{"id":4204,"date":"2021-01-31T18:29:32","date_gmt":"2021-01-31T21:29:32","guid":{"rendered":"https:\/\/homol-psa.sesc.com.br\/sem-categoria\/animais-ja-encontram-fontes-naturais-de-alimentacao-apos-incendio-na-maior-rppn-do-pais-em-mt\/"},"modified":"2021-01-31T18:29:32","modified_gmt":"2021-01-31T21:29:32","slug":"animais-ja-encontram-fontes-naturais-de-alimentacao-apos-incendio-na-maior-rppn-do-pais-em-mt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sesc.com.br\/sescpantanal\/noticias\/animais-ja-encontram-fontes-naturais-de-alimentacao-apos-incendio-na-maior-rppn-do-pais-em-mt\/","title":{"rendered":"Animais j\u00e1 encontram fontes naturais de alimenta\u00e7\u00e3o ap\u00f3s inc\u00eandio na maior RPPN do pa\u00eds, em MT"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N&#039;<br \/>\nAcuri, canjiqueira, jatob\u00e1, bocaiuva, jenipapo, figueira e marmelada, fontes naturais de alimenta\u00e7\u00e3o de animais como araras, queixadas e o maior mam\u00edfero terrestre da Am\u00e9rica do Sul, a anta, j\u00e1 frutificam na maior Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural do pa\u00eds, a RPPN Sesc Pantanal, localizada em Mato Grosso. No Dia Nacional das RPPNs (31\/1), os primeiros sinais de recupera\u00e7\u00e3o na unidade de conserva\u00e7\u00e3o, que teve 93% da \u00e1rea atingida pelo fogo, deixam pesquisadores otimistas, mas cautelosos diante dos impactos em longo prazo dos inc\u00eandios florestais no bioma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2020, o Laborat\u00f3rio de Aplica\u00e7\u00f5es de Sat\u00e9lites Ambientais (LASA) registrou 4,350 milh\u00f5es de hectares incendiados no Pantanal, ou seja, 30% do bioma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os locais mais severamente atingidos pelo fogo, a grande \u00e1rea com acuris na RPPN surpreendeu e j\u00e1 d\u00e1 seus primeiros frutos, ap\u00f3s quatro meses. A expectativa inicial era que isso acontecesse somente em um ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u0093A \u00e1rea estava cinza e nem sequer sab\u00edamos se os acuris estavam vivos. Ver folhas e v\u00e1rios cachos abrindo foi muito gratificante, pois eles s\u00e3o um importante recurso para a fauna do pantanal. Isso com certeza \u00e9 um sinal da efetividade do combate ao fogo na Reserva. Se o fogo avan\u00e7asse sobre tudo, com a intensidade que foi, muitas morreriam ou ficariam t\u00e3o prejudicadas que n\u00e3o teriam for\u00e7a suficiente para passar pelo processo de frutifica\u00e7\u00e3o, que requer muita energia\u0094, explica a bi\u00f3loga e pesquisadora do Grupo de Estudos em Vida Silvestre (GEVS), Gabriela Schuck.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora os inc\u00eandios tenham alcan\u00e7ado 93% da \u00e1rea de 108 mil hectares da RPPN, o fogo teve intensidades diferentes em toda esta extens\u00e3o, resultado da atua\u00e7\u00e3o da brigada de inc\u00eandio do Sesc Pantanal, existente h\u00e1 20 anos, e dos contrastes acentuados da estrutura do mosaico da paisagem. Foram 50 dias de combate, em locais simult\u00e2neos, o que retardou o avan\u00e7o do fogo, permitindo a fuga de animais para \u00e1reas ainda preservadas ou j\u00e1 atingidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00e7\u00e3o emergencial<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em setembro de 2020 teve in\u00edcio imediato o diagn\u00f3stico do impacto do fogo na fauna da Reserva pelo Sesc Pantanal e o GEVS, formado por pesquisadores do Museu Nacional Rio de Janeiro, Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles levantaram dados detalhados acerca do n\u00famero de carca\u00e7as de animais encontrados em amostras de toda a \u00e1rea da Reserva. Paralelamente, com o apoio da Ampara Silvestre, SOS Pantanal, o grupo \u00c9 o bicho e parte dos pesquisadores, foram iniciadas tamb\u00e9m a\u00e7\u00f5es emerg\u00eancias de apoio aos animais sobreviventes com a distribui\u00e7\u00e3o de alimentos e \u00e1gua em 165 pontos, que tinham cochos instalados e monitorados com armadilhas fotogr\u00e1ficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio das armadilhas, cerca de 300 registros da fauna eram baixados semanalmente. Por estarem debilitados, muitos andaram quil\u00f4metros em busca de \u00e1gua e alimentos e se concentravam pr\u00f3ximos aos pontos instalados pelo Sesc Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa grande concentra\u00e7\u00e3o de animais n\u00e3o foi mais vista no \u00faltimo m\u00eas. Isso demonstra a import\u00e2ncia do suporte emergencial, que foi essencial para que os animais sobreviventes passassem pela fase aguda, na dire\u00e7\u00e3o de retomarem a vida normal gradativamente, entre eles a anta, tamb\u00e9m conhecida como a jardineira das florestas. A queda do n\u00famero de registros pelas c\u00e2meras, que passou a ser em m\u00e9dia de 30 por semana, a redu\u00e7\u00e3o do consumo dos alimentos oferecidos, a identifica\u00e7\u00e3o do reestabelecimento das fontes naturais de alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e1gua, vinda da chuva, contribu\u00edram para o fim da a\u00e7\u00e3o emergencial, com a retirada dos cochos e suspens\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo com a a\u00e7\u00e3o emergencial, que teve mais de 30 toneladas de alimentos distribu\u00eddos, foi alcan\u00e7ado, explica a bi\u00f3loga. \u0093Em setembro, quando chegamos, logo ap\u00f3s o fogo, vimos o comportamento dos bichos ao encontrarem \u00e1gua. Eles n\u00e3o tinham medo da nossa presen\u00e7a e at\u00e9 se arriscavam a beber \u00e1gua no mesmo local que seus predadores. Prolongamos essa a\u00e7\u00e3o para n\u00e3o ter uma interrup\u00e7\u00e3o abrupta, j\u00e1 que a interven\u00e7\u00e3o foi imensa, embora necess\u00e1ria. Toda interven\u00e7\u00e3o numa rede ecol\u00f3gica tem que ser feita de maneira cautelosa e, principalmente, monitorada. Hoje, n\u00e3o avistamos mais nenhum animal debilitado como ocorreu em 2020 e esse \u0091desmame\u0092 foi poss\u00edvel por conta do in\u00edcio das chuvas\u0094, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Transi\u00e7\u00e3o do Pantanal<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crescimento da vegeta\u00e7\u00e3o e o surgimento das frutas, por\u00e9m, n\u00e3o significa que a \u00e1rea recuperou o estado anterior ao fogo, afirma a pesquisadora. \u0093Este \u00e9 um momento de transi\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o da paisagem. Vemos \u00e1gua em todos os lugares e ela \u00e9 um recurso essencial para todas as esp\u00e9cies e para a produ\u00e7\u00e3o de frutos. Ou seja, mantendo a alimenta\u00e7\u00e3o dos animais herb\u00edvoros, mantem-se a alimenta\u00e7\u00e3o dos animais carn\u00edvoros e tudo vai se ajeitando dentro de uma relativa normalidade. Por\u00e9m, n\u00e3o falamos ainda em recupera\u00e7\u00e3o, mas em transforma\u00e7\u00e3o e reestrutura\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. Ainda \u00e9 preciso monitorar como as coisas ser\u00e3o em longo prazo, porque o fato de ver vida animal e vegetal n\u00e3o significa que isso se manter\u00e1 no futuro\u0094, alerta Gabriela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exemplo disso \u00e9 a possibilidade de muitas f\u00eameas de uma mesma esp\u00e9cie terem perecido no inc\u00eandio, o que prejudica a recupera\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, ou ent\u00e3o na grande mortalidade dos animais pequenos que tamb\u00e9m s\u00e3o importantes nos ciclos da natureza. \u0093As coisas n\u00e3o voltam como antes, mas continuam acontecendo, s\u00f3 que de maneira diferente. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante o combate, pois n\u00e3o d\u00e1 para ter um fogo dessa dimens\u00e3o todo ano. Uma hora a natureza n\u00e3o vai aguentar tanto impacto, o que resulta em extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies em determinados lugares\u0094, diz. A vantagem na RPPN, completa Gabriela, \u00e9 o baixo impacto causado por pessoas. \u0093Gra\u00e7as a essas caracter\u00edsticas que a normalidade acontece mais r\u00e1pido, os bichos voltam a se recuperar e a vegeta\u00e7\u00e3o come\u00e7a a aparecer novamente, porque tem essa conserva\u00e7\u00e3o. Se houvesse uma press\u00e3o acontecendo seria outro cen\u00e1rio e n\u00e3o teria tanta frutifica\u00e7\u00e3o e bichos por a\u00ed\u0094, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 isso que as pesquisas realizadas na RPPN Sesc Pantanal, voltadas para a fauna e flora, devem colaborar, especialmente para a tomada de decis\u00f5es em todo o Pantanal, afirma a superintendente do polo socioambiental Sesc Pantanal, Christiane Caetano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u0093Com as a\u00e7\u00f5es de combate ao fogo pela brigada do Sesc Pantanal e o investimento em pesquisas, poderemos dar uma resposta para a sociedade sobre a real propor\u00e7\u00e3o do que foi afetado no bioma. O hist\u00f3rico das pesquisas, realizadas h\u00e1 24 anos na RPPN, colaboram para este momento de transi\u00e7\u00e3o que vive o Pantanal, pois temos dados do antes, estamos levantando o do agora, e podemos projetar os impactos a longo prazo\u0094, declara a superintendente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisas sobre a fauna e a flora<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 duas pesquisas em andamento neste momento realizadas pelo Sesc Pantanal na RPPN. Em parceria com o GEVS, a pesquisa sobre a fauna, com importante apoio do Instituto Curicaca, tem o objetivo de conhecer os impactos dos inc\u00eandios para a vida animal nas diferentes paisagens do Pantanal, representadas no contexto da RPPN. Os resultados finais da pesquisa ser\u00e3o divulgados em artigos cient\u00edficos e em um volume especial da cole\u00e7\u00e3o \u0093Conhecendo o Pantanal\u0094, publicada pelo Departamento Nacional do Sesc. Nos pr\u00f3ximos anos, a recupera\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de algumas esp\u00e9cies-alvo da fauna ser\u00e1 monitorada com o uso de armadilhas fotogr\u00e1ficas e drones.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Referente \u00e0 pesquisa sobre a flora, a RPPN foi contemplada, com recursos do Projeto Estrat\u00e9gias de Conserva\u00e7\u00e3o, Restaura\u00e7\u00e3o e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre), do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Ao todo, ser\u00e3o R$ 552.448,40 revertidos na recupera\u00e7\u00e3o ambiental de 23 hectares do bioma pantaneiro, resultado do projeto de autoria da Mupan \u0096 Mulheres em A\u00e7\u00e3o pelo Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o nome de \u0093Recupera\u00e7\u00e3o de florestas ribeirinhas pantaneiras: beneficiando \u00e1gua, solo, peixes e popula\u00e7\u00f5es do entorno da Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN) Sesc Pantanal\u0094, o projeto \u00e9 uma parceria, fruto de pesquisas e trabalhos de campo desenvolvidos, desde 2018, entre as institui\u00e7\u00f5es: Mupan, Wetlands International Brasil, Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP), Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em \u00c1reas \u00damidas (INAU) e o pr\u00f3prio Sesc Pantanal.&#039;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N&#039; Acuri, canjiqueira, jatob\u00e1, bocaiuva, jenipapo, figueira e marmelada, fontes naturais de alimenta\u00e7\u00e3o de animais como araras, queixadas e o maior mam\u00edfero terrestre da Am\u00e9rica do Sul, a anta, j\u00e1 frutificam na maior Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural do pa\u00eds, a RPPN Sesc Pantanal, localizada em Mato Grosso. 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