{"id":4634,"date":"2024-05-16T15:28:12","date_gmt":"2024-05-16T18:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/homol-psa.sesc.com.br\/sem-categoria\/na-era-do-fogo-novos-paradigmas-para-a-gestao-e-manejo-das-unidades-de-conservacao-no-pantanal-mato-grossense\/"},"modified":"2026-04-23T18:30:07","modified_gmt":"2026-04-23T21:30:07","slug":"na-era-do-fogo-novos-paradigmas-para-a-gestao-e-manejo-das-unidades-de-conservacao-no-pantanal-mato-grossense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sesc.com.br\/sescpantanal\/noticias\/na-era-do-fogo-novos-paradigmas-para-a-gestao-e-manejo-das-unidades-de-conservacao-no-pantanal-mato-grossense\/","title":{"rendered":"Na era do fogo: novos paradigmas para a gest\u00e3o e manejo das unidades de conserva\u00e7\u00e3o no Pantanal mato-grossense"},"content":{"rendered":"\n<p>O uso do fogo pela humanidade permitiu grandes saltos na hist\u00f3ria da sua expans\u00e3o pelo planeta. Acelerou a ocupa\u00e7\u00e3o de quase todos os cantos terrestres e est\u00e1 na base do desenvolvimento de per\u00edodos determinantes do nosso modo de existir no mundo. Ao longo de tantos s\u00e9culos, o emprego do fogo \u00e9, at\u00e9 hoje, um aspecto marcante da cultura humana em seus mais diversos arranjos, seja em grupos aut\u00f3ctones, comunidades rurais, ou ainda como ferramenta de ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais a serem destinadas a outros usos a partir da fragmenta\u00e7\u00e3o dos ecossistemas. A diferen\u00e7a \u00e9 que estamos em uma nova era, cujo tra\u00e7o mais categ\u00f3rico \u00e9 a mudan\u00e7a do clima.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa perspectiva, \u00e9 necess\u00e1rio encarar a imperman\u00eancia das culturas e a nossa adaptabilidade para atravessarmos esse novo tempo de outras formas poss\u00edveis. H\u00e1 quem nomeie de Antropoceno, isto \u00e9, um momento hist\u00f3rico resultante de um modo de vida imediatista centrado no ser humano, gerando impacto negativo em escala planet\u00e1ria. E h\u00e1 autores que nomeiam o momento atual em que vivemos de Piroceno, uma perspectiva centrada no fogo, sobre a forma como os humanos continuam a moldar a Terra, como bem define Stephen J. Pyne, cientista e autor de refer\u00eancia na investiga\u00e7\u00e3o sobre o fogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode n\u00e3o parecer, mas diante desse cen\u00e1rio h\u00e1 esperan\u00e7a, porque o fogo, assim como n\u00f3s, humanos, \u00e9 um elemento da natureza e um dos respons\u00e1veis pelo surgimento e propaga\u00e7\u00e3o da vida na Terra, assim, existem caminhos poss\u00edveis para uma rela\u00e7\u00e3o mais positiva entre fogo e humanos. As regi\u00f5es onde temos acompanhado inc\u00eandios de grandes propor\u00e7\u00f5es, como a Austr\u00e1lia, Calif\u00f3rnia, Portugal, Espanha e Sib\u00e9ria, nos contam que nossa forma de estabelecer territ\u00f3rios necessita de uma an\u00e1lise integrada para que o manejo do fogo resulte em vida e n\u00e3o em destrui\u00e7\u00e3o em grande escala. O uso cultural do fogo hoje precisa levar em conta o novo contexto clim\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, o maior inc\u00eandio florestal j\u00e1 registrado na hist\u00f3ria do Brasil, fez do Pantanal, uma das maiores plan\u00edcies alag\u00e1veis do mundo, um imenso conjunto de cicatrizes, onde o fogo varreu extensas \u00e1reas rurais com comunidades, empreendimentos, fazendas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Na maior reserva privada do pa\u00eds, a Reserva Natural Sesc Pantanal, o impacto foi sem precedentes, por\u00e9m, amenizado pelos quase 30 anos de manejo da unidade e pela for\u00e7a desmedida de uma equipe de brigadistas, guarda-parques e demais colaboradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Contextos como estes t\u00eam conduzido outras formas de manejar as paisagens. Historicamente, popula\u00e7\u00f5es mantinham o uso do fogo sob controle para cultivar suas \u00e1reas no ritmo previs\u00edvel das esta\u00e7\u00f5es. Por muitos anos, o uso do fogo foi evitado em \u00e1reas naturais protegidas no mundo todo, considerando seus efeitos nessas \u00e1reas, destinadas a manter ou recuperar paisagens. Por\u00e9m, com os efeitos das mudan\u00e7as no clima cada vez mais acentuados, os quais desencadeiam condi\u00e7\u00f5es mais extremas de escassez h\u00eddrica, se fez imprescind\u00edvel vislumbrar novas perspectivas \u00e0 cultura do uso fogo. Surge ent\u00e3o o manejo integrado do fogo, conhecido pela sigla MIF, uma abordagem de gest\u00e3o dos territ\u00f3rios rurais e de unidades de conserva\u00e7\u00e3o que consiste em uma importante mudan\u00e7a de paradigma.<\/p>\n\n\n\n<p>O pressuposto essencial dessa abordagem \u00e9 a articula\u00e7\u00e3o entre tr\u00eas aspectos desse mesmo elemento: cultura, ecologia e manejo do fogo. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), refer\u00eancia principal do tema no pa\u00eds, o manejo integrado do fogo \u00e9 uma abordagem j\u00e1 consolidada em outros pa\u00edses que considera estes tr\u00eas aspectos de modo interdisciplinar, para propor a\u00e7\u00f5es integradas que visam garantir a conserva\u00e7\u00e3o e o uso sustent\u00e1vel dos ecossistemas e a melhoria da go\u00acvernan\u00e7a sobre o territ\u00f3rio. Neste entendimento, o manejo integrado do fogo, a partir de uma an\u00e1lise do contexto socioambiental, compreende um conjunto de decis\u00f5es t\u00e9cnicas e de a\u00e7\u00f5es articuladas entre si, que buscam: prevenir, detectar, controlar, conter, manipular, usar ou n\u00e3o usar o fogo em uma determinada paisagem, com vistas a atingir metas e alcan\u00e7ar objetivos pr\u00e9-estabelecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Inaugurando esse novo tempo para a gest\u00e3o e manejo das unidades de conserva\u00e7\u00e3o, em especial no contexto do Pantanal mato-grossense, a Reserva Natural Sesc Pantanal assume a fronteira dessa nova abordagem somando a isso o trabalho realizado nos quase 30 anos de sua exist\u00eancia baseado essencialmente no desenvolvimento social. Sendo essa tamb\u00e9m a base fundamental do MIF, a reserva desenvolveu um processo in\u00e9dito de elabora\u00e7\u00e3o de um Plano de Manejo Integrado do Fogo, seguindo os pressupostos do roteiro para elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Manejo Integrado do Fogo das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o Federais do IMCBio, lan\u00e7ado em 2022. Reunindo representantes dos diversos grupos sociais locais, que ocupam as \u00e1reas do entorno da reserva, foram facilitados di\u00e1logos para troca de saberes, experi\u00eancias e percep\u00e7\u00f5es para desenharmos juntos uma nova forma de atuar na terra, tendo o fogo como centralidade do debate em busca dos caminhos para o meio de vida das pessoas que habitam nessa regi\u00e3o do Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esta miss\u00e3o, o Plano de Manejo Integrado do Fogo da RPPN Sesc Pantanal apresenta um percurso poss\u00edvel para as boas pr\u00e1ticas de manejo, n\u00e3o se limitando apenas \u00e0s unidades de conserva\u00e7\u00e3o, mas com caminhos em constru\u00e7\u00e3o que podem inspirar novas abordagens e fazeres, em benef\u00edcio deste que \u00e9 um bioma de import\u00e2ncia mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>*Cristina Cuiab\u00e1lia \u00e9 bi\u00f3loga, doutora em Ci\u00eancia Ambiental e gerente geral do Polo Socioambiental Sesc Pantanal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O uso do fogo pela humanidade permitiu grandes saltos na hist\u00f3ria da sua expans\u00e3o pelo planeta. 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