homens, e conta também com a participação de Mangueira (Acrisio dos Santos), Carmélia dos Santos, Elenilde da Silva, Maria Edenia dos Santos, Maria Ednilde dos Santos, Cecé (Maria José dos Santos), Maria Lucia Santos, Maria Luiza dos Santos, Maria José dos Santos e Normália dos Santos. 

Bandas de música: formações e repertórios

Sociedade Musical União Josefense

Fundada em 1876, a partir da fusão de três antigas bandas, a União Josefense é uma das mais antigas de Santa Catarina e está sediada na cidade de São José, na Grande Florianópolis. Formada por 28 músicos, desenvolve repertório variado, transitando por arranjos e adaptações de música popular e erudita, mas também domina repertórios tradicionais que envolvem
marchas, hinos, dobrados e músicas ligadas a festividades religiosas.

 

Como tantas outras instituições musicais similares espalhadas pelo país, a União Josefense, organizada juridicamente como associação privada sem fins lucrativos, mantém-se através de doações e outras formas pontuais de captação de verba. Conta com uma escola de música que oferece aulas gratuitas de instrumentos de sopro e percussão a jovens maiores de 12 anos, atividade que tem como objetivos contribuir para a formação educacional dos alunos e, principalmente, garantir a longevidade do grupo através da renovação de seu quadro de músicos. 

 

Em março de 2016 a instituição recebeu o título de Patrimônio CulturalImaterial de São José.

Programação

Passe o mouse sobre o mapa para ver o circuito de cidades por onde o Sonora Brasil passará em 2017 e busque a programação selecionando o Estado e o Tema do grupo logo abaixo.

AlegreteCamaquãCanoasCarazinhoIjuíLageadoMontenegro Novo HamburgoPasso FundoPelotasPorto AlegreSanta Rosa Chapecó Florianópolis Itajaí Jaraguá do Sul Joinville Lages Laguna Rio do Sul Vidal Ramos ApucaranaCascavelGuarapuava JundiaíPiracicabaRegistroSão Carlos ParatyRio de Janeiro Vitória Belo HorizonteJuiz de ForaMontes ClarosUberaba Campo GrandeCorumbá AnápolisGoiâniaJataí Brasília AlagoinhasBarreirasFeira de SantanaJequiéPaulo AfonsoSalvadorSanto Antônio de JesusVitória da Conquista GurupiPalmas AracajuIndiarobaSocorro ArapiracaMaceió AraripinaArcoverdeBelo JardimBodocóBuíqueCaruaruGuaranhunsGoiana Jaboatão dos GuararapesPesqueiraPetrolinaRecifeSão Lourenço da MataSurubimTriunfo Campina GrandeGuarabiraJoão Pessoa CaicóMossoróNatal CratoFortalezaIguatuJuazeiro do NorteSobral FlorianoOeirasParnaíbaTeresina CaxiasSão Luís CuiabáPoconéPorto CercadoRondonópolis AmapáLaranjal do JaríMacapáMazagão NovoSantana BelémCastanhal Boa Vista Ji-ParanáPorto Velho Rio Branco Manaus

as imagens

A galeria de fotos apresenta os grupos da edição 2017/2018 do Sonora Brasil.
Os participantes do tema  "Na pisada dos cocos” são pessoas de cidades do interior do Brasil, que se expressam através do canto e da dança. As imagens mostram a espontaneidade dos integrantes desses grupos, além de destacar o colorido e o estampado dos tecidos das roupas típicas.
Também é possível ver os tipos, formatos e detalhes dos instrumentos utilizados pelos músicos do tema “Bandas de música: formações e repertórios”.

Veja os catálogos do Sonora Brasil 2017/2018.
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