Início 5 Notícias 5 Encontro de Pesquisas do Sesc Pantanal promove popularização da ciência em evento com 200 pessoas

Os resultados de 13 pesquisas realizadas nas áreas de conservação do Polo Socioambiental Sesc Pantanal foram apresentados para cerca de 200 pessoas durante o Encontro de Pesquisas “Tecendo Saberes”, em Poconé (MT). Juntas, as três áreas localizadas nos biomas Pantanal e Cerrado somam 118 mil hectares e 170 estudos produzidos, incluindo a descoberta científica de novos animais.

Entre eles está o sapo macho da espécie “Pseudopaludicola motorzinho”, que teve o primeiro registro na Reserva Particular do Patrimônio Natural, a RPPN Sesc Pantanal, localizada no município de Barão de Melgaço (MT). O nome faz referência ao som emitido pelo anfíbio, similar a um motor.

A professora doutora Christine Strüssmann está entre as responsáveis pela descoberta realizada durante a pesquisa sobre herpetologia, ramo da zoologia dedicado ao estudo dos répteis e anfíbios. “É muito bacana descobrir animais novos, além de termos a oportunidade de usar a taxonomia (ramo da ciência que descreve e classifica os organismos) para fazer homenagens ou aproximar o público dos animais”, declara.

Segundo ela, o Encontro de Pesquisas é importante porque as pesquisas precisam ganhar o mundo e se aproximar das pessoas. “A ciência tem que ser útil para quem está fora da universidade, as pessoas têm que ver sentido nisso e nós aprendemos com a sociedade. Esse ramo de estudo não é atrativo para o público geral, e as pessoas matam animais como cobras por desconhecimento, pois herdaram uma informação equivocada. Precisamos desmistificar isso. Das 63 serpentes encontradas na pesquisa do Parque Sesc Serra Azul (unidade do Sesc Pantanal no Cerrado), por exemplo, somente 4 podem causar acidentes”, explica.

De acordo com a gerente-geral do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália, o conhecimento gerado nas universidades, a partir das pesquisas científicas, tem grande utilidade para a sociedade e precisa ser compartilhado. “Essa divulgação, com linguagem simples, para entendimento de todos, é necessária e o Sesc Pantanal tem ampliado seu modo de fazer isso. Além do site da instituição, redes sociais e imprensa, eventos como esse alcançam o público do Pantanal, onde parte das pesquisas apresentadas acontecem. A popularização desses saberes cumpre a missão das pesquisas”, avalia.

O estudante do 3º ano do Ensino Médio, Heitor Oliveira, de 17 anos, estava entre os participantes e disse que pôde conhecer mais sobre o lugar onde vive. “O que me chamou atenção é o fato de tantas pessoas, de diferentes lugares, estudarem o Pantanal”, disse.

Já para Giovana Figueiredo, de 20 anos, integrante do grupo Jovem Beri, iniciativa do Sesc Pantanal que tem como foco o desenvolvimento social por meio de ações formativas, o Encontro foi uma oportunidade para conhecer mais sobre diversos assuntos. “Gosto muito de natureza, moro na zona rural de Poconé e minha infância toda foi rodeada de árvores, pássaros. Não imaginava que tivesse tudo isso de pesquisa acontecendo e gostei de participar”, ressalta.

Principais resultados das pesquisas

As pesquisas ocorrem nas três áreas de conservação do Sesc Pantanal: a RPPN Sesc Pantanal (108 mil hectares), o Parque Sesc Baía das Pedras (5 mil hectares), ambos no Pantanal, e o Parque Sesc Serra Azul (5 mil hectares), localizado no Cerrado mato-grossense.

Entre as pesquisas na RPPN Sesc Pantanal apresentadas está a “Onças-pintadas e pardas em um mosaico de pantanais no Mato Grosso: perspectivas a partir da RPPN Sesc Pantanal e adjacências – Barão de Melgaço e Poconé, MT”. O estudo busca compreender o uso do espaço pelo animal na Reserva e contribuir para a conservação dessa espécie vulnerável à extinção, que possui grande importância ambiental por ocupar o topo da cadeia alimentar e indicar a qualidade dos ambientes. O monitoramento é contínuo, com 165 armadilhas fotográficas instaladas em toda a extensão da reserva, que já capturaram cenas raras como uma onça-pintada amamentando dois filhotes.

No Parque Sesc Baía das Pedras, a pesquisa com jacaré-do-pantanal buscou estudar os possíveis impactos negativos das alterações no ciclo hidrológico do Pantanal sobre tais populações. Utilizando gravadores automatizados com microfones e drones, foram amostradas sete baías em diferentes períodos. Ao todo, foram avistados 1.125 jacarés, sendo o período da seca o que houve mais registros (598 indivíduos), seguido pela enchente (280), vazante (245) e cheia (2), indicando que a sazonalidade afeta a abundância destes indivíduos naquelas baías. A influência das variáveis ambientais sobre a ocupação das baías pelos jacarés ainda será avaliada.

No Parque Sesc Serra Azul, a pesquisa sobre peixes nos ambientes de riacho tem o objetivo de subsidiar ações de conservação e manejo. Durante o estudo, ainda em andamento, já foram encontradas 56 espécies pertencentes a 23 diferentes famílias peixes. Destas, pelo menos 4 espécies são consideradas registros inéditos para a bacia hidrográfica do Alto Paraguai e são espécies não descritas, ou seja, espécies novas para a ciência.