Como identificar uma relação de violência de gênero?

Mesmo sem violência física, alguns comportamentos são considerados agressões. Confira abaixo as fases das agressões e o Violentômetro

Atualmente, um dos maiores desafios da sociedade para garantia dos direitos humanos é a violência de gênero. Ainda hoje a percepção sobre o corpo da mulher é de um espaço de agressão, permissão e subalternidade. Mas como identificar se você está em uma relação abusiva?

Mesmo sem violência física, alguns comportamentos são considerados agressões de baixo risco. Se perceber em uma situação dessas é um processo que pode demorar um pouco, afinal, ser vítima é estar em um lugar de dor e silenciamento. Mas identificar e se desvencilhar de um relacionamento abusivo é necessário para o direito das mulheres a uma vida com segurança, liberdade e paz.

Com intuito de apoiar as mulheres e reforçar a importância de falar sobre a violência doméstica, Sesc e Unfpa estão promovendo a campanha “Você não está sozinha”. Com base em estudos e pesquisas, as instituições apresentam o “Violentômetro”, com as fases da violência e o risco de cada etapa: baixo, médio e alto.

Importante destacar que o feminicídio pode ocorrer em qualquer momento das escalas de avaliação. O comportamento violento não necessariamente seguirá uma lógica, e pode sair do baixo risco para o alto em um intervalo de tempo muito curto. Mesmo sem histórico de um comportamento violento durante a relação afetiva, a mulher pode ser vítima de feminicídio por um conjunto de fatores sócio-históricos.

Confira abaixo as etapas:

Baixo risco: quando não há indícios de risco iminente de graves lesões físicas e/ou feminicídio. É neste momento que as mulheres conseguem observar os indícios de que seu companheiro(a) tem expressado uma relação de posse e pertencimento dentro do relacionamento. Isto representa um sinal de alerta importante para que as mulheres se observem no contexto de violência, e consigam - em tempo hábil e com apoio dos poderes estatais - interromper o ciclo da violência.

Este momento deve ser considerado essencial para a prevenção de formas mais agravadas do comportamento violento.

Exemplos: piadas ofensivas, culpar, desqualificar em público, chantagear, mentir, enganar, ignorar, ciúme excessivo, ofender e humilhar, intimidar e ameaçar, proibir e controlar.

Médio risco: pode ser observado como a fase em que a violência física já está instaurada, podendo resultar em lesões graves para as mulheres. Este estágio tem um papel fundamental de apresentar, de forma nítida, elementos que mostrem a urgência de romper com o ciclo da violência; e ainda de convocar os poderes públicos para a necessidade imediata de medidas para proteção das vítimas.

Exemplos: destruição de bens pessoais, brincar de bater, machucar, agredir, beliscar, empurrar, chutar e golpear.

Alto risco: alerta para vida em perigo. Risco iminente de lesões graves e/ou feminicídio. É o

momento em que ações deixam de ser indícios de violência iminente, tornando-se imperioso a ação estatal imediata.

Este é um dos momentos mais delicados, tanto para as mulheres, quanto para os profissionais responsáveis pelas respostas às vítimas. É difícil mensurar o grau de vulnerabilidade psicológica e física das mulheres para que possam, autonomamente, sair do contexto de violência. Para os profissionais, é necessário apoiar deliberações sobre medidas protetivas de urgência, buscar a rede de proteção e encaminhar para autoridades de segurança pública.

Exemplos: ameaçar de morte, forçar relações sexuais, ameaçar com objetos ou armas, mutilar, confinar, prender, matar.

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Esse material faz parte da campanha "Você não está sozinha", uma parceria do Sesc e da UNFPA Brasil no combate a violência de gênero em todo o país.