Início 5 Notícias 5 Sesc Pantanal dá início à criação de RPPN no Cerrado de MT

O Polo Socioambiental Sesc Pantanal deu início à criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural, a RPPN Sesc Serra Azul, com 850 hectares no Cerrado mato-grossense. A área é estratégica por estar às margens das nascentes que deságuam no Pantanal, o que amplia o trabalho de conservação feito no bioma. Quando homologado, o local, que já é habitat de animais em extinção, avistados com câmera trap, e tem dois sítios arqueológicos em cavernas, será aberto para o desenvolvimento de novas pesquisas científicas e atividades de turismo responsável.

A importância destas áreas é celebrada nesta segunda-feira (31 de janeiro), Dia Nacional das RPPNs, que são reservas criadas espontaneamente, por vontade de proprietários de áreas conservadas, que optam por perpetuar, na matrícula do imóvel, a categoria de unidade de conservação de uso sustentável para sempre. A primeira RPPN do Polo Socioambiental foi criada há 25 anos, no Pantanal. Com 108 mil hectares, é a maior RPPN do Brasil e presta à humanidade diversos benefícios, como a purificação das águas, controle das inundações, reposição das águas subterrâneas, controle do fluxo de sedimentos e nutrientes do solo, reservas de biodiversidade e mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Considerado a caixa d’água do Brasil, por abrigar as nascentes de importantes rios brasileiros, que abastecem um total de oito bacias hidrográficas, o Cerrado é o segundo maior bioma do país, com 204 milhões de hectares. É uma das regiões de maior biodiversidade do mundo, com 6 mil espécies de árvores e 800 espécies de aves.

Há 10 anos, o Polo Socioambiental está presente neste bioma, com o Parque Sesc Serra Azul, uma área de conservação de cinco mil hectares, que atua com turismo sustentável, pesquisa científica, educação ambiental e ação social. A criação da RPPN dentro do parque representa um passo definitivo pela conservação do Cerrado, que tem impacto direto no Pantanal.

É o que explica o diretor-geral do Departamento Nacional do Sesc, José Carlos Cirilo. “Após 25 anos de criação da RPPN no Pantanal, damos esse novo passo no Cerrado. A área é de grande importância, pois é onde estão as nascentes do Rio Cuiabá, que abastecem o Pantanal. Com essa nova RPPN, o Sesc passará a ter cinco áreas protegidas em todo o Brasil, sendo esta a primeira no Cerrado. O título de RPPN é vitalício e, portanto, um marco, que demonstra o esforço e investimento do Sesc para cuidar de áreas naturais no Brasil”, ressalta.

RPPN Sesc Serra Azul

A RPPN Sesc Serra Azul é formada por duas áreas que somam 850 hectares, ligadas por um corredor natural, utilizado pelos animais para transitarem entre os locais. Fazem divisa com a RPPN o Rio Cuiabazinho, onde há uma Área de Preservação Permanente (APP), a área de morros que pertence à união e a fazenda Leão.

Os dois sítios arqueológicos da RPPN foram encontrados dentro da Caverna Lapa das Abelhas e da Caverna Raízes, que também estão em processo de homologação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A vegetação da área de conservação reúne um mosaico de paisagens que formam o Cerrado, com áreas mais baixas e úmidas e também mais altas e secas. Quanto à fauna, há registros fotográficos de diversos animais, dois deles presentes na lista de extinção: o cervo-do-pantanal e o cachorro-vinagre. Este último já foi visto em bando com até cinco indivíduos.

De acordo com a superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Christiane Caetano, com a RPPN, a instituição irá avançar no desenvolvimento de novas pesquisas sobre o Cerrado. “Este será um novo espaço de experimentações, onde o conhecimento gerado poderá beneficiar não somente o Cerrado, mas os demais biomas que estão interligados a ele. Uma das frentes de estudo previstas é sobre como se dará a articulação entre a RPPN, o turismo desenvolvido no parque e as outras atividades econômicas presentes na região”, explica.

A RPPN Sesc Serra Azul faz parte do projeto Reservas Privadas do Cerrado (RPC), iniciativa da Fundação Pró-Natureza (Funatura), que criou 50 RPPNs no bioma. Dessas, 18 já foram homologadas e as demais estão no processo. Com o projeto, o objetivo é ampliar a experiência para outros biomas e apoiar a criação de mais reservas naturais pelo Brasil.