Temas e Grupos

Em sua 22ª edição, o Sonora Brasil apresenta os temas Líricas Femininas: a presença da mulher na música brasileira e A música dos povos originários do Brasil que serão desenvolvidos no biênio 2019/2020 com a participação de quatro circuitos em cada tema.

 

Líricas Negras
Apresenta repertório de músicas relacionadas às tradições religiosas de matriz africana e obras que remetam aos elementos estéticos da cultura africana, somando vozes de resistência a elementos percussivos.
Mas também traz obras de compositoras negras que exploraram outras abordagens, em contextos que se relacionam com a música de concerto e com a música popular.

Integrantes
Georgia Camara (RJ)
vibrafone e percussão
Vanessa Melo (BA)
voz e clarinete
Rosa Reis (MA)
voz e caixa
Negravat (SP)
voz e percussão

 

Líricas Transcendentes
Trata de repertório relacionado às tradições musicais do meio rural e de composições inspiradas neste universo, considerando o uso da música como meio de comunicação com as divindades, sempre enfatizando o protagonismo da mulher neste contexto, seja como
intérprete, seja como tema da obra. Nesta abordagem, a espiritualidade se sobrepõe à técnica e à estética, fazendo valer o aspecto transcendente da obra.

Integrantes
Déa Trancoso (MG)
voz, cuatro venezolano
e percussão
Ceumar (MG)
voz, violão e percussão
Cátia de França (PB)
voz, violão e percussão


Líricas Históricas
Com uma abordagem cronológica, apresentará repertório que traz à luz a obra e a história de compositoras representantes de várias fases da música brasileira, especialmente a de concerto, muitas delas sem reconhecimento público, apesar de uma produção relevante.

Integrantes
Gabriela Geluda (RJ) voz
Anastácia Rodrigues (PE)
voz, kalimba e pandeirão
Priscilla Ermel (SP)
violão e viola caipira
Vanja Ferreira (RJ) harpa


Líricas Modernas
Aborda repertórios da atualidade, com estética mais próxima da música popular, porém ricos em elementos que os distinguem de obras consagradas nos meios de difusão, valorizando a experimentação e o uso de recursos expressivos inovadores, especialmente na voz.

Integrantes
Lucina (MT)
voz, violão e tambor
Badi Assad (SP)
voz, violão e kalimba
Regina Machado (SP)
voz e violão

 

GRUPO TEKO GUARANI
DO POVO MBYÁ-GUARANI

(PORTO ALEGRE — R S )
O grupo Teko Guarani está localizado na Aldeia Tekoa Anhetenguá na Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, onde vivem 16 famílias Mbyá-Guarani. É um coral infanto-juvenil que tem por característica a força e o brilho vocal. Utilizam o mbaraká (violão) com cinco cordas, cada corda representa uma divindade Mbyá: Tupã, Kuaray, Karaí, Jakairá e Tupã Mirim. O ravé (violino/rabeca) possui três cordas e segundo alguns relatos é um instrumento de invenção indígena, posteriormente aperfeiçoado pelos juruá (não indígenas).
O mbaraká miri (chocalho) e o angu´á pú (tambor) têm funções primordiais na sustentação do andamento e ritmo musicais, além da importância no estabelecimento da conexão com as divindades.

Integrantes
Cacique José Cirilo Pires Morínico
Maria Eugênia Ramos
Sérgio Ramos Morínico
Verá Mirin Nunes Morínico
Célio Brisuela
Jorge Ramos Morínico
Graciela Gonçalves Duarte
Jerá Mirim Duarte Morínico
Jéssica Ramos Lopes
Jéssica Benites Franco
Patricia Ramos Morínico

 

GRUPO NÓG GÃ DO
POVO KAINGANG

( S Ã O L E O P O L D O — R S )
O grupo Nóg gã é composto por indígenas de diversas aldeias Kaingang da região de São Leopoldo no Rio Grande do Sul. Os Kaingangs habitam o Sul e o Sudeste do Brasil há séculos. A população é composta atualmente por, aproximadamente, 30 mil pessoas que vivem em cerca de 30 diferentes áreas nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Através das pinturas corporais, utilizando linhas e formas circulares, é possível identificar quem são os KAMÉ (marcas compridas) e os KAIRÚ (marcas redondas). Esta distinção definirá as formas de relacionamentos e contato entre as duas partes. Durante a apresentação realizada no Sonora Brasil, os Kaingangs utilizarão as lanças de guerra como instrumento percussivo. Em contato ao chão, realizam simbolicamente uma demarcação e embasam ritmicamente as marcas coreográficas.

Integrantes
Nilceu dos Santos Kaingang
Gilson Ferreira Kaingang
Darlei Pedro Kaingang
Alvaro de Paula Kaingang
Jakson de Oliveira Kaingang
Jose Vergueiro Kaingang
Talvane R. de Campos Kaingang

 

GRUPO DZUBUCUÁ
DO POVO KARIRI-XOCÓ

( P O R T O R E A L D O C O L É G I O — A L )
Os Kariri-Xocó vivem na região do baixo São Francisco em Alagoas e, em 2010, somavam cerca de 2000 indivíduos.
A música tradicional dos Kariri-Xocó, o toré é um ritual indígena mágico-espiritual que envolve performance corporal e música. Os torés tradicionais não têm letras e utilizam os buzos (espécie de flauta), maracás de mão e de tornozelos. No repertório, além dos torés, estão os rojões, que já fazem parte da tradição musical deste povo e são um reflexo do trabalho nas fazendas e da dinâmica de trocas culturais ocorridas na região. As letras cantadas em português possibilitam conhecer um pouco da história do povo, falando do cotidiano dos indígenas nas colheitas ou nos dias atuais, ou trazendo sincretismos religiosos e remetendo ao tempo da colonização quando eram obrigados a praticar suas tradições secretamente.

Integrantes
Yachy Koran Kariri-Xocó
Takauã Kariri-Xocó
Ryakonã Kariri-Xocó
Kruyé Kariri-Xocó
Puranã Kariri-Xocó
Wyaconan Kariri-Xocó
Pirakumã Kariri-Xocó
Uitairan Kariri-Xocó
Yrapanan Kariri-Xocó
Yranai Kariri-Xocó

 

GRUPO MEMÓRIA FULNI-Ô
DO POVO FULNI-Ô

( Á G U A S B E L A S — P E )
As músicas tradicionais do povo Fulni-ô são o toré e a cafurna. O Toré é um ritual sagrado, o cântico coletivo sem letra é o único canto que usa instrumentos de sopro junto à percussão e que segundo seus praticantes é o mais antigo dos Fulni-ô. O toré afirma a união e é praticado
em ocasiões especiais. As cafurnas, em yaathe unakesa, são manifestações de sentido múltiplo, pois se referem à dança, à música, aos modos de cantar, à profecia, ao
estilo e tradição e à estética. São cantadas e acompanhadas de maracás de mão e de tornozelo e retratam a realidade e o contexto indígena, tratando de temas que abrangem aspectos como preservação da natureza, reverência aos animais da região e identidade indígena.

Integrantes
X’ Maya Kaká Fulni-ô
Txa Fulni-ô
Txale Fulni-ô
Kafyxtxo Fulni-ô
Fekhya Fulni-ô
Tafhia Fulni-ô


GRUPO BYJYYTY OSOP AKY
DO POVO KARITIANA

( P O R T O V E L H O — R O )
A música tradicional do povo Karitiana é fortemente relacionada ao sagrado. Os anciãos são enfáticos nas orientações sobre a execução dos cânticos de proteção e de aplicação de remédios pelo pajé, que, por exemplo, devem ser cantados sempre da mesma forma e sem
os instrumentos de sopro. A sua festa mais tradicional é o ritual da chicha, bebida feita exclusivamente pelas mulheres, a partir de milho ou mandioca fermentada. A chicha serve para a limpeza do organismo e após intenso consumo da bebida os homens utilizam uma tora de madeira chamada jepyryn pressionada na boca do estômago para provocar o vômito. Na festa da chicha, as mulheres tocam o pilão, os homens dançam e tocam o jewy, espécie de clarinete feito de taquaruçu e o marará.

Integrantes
Pajé Taobina Karitiana
Pitana Karitiana
Pyridna Karitiana
Taogydna Karitiana
Bypan Ywemp Karitiana

 

GRUPO WAGÔH PAKOB
DO POVO PAITER SURUI

(TERRA INDÍGENA SETE DE SETEMBRO — RO)
Constituído por uma população de aproximadamente 1500 pessoas, pertencentes às linhagens clânicas Gãmeb (marimbondo preto), Gãpgir (marimbondo amarelo), Makor (taboca) e Kaban (fruta azeda mirindiba), o povo Paiter Surui vive em Rondônia, na terra indígena Sete
de Setembro, dividindo-se em 27 aldeias localizadas pelas “linhas” onde estão situadas. Os Paiter Surui são conhecidos como um povo cantor que também gosta muito de contar histórias. Além das canções tradicionais relacionadas aos rituais, que relatam narrativas míticas e relembram momentos da história dos Paiter ou que retratam tarefas do cotidiano, os Paiter têm canções atribuídas à criação individual e cantadas somente por seus criadores. Os Paiter utilizam michãngab (maracas de tornozelo) e o wãab (flautas), instrumento de sopro.

Integrantes
Gasodá Surui
Tori Tupari
Luiz Mopilabaten Surui
Leoneide Myde
Paweika Surui
Chicoepab Surui Dias
Narré Surui
Rubens Iamay Surui


G R U P O WI YA E
O grupo Wiyae, que significa canto na língua Tikuna, foi criado especialmente para o projeto Sonora Brasil. É formado por Djuena Tikuna (nascida em Umariaçu, nas “fronteiras”
do Brasil, Peru e Colômbia, Djuena —“a onça que pula no rio”— canta a cultura do seu povo, mantendo viva a sua história), Magda Pucci (cantora, arranjadora, compositora, educadora musical e pesquisadora das músicas de vários povos há 23 anos. Diretora musical do Mawaca,
grupo de São Paulo que recria músicas de diferentes tradições do mundo), Diego Janatã (maranhense que tem viajado por diversas comunidades indígenas, por todo o Brasil, pesquisando e registrando a musicalidade dos povos das florestas e também o som dos tambores das comunidades quilombolas e tradicionais do Maranhão e de outras partes da Amazônia) e Gabriel Levy (arranjador, compositor, educador e produtor musical. É  acordeonista do Mawaca e já atuou em shows e álbuns ao lado de importantes artistas brasileiros dos mais diferentes estilos).
No repertório, além de músicas do povo Tikuna, estão composições próprias e músicas de outros povos indígenas recolhidos em pesquisas, que serão apresentadas a partir de recriações e arranjos artísticos.

Integrantes
Djuena Tikuna (AM)
Magda Pucci (SP)
Diego Janatã (MA)
Gabriel Levy (SP)