{"id":4322,"date":"2021-11-12T16:19:15","date_gmt":"2021-11-12T19:19:15","guid":{"rendered":"https:\/\/homol-psa.sesc.com.br\/sem-categoria\/cop26-areas-umidas-como-principais-agentes-contra-o-aquecimento-do-planeta\/"},"modified":"2021-11-12T16:19:15","modified_gmt":"2021-11-12T19:19:15","slug":"cop26-areas-umidas-como-principais-agentes-contra-o-aquecimento-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sesc.com.br\/sescpantanal\/noticias\/cop26-areas-umidas-como-principais-agentes-contra-o-aquecimento-do-planeta\/","title":{"rendered":"COP26: \u00c1reas \u00damidas como principais agentes contra o aquecimento do planeta"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos cinemas, um local sombrio e hostil para as pessoas. Fora dos roteiros, um ecossistema abundante de vida amea\u00e7ado pela a\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 em meio a essa trama de contradi\u00e7\u00f5es que as \u00e1reas \u00famidas se destacam, no mundo real, como uma das principais protagonistas com o potencial de vencer aquela que, talvez, seja a maior batalha para a manuten\u00e7\u00e3o da nossa esp\u00e9cie: o aquecimento global. Pauta amplamente discutida na COP 26 &#8211; Confer\u00eancia das Partes &#8211; evento da ONU, realizado at\u00e9 sexta-feira (12), em Glasgow, na Esc\u00f3cia.<\/p>\n\n\n\n<p>A data, 12 de novembro, em que \u00e9 celebrado o Dia do Pantanal, \u00e9 por coincid\u00eancia a mesma do encerramento da COP 26, ou seja, um momento prop\u00edcio que nos convida \u00e0 reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia e o futuro das \u00e1reas \u00famidas para a humanidade, considerando que h\u00e1 muitos desafios a serem superados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que se n\u00e3o bastasse a vis\u00e3o distorcida que muitos t\u00eam das \u00e1reas \u00famidas (p\u00e2ntanos, mangues, turfeiras, etc), imagem que \u00e9 potencializada em filmes, com sucesso de bilheteria. Atualmente, a formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas e acordos mundiais levados \u00e0 Confer\u00eancia &#8211; cujo objetivo \u00e9 manter a temperatura do planeta longe dos 2\u00baC &#8211; h\u00e1 um obst\u00e1culo maior a ser superado: o olhar das lideran\u00e7as globais voltados restritamente \u00e0s florestas, como alternativa para frear as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Comportamento que acaba por negligenciar as \u00e1reas \u00famidas, nas quais 40% de todas as esp\u00e9cies de plantas e animais vivem ou se reproduzem, embora elas ocupem apenas 6% da superf\u00edcie da Terra. E essas \u00e1reas tamb\u00e9m armazenam duas vezes mais carbono do que todos os tipos de vegeta\u00e7\u00e3o do planeta, al\u00e9m de serem grandes defensoras contra eventos extremos &#8211; enchentes, secas, ressacas, tsunamis, etc &#8211; que desencadeiam no surgimento dos refugiados do clima.<\/p>\n\n\n\n<p>\u0093A ci\u00eancia demonstra que as \u00e1reas \u00famidas s\u00e3o as melhores neutralizadoras de carbono, que protegem bilh\u00f5es de vidas das tempestades e secas exacerbadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas, que ainda n\u00e3o s\u00e3o centrais nas discuss\u00f5es pol\u00edticas de como lidar com a crise clim\u00e1tica. As \u00e1reas \u00famidas &#8211; incluindo \u00e1guas doces, manguezais e turfeiras &#8211; fornecem uma oportunidade coletiva para o setor privado e p\u00fablico acertar as contas em termos de manter o aquecimento global abaixo de 1,5\u00b0C. Por\u00e9m, elas est\u00e3o sendo perdidas silenciosamente, mais r\u00e1pido do que qualquer outro ecossistema\u0094, alerta Jane Madgwick, CEO da Wetlands International &#8211; uma das principais institui\u00e7\u00f5es parceiras do Pavilh\u00e3o das Turfeiras (Peatlands Pavilion) e do Pavilh\u00e3o da \u00c1gua (Water Pavilion) na COP26.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1reas \u00damidas pra qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>Em todo o globo, as \u00e1reas \u00famidas s\u00e3o tr\u00eas vezes mais devastadas do que as florestas. Da\u00ed a import\u00e2ncia em mobilizar os pa\u00edses na COP para compromissos cont\u00ednuos que incluam investimentos e pol\u00edticas para a manuten\u00e7\u00e3o dos diversos biomas existentes, como destaca Rafaela Nicola, diretora executiva da Wetlands International Brasil, que atua no Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u0093Ecossistemas como as \u00e1reas \u00famidas n\u00e3o v\u00eam recebendo a mesma aten\u00e7\u00e3o das autoridades mundiais dentro das estrat\u00e9gias para controle das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u00c9 como se n\u00e3o estivessem cientes do grau de import\u00e2ncia dessas \u00e1reas para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Em consequ\u00eancia, as \u00e1reas \u00famidas est\u00e3o cada vez mais drenadas, queimadas, degradadas. A intensifica\u00e7\u00e3o desses processos, coloca em risco a oferta de \u00e1gua doce no planeta e vulnerabiliza a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e os sistemas econ\u00f4micos\u0094.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o \u00e9 preciso cruzar o Atl\u00e2ntico para comprovar este cen\u00e1rio. No Brasil, h\u00e1 um exemplo bem alarmante: o Pantanal. Em 2020, o bioma foi destaque na imprensa internacional devido aos inc\u00eandios descontrolados. Um estudo divulgado este ano pelo MapBiomas apontou que o territ\u00f3rio, conhecido como a maior \u00e1rea \u00famida de \u00e1gua doce do planeta, j\u00e1 perdeu 29% de \u00e1gua e campos alagados em 30 anos, quase 1% ao ano. Neste ritmo, se nada for feito, o bioma estar\u00e1 seco em no m\u00e1ximo 70 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerado o pior inc\u00eandio das \u00faltimas d\u00e9cadas, o fogo assolou a maior Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural do Brasil, a RPPN Sesc Pantanal, que tem 108 mil hectares, o equivalente \u00e0 \u00e1rea da cidade do Rio de Janeiro. Deste total, 101 mil hectares, ou seja, 93% da \u00e1rea foi atingida. Conforme dados preliminares da pesquisa que avalia os impactos do fogo da fauna da reserva, do Grupo de Estudos em Vida Silvestre (GEVS), estima-se que s\u00f3 de animais mortos tenham sido 20 mil, entre esp\u00e9cies de grande e m\u00e9dio porte.<\/p>\n\n\n\n<p>\u0093A recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo longo e embora a vegeta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria vinda ap\u00f3s as primeiras chuvas traga a falsa impress\u00e3o de que tudo est\u00e1 se recuperando r\u00e1pido, sabemos que vai levar muito tempo para que o bioma se restabele\u00e7a. Por isso, as a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias para que o desastre vivenciado em 2020 n\u00e3o se repita. O Pantanal \u00e9 resiliente, mas essa resili\u00eancia tem limite e n\u00e3o suporta inc\u00eandios consecutivos\u0094, argumenta a superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Christiane Caetano.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem \u0093bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1\u0094<\/p>\n\n\n\n<p>E, na tentativa de repor essas perdas, institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o somando for\u00e7as (Sesc, Wetlands International, Mupan, CPP e INAU) para recuperar a RPPN por meio do Projeto Aquarela Pantanal. A meta \u00e9 atender 46 hectares da RPPN. Uma a\u00e7\u00e3o considerada in\u00e9dita j\u00e1 que nunca foi preciso uma a\u00e7\u00e3o de reflorestamento no local.<\/p>\n\n\n\n<p>\u0093O Pantanal \u00e9 uma \u00e1rea grande e complexa, por isso a resposta quanto a resili\u00eancia n\u00e3o \u00e9 igual em todo o bioma. Tivemos que analisar as \u00e1reas que tiveram pouco ou nenhum dano para mapear as plantas que pudessem ser doadoras de mudas, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 viveiro no Brasil que dispunham de esp\u00e9cies \u00fanicas do Pantanal\u0094, frisou a pesquisadora C\u00e1tia Nunes, do INAU\/UFMT.<\/p>\n\n\n\n<p>Conjuntura que s\u00f3 refor\u00e7a a necessidade de atingir as metas propostas com os dois pavilh\u00f5es na COP 26: que \u00e9 a de elevar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o papel das \u00e1reas \u00famidas como uma solu\u00e7\u00e3o para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e inclu\u00ed-las nas tratativas do Acordo de Paris. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 mobilizar financiamento para a restaura\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o das \u00e1reas \u00famidas, de fontes p\u00fablicas e privadas e apoiar os pa\u00edses (em desenvolvimento) a atingir seus PADs.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima ter\u00e7a-feira (9), um cons\u00f3rcio de diversas ONGs apresentou um ranking anual de a\u00e7\u00f5es pelo clima, no qual a Dinamarca saiu no topo com 30% da sua energia oriunda de fontes renov\u00e1veis. Do lado oposto, a Austr\u00e1lia ficou com o pior posto, com 92% da fonte energ\u00e9tica vinda de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Outro que n\u00e3o est\u00e1 bem \u00e9 o Brasil que caiu 8 posi\u00e7\u00f5es, ficando em 33\u00ba lugar e recebendo cr\u00edticas pelo desmatamento e falta de pol\u00edticas p\u00fablicas para diminuir as emiss\u00f5es de carbono.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, seguimos como em um filme minutos antes do fim, no qual o desfecho vai depender do posicionamento dos pa\u00edses, ou seja, se manter\u00e3o o mesmo discurso ou ir\u00e3o assumir o protagonismo para alcan\u00e7ar metas l\u00edquidas de zero carbono, com o desenvolvimento sustent\u00e1vel.  Enquanto esse desfecho ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita, as organiza\u00e7\u00f5es seguem com os seus trabalhos na Confer\u00eancia em busca de respostas concretas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos cinemas, um local sombrio e hostil para as pessoas. 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