Edino Krieger - à guisa de um prelúdio

Ermelinda A. Paz

Edino Krieger nasceu em 17 de março de 1928 na cidade de Brusque, Santa Catarina, onde iniciou os estudos de violino aos sete anos com o seu pai, o compositor e regente Aldo Krieger.


Hans Joachim Koellreutter foi seu principal professor. Estudou com ele harmonia, contraponto, fuga, análise, estética musical e composição. Teve uma formação complementar com Aaron Copland no Berkshire Music Center de Massachussets e, ainda, na Juilliard School of Music e na Henry Street Selttement, nos Estados Unidos. Em Londres, realizou um estágio com Lennox Berkeley. Sua carreira é coroada de prêmios, distinções e homenagens (PAZ, Vol. II, Cap. V, p. 173-176).


Realizou um trabalho sistemático como crítico musical nos jornais Tribuna da Imprensa e Jornal do Brasil produzindo aproximadamente 700 críticas de grande valor documental.  Suas críticas o colocam entre os grandes de seu tempo, ao lado de Andrade Muricy, Ayres de Andrade, Eurico Nogueira França, João Itiberê da Cunha, Ondina Ribeiro Dantas e Renzo Massarani, para citar apenas alguns.


Dentre suas grandes realizações como produtor musical destacamos: os Concursos Corais do Jornal do Brasil — contribuíram sobremaneira para o crescimento do número de corais, bem como para o aumento da produção coral em nível nacional —, o Projeto Memória Musical Brasileira — editou partituras, publicou livros e coleções, abriu concursos monográficos e de interpretação de música brasileira, além de gravar um número significativo de discos recuperados de arquivos fonográficos oficiais e particulares —, mais conhecido como Promemus (PAZ, Vol. II, Anexo IX, p. 247- 263), os Festivais de Música da Guanabara e as Bienais de Música Brasileira Contemporânea (BMBC), indo, em 2013, para a sua 20ª edição. Esse evento, ao longo de suas dezenove ininterruptas edições (de 1975 a 2011), contou com a participação de 412 compositores e um número considerável de primeiras edições mundiais, no Brasil e no Rio de Janeiro e, cuja relevância, foi constatada pelos depoimentos dos compositores participantes. Segundo informações constantes do Relatório de atividades, datado de 2009, do Diretor do Centro de Música da Funarte — musicólogo Flávio Silva —, todas as obras foram gravadas e integram o Banco de Gravações Sonoras, que conserva registros desde a primeira Bienal, de 1975, em um total de 900 títulos.


Do compositor podemos dizer que suas obras figuram nos programas de concerto de orquestras, conjuntos camerísticos, corais e intérpretes solistas, tanto no Brasil quanto no exterior, sendo longa a lista de intérpretes nacionais e internacionais (Consultar op. cit., Vol. II, Anexo VIII, p. 238-246). Segundo Paz (2012, Vol. II, p. 17):


Sua obra aparece referenciada em diversos textos musicológicos, verbetes de enciclopédias e dicionários de música, sendo aindaalguns títulos de sua produção alvo de elogiosas críticas nos mais diversos periódicos do país. Sua obra, apontada como nãomuito extensa em razão da excepcional dedicação à causa pública,não impede o julgamento do perfil do compositor, apontado pormuitos como possuidor de grande equilíbrio formal, além de fino acabamento que lhe é peculiar (PAZ, 2012, v. 2, p. 17).


Para Paz (2012, v. 2, p. 35) "a obra de Edino Krieger é excelente representante das práticas musicais da segunda metade do século 20 e primeira do século 21, tanto no Brasil quanto no exterior". Segundo a autora, o compositor tem assegurado, de maneira inequívoca, um lugar de destaque no panorama musical denossos dias.


Edino concebeu as BMBC e as implementou em 1975 (em parceria com a professora e empresária Myrian Dauelsberg — então diretora da Sala Cecília Meireles), trabalhou em diferentes frentes — como membro da comissão organizadora, de seleçãoe como coordenador — revelando-se como um de seus pilares.


Como gestor das BMBC, sua atividade também se deu de modo ímpar. Alguns depoimentos por nós colhidos evidenciam a grandeza dessa doação em prol da música brasileira. Dentre eles, ressaltamos que João Guilherme Ripper revela que o contato mais frequente com Edino levou-o a apreciar ainda mais o compositor e a figura humana, dono de uma personalidade afável, mas fortemente direcionada aos seus objetivos.


Em 1997 as dificuldades na montagem da BMBC cresceram proporcionalmente, propulsionadas pela burocracia que se coloca sempre na contramão da arte. Ainda, Ripper acrescenta que: "Com a tenacidade e experiência que concretizaram tantos outros projetos, Edino Krieger fez dessa edição da Bienal uma grande celebração da música brasileira." O depoente revela que o evento contou com a presença da maioria dos compositores, transmissão ao vivo pela Rádio MEC e excelente presença de público.