As Bienais de Música

A história das Bienais de Música Brasileira Contemporânea é marcada pela atuação do compositor Edino Krieger como produtor musical e gestor de importantes políticas culturais públicas. O alcance de sua ação deu uma nova dimensão ao panorama da música brasileira. É possível identificar uma preocupação e compromisso constante na trajetória desse compositor-produtor-crítico musical, cujo maior interesse era a criação musical nacional.


Tão logo reassumiu o Setor Musical da Rádio MEC, Edino realizou no período de 8 a 12 de março de 1971 o I Encontro de Compositores para discutir a divulgação da produção musical brasileira, tanto no país quanto no exterior. Segundo depoimento de Krieger documentado pela Folha de São Paulo em 1971: "Os compositores vão reunir-se no Rio e a Rádio MEC dará passagens e hospedagem aos compositores de outros estados. Um dos maiores objetivos do conclave será a criação da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea e sua filiação à "Société Internationale de Musique Contemporaine".


Neste primeiro encontro participaram alguns dos mais importantes compositores brasileiros, entre eles Guerra-Peixe e Francisco Mignone. O seminário motivou a criação da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea (SBMC), de início presidida por Edino Krieger. Assim que foi empossado, abriu um espaço para a música contemporânea brasileira, promovendo a I Temporada de Verão de Música de Vanguarda, no Teatro Gláucio Gil, contando com a participação do conjunto Ars Contemporânea, sob a regência do compositor Ricardo Tacuchian.


Em sua trajetória, Edino Krieger, coordenou o I e do II Festival de Música da Guanabara, em 1969 e 1970, respectivamente, um marco na evolução da música contemporânea brasileira.


O incentivo à criação musical sempre mereceu especial atenção por parte de Edino Krieger. Segundo ele, a criação musical de qualquer país se apóia em três fatores básicos: O talento criador dos seus compositores; O interesse do mercado de consumo interno e externo, representado pelo público e as organizações musicais; e organização do sistema de apoio da produção, como elo intermediário entre a criação e o consumo.


Os Festivais de Música da Guanabara acabaram se transformando no embrião das Bienais de Música Brasileira Contemporânea — o mais antigo, importante e regular evento no gênero, indo para a 20ª edição em 2013, cujo projeto, de autoria de Edino Krieger, foi descoberto pela Professora Myrian Dauelsberg, que era responsável, em 1975, pela direção da Sala Cecília Meireles. As Bienais acolheram compositores de todas as tendências e gerações, abrindo espaço para talentos jovens e desconhecidos, e assegurando ainda espaço para os compositores já reconhecidos nacional e internacionalmente.


O objetivo das Bienais, segundo a concepção de Edino Krieger — coordenador geral do evento da I até a XIII Bienal —, era montar um vasto painel sonoro das correntes estéticas que atuam no Brasil, promovendo uma amostragem da produção musical brasileira.