{"id":850,"date":"2023-06-02T22:11:34","date_gmt":"2023-06-03T01:11:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/sesc-dos-brasis-2\/?page_id=850"},"modified":"2025-06-17T10:47:10","modified_gmt":"2025-06-17T13:47:10","slug":"leitura-facil","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.sesc.com.br\/dosbrasis\/leitura-facil\/","title":{"rendered":"Leitura F\u00e1cil"},"content":{"rendered":"<h4><em><strong>Dos Brasis: arte e pensamento negro<\/strong><\/em> <strong>\u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o do Sesc lan\u00e7ada em 2 de agosto de 2023, no Sesc Belenzinho, em S\u00e3o Paulo\/SP e posteriormente apresentada no Sesc Quitandinha, em Petr\u00f3polis\/RJ. Para chegarmos a este momento houve um intenso trabalho iniciado em 2018.<\/strong><\/h4>\n<h2><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O in\u00edcio<\/h2>\n<p>Antes de se tornar \u201c<em>dos brasis<\/em>\u201d, o projeto que gerou a exposi\u00e7\u00e3o tinha o nome de <u><a href=\"https:\/\/dosbrasis.sesc.com.br\/sobre\/2022-2\/\">Afrobrasilidades<\/a><\/u>, desenvolvido para valorizar a arte, a cultura e as contribui\u00e7\u00f5es sociais de artistas negros e negras ao pa\u00eds. Foi concebido pela equipe respons\u00e1vel pela atividade Artes Visuais, que integra a Ger\u00eancia de Cultura do Departamento Nacional do Sesc \u2013 \u00f3rg\u00e3o indutor de pol\u00edticas e perspectivas de atua\u00e7\u00e3o, que, em conjunto com os Departamentos Regionais do Sesc, \u2013 realizam programa\u00e7\u00f5es em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, cultura, lazer e assist\u00eancia.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do projeto, foram realizados processos formativos para profissionais da <strong>Rede Sesc de Artes Visuais<\/strong>, com o objetivo de incentivar estudos e conversas sobre quest\u00f5es \u00e9tnico-raciais, desde as dimens\u00f5es da visualidade, mas tamb\u00e9m nos aspectos \u00e9tico, social e pol\u00edtico, trazendo reflex\u00f5es sobre a hist\u00f3ria e a cultura brasileiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Lan\u00e7amento e pandemia<\/h2>\n<p>Em 2019, H\u00e9lio Menezes \u2013 curador art\u00edstico, e Igor Sim\u00f5es \u2013 curador educativo <u>foram convidados para participar do projeto<\/u>, com o intuito de dinamizar a\u00e7\u00f5es em conjunto com os profissionais de cultura do Sesc envolvidos na ativa\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s pausa por conta da pandemia da COVID-19, o projeto retomou suas atividades em 2021, de modo remoto, e em 2022 no presencial, com o desenvolvimento de pesquisas pelo territ\u00f3rio brasileiro, sob uma configura\u00e7\u00e3o curatorial <em>outra<\/em>. Igor Sim\u00f5es assumiu o lugar de curador geral; Lorraine Mendes e Marcelo Campos passaram a integrar a equipe como curadores adjuntos; Wesley Chagas, como assistente; e Jordana Braz, na curadoria educativa. <u><a href=\"https:\/\/dosbrasis.sesc.com.br\/exposicao\/dos-brasis-arte-e-pensamento-negro\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Os curadores foram as pessoas respons\u00e1veis<\/span><\/a><\/u><span style=\"font-weight: 400;\"> por organizar e ap<\/span>rofundar as pesquisas, elaborar e desenvolver as ideias apresentadas ao p\u00fablico, selecionar as obras de arte, al\u00e9m de desenvolver propostas de arte educa\u00e7\u00e3o e outros aspectos na cria\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Pesquisa<\/h2>\n<p>As pesquisas presenciais foram realizadas em diversos estados do pa\u00eds, contando com apoio das equipes regionais do Sesc em cada localidade. Tiveram como proposi\u00e7\u00e3o conhecer, expandir e compreender uma parte da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e cultural desses territ\u00f3rios em que eram desenvolvidas, colaborando para a composi\u00e7\u00e3o do nome da exposi\u00e7\u00e3o: <strong><em>Dos Brasis: arte e pensamento negro<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Durante a realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa nos territ\u00f3rios brasileiros, foram desenvolvidas rodas de conversas, palestras, leituras de portf\u00f3lio de artistas, objetivando a cria\u00e7\u00e3o de uma rede de troca e interc\u00e2mbios entre artistas negros e negras, com o intuito de apresentar ao p\u00fablico, mais tarde, a larga e diversa produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica negra brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Resid\u00eancia Pemba<\/h2>\n<p>Um outro ponto marcante, que antecipou a ativa\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o, foi a <u><a href=\"https:\/\/dosbrasis.sesc.com.br\/sobre\/pemba-residencia-preta\/\"><em>Pemba Resid\u00eancia Preta<\/em><\/a><\/u>, um programa de atividades on-line voltado para artistas, pesquisadores e educadores, que obteve 450 inscri\u00e7\u00f5es e selecionou 150 residentes, sob orienta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas de Ariana Nuala, Juliana dos Santos, Rafael Bqueer, Renata Sampaio e Yhuri Cruz. Al\u00e9m desse time, que conduziu os encontros com os residentes, participaram de aulas p\u00fablicas Denise Ferreira da Silva, Kleber Am\u00e2ncio, Renata Bittencourt, Renata Sampaio, Rosana Paulino e Rosane Borges, possibilitando di\u00e1logos com pessoas negras e suas especialidades enquanto artistas, educadores e curadores\/cr\u00edticos do campo das visualidades. O material est\u00e1 dispon\u00edvel para acesso no canal do <u><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@SescBrasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>YouTube do Sesc Brasil<\/strong><\/a><\/u>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a href=\"https:\/\/dosbrasis.sesc.com.br\/exposicao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Exposi\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n<p>A sele\u00e7\u00e3o das pessoas artistas e de seus trabalhos para a exposi\u00e7\u00e3o se deu de maneira atenta aos territ\u00f3rios brasileiros. Participaram artistas de todas as regi\u00f5es do Brasil (capitais e interiores), sendo exclusivamente pessoas negras,\u00a0de diferentes gera\u00e7\u00f5es e idades, homens e mulheres cis e trans.<\/p>\n<p>No intuito de compor um discurso expositivo, a curadoria tomou como base o pensamento social negro brasileiro. Para isso, trouxe para o \u00e2mago da exposi\u00e7\u00e3o as ideias de grandes pensadores, como Beatriz Nascimento, Emanoel Ara\u00fajo, Guerreiro Ramos, L\u00e9lia Gonzales e Luiz Gama, dividindo-a em sete n\u00facleos dial\u00f3gicos intitulados <strong>Romper<\/strong>, <strong>Branco Tema<\/strong>, <strong>Negro Vida<\/strong>, <strong>Amefricanas<\/strong>, <strong>Organiza\u00e7\u00e3o J\u00e1<\/strong>, <strong>Leg\u00edtima Defesa<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Baob\u00e1<\/strong>,\u00a0os quais contaram uma hist\u00f3ria que a hist\u00f3ria ainda n\u00e3o havia contado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a href=\"https:\/\/dosbrasis.sesc.com.br\/nucleos-expositivos\/\">N\u00facleos expositivos<\/a><\/h2>\n<p>O n\u00facleo <strong>Romper<\/strong> tem como ponto de partida o pensamento de Beatriz Nascimento, historiadora e ativista pelos direitos humanos de pessoas negras e de mulheres brasileiras. Re\u00fane artistas que interrogam narrativas hist\u00f3ricas que tentam excluir ou diminuir a participa\u00e7\u00e3o das pessoas negras na constru\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira, na cultura, na economia e nas artes.<\/p>\n<p>O n\u00facleo <strong>Branco Tema<\/strong> refere-se ao termo empregado pelo soci\u00f3logo brasileiro Guerreiro Ramos no seu livro<em> Patologia Social do Branco Brasileiro<\/em>, publicado em 1955, e traz obras que parodiam a categoria \u201cnegro-tema\u201d, cunhada academicamente por muitos anos, questionando a suposta neutralidade da branquitude.<\/p>\n<p><strong>Negro vida<\/strong>, tamb\u00e9m baseado nos conceitos de Guerreiro Ramos, traz a multiplicidade da exist\u00eancia preta, distante das perspectivas unificadoras produzidas por grande parte da intelectualidade branca.<\/p>\n<p><strong>Amefricanas<\/strong> e <strong>Organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1<\/strong> s\u00e3o n\u00facleos pensados a partir das ideias da escritora L\u00e9lia Gonzalez. Amefricanas evidencia o protagonismo das mulheres ativistas em movimentos sociais, ao mesmo tempo que celebra a vida comum e cotidiana.<\/p>\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1<\/strong> apresenta as diferentes maneiras que a popula\u00e7\u00e3o negra encontrou para se organizar e resistir \u00e0s viol\u00eancias da escravid\u00e3o e da colonialidade.<\/p>\n<p><strong>Leg\u00edtima defesa<\/strong> parte de uma frase atribu\u00edda ao escritor e advogado Luiz Gama, que diz: \u201c<em>Todo escravo que mata o senhor age em leg\u00edtima defesa<\/em>\u201d. Gama foi escravizado aos 10 anos de idade e somente aos 17 anos pleiteou sua pr\u00f3pria liberdade, tendo que provar que nasceu livre. Esse n\u00facleo fala de luta, mas n\u00e3o necessariamente sobre viol\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Baob\u00e1<\/strong> tem como refer\u00eancia o artista, gestor cultural e colecionador de arte Emanuel Ara\u00fajo al\u00e9m de outros e outras artistas e obras que devido ao seu alcance e import\u00e2ncia continuam sendo como \u00e1rvores: ramificando, florescendo, frutificando e fincando ra\u00edzes, conforme o texto curatorial da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de uma equipe de curadoria e de educativo composta por pessoas pretas, a quase totalidade dos profissionais contratados para elaborar a exposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m pretos e pretas. Com a abertura no Sesc Belenzinho, em S\u00e3o Paulo\/SP, as pessoas puderam assistir uma exposi\u00e7\u00e3o que rompeu com divis\u00f5es cronol\u00f3gicas e estil\u00edsticas. A curadoria sabiamente trouxe para o espa\u00e7o expositivo uma narrativa que apresenta ao mundo a multiplicidade de produ\u00e7\u00f5es, dinamizadas por linguagens visuais desde a pintura,\u00a0fotografia, escultura,\u00a0instala\u00e7\u00f5es e videoinstala\u00e7\u00f5es, produzidos entre o\u00a0fim do s\u00e9culo XVIII\u00a0at\u00e9 os dias de hoje, no\u00a0s\u00e9culo XXI.\u00a0Ao todo, 26 trabalhos foram comissionados para a exposi\u00e7\u00e3o, ou seja, 26 obras de arte foram criadas especialmente para integrar Dos Brasis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a href=\"https:\/\/dosbrasis.sesc.com.br\/educativo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A\u00e7\u00f5es educativas<\/a><\/h2>\n<p>Para ativa\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo\/SP, Dos Brasis contou com <a href=\"https:\/\/dosbrasis.sesc.com.br\/educativo\/educacao-para-construcao-de-um-novo-mundo\/\"><u>a\u00e7\u00f5es educativas<\/u><\/a> que se desdobraram em um programa p\u00fablico elaborado por <a href=\"https:\/\/dosbrasis.sesc.com.br\/educativo\/ladinidades-amefricanas-como-traco-pedagogico\/\"><u>Jana\u00edna Machado<\/u><\/a>, conduzido pelo pensamento \u00e9tnico cr\u00edtico racial, promovendo visitas mediadas, conversas com artistas, curadores, educadores e demais profissionais negros da cadeia produtiva das artes visuais como elemento das programa\u00e7\u00f5es que aconteceram no per\u00edodo de 2 de agosto de 2023 a 31 de mar\u00e7o de 2024.<\/p>\n<p>Em Petr\u00f3polis\/RJ, a exposi\u00e7\u00e3o esteve em cartaz no per\u00edodo de 3 de maio de 2024 a 9 de mar\u00e7o de 2025, contando com programa educativo desenvolvido por <u><a href=\"https:\/\/dosbrasis.sesc.com.br\/educativo\/dos-brasis-presentes-na-educacao-deste-pais-2\/\">Renata Sampaio<\/a><\/u>. Assim como na montagem em S\u00e3o Paulo, o planejamento e realiza\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o teve a participa\u00e7\u00e3o de diversos profissionais negros. O programa p\u00fablico da mostra desenvolvido pelo Sesc Rio envolveu apresenta\u00e7\u00f5es de artes c\u00eanicas, de m\u00fasica e de literatura, al\u00e9m de conversas com os curadores e exibi\u00e7\u00f5es de filmes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O futuro<\/h2>\n<p>Em termos gerais, <em><strong>Dos Brasis<\/strong><\/em> inaugura um novo percurso de desenvolvimento de pesquisa em artes visuais no Sesc, com a participa\u00e7\u00e3o dos profissionais do Sesc em colabora\u00e7\u00e3o com convidados externos e, especialmente neste projeto, trazendo a efetiva participa\u00e7\u00e3o de pessoas negras artistas e trabalhadores da cultura e suas produ\u00e7\u00f5es e especialidades como protagonistas.<\/p>\n<p><strong><em>Dos Brasis: arte e pensamento negro<\/em><\/strong> proporciona, em conjunto com outras iniciativas de exposi\u00e7\u00f5es negras desenvolvidas nos \u00faltimos anos pelo Sesc no pa\u00eds, um percurso que rompe com o perigo de uma \u00fanica hist\u00f3ria, colocando em evid\u00eancia produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e intelectuais de pessoas negras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos Brasis: arte e pensamento negro \u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o do Sesc lan\u00e7ada em 2 de agosto de 2023, no Sesc Belenzinho, em S\u00e3o Paulo\/SP e posteriormente apresentada no Sesc Quitandinha, em Petr\u00f3polis\/RJ. 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