Antes mesmo de o relógio marcar sete da manhã, Poconé (MT) já acordava em movimento. O céu nublado e o ar fresco, raro no dia a dia do mato-grossense, criaram o cenário ideal para a cidade se reunir em torno do esporte. Mais de 700 corredores, entre adultos e crianças, transformaram o asfalto em palco de superação e alegria durante a Etapa Pantanal do Circuito Sesc de Corridas, de 5km, realizada no domingo (9).
Mais do que uma competição, a prova foi um convite à emoção. Teve quem correu pela saúde, quem encarou o desafio em família e quem participou para mostrar que a inclusão também tem seu espaço nas pistas. É o quarto ano consecutivo que participo da corrida do Sesc Pantanal e em todas elas eu pude ser consagrado campeão. É uma gratidão enorme, porque a gente se prepara o ano todo para essa prova. É um evento espetacular, muito bem-organizado e isso estimula a gente, contou o campeão Maike Caique, de Cuiabá.
Entre os destaques também esteve o paulista Amilton Sousa, de Indaiatuba (SP) que descobriu a corrida enquanto se hospedava no Hotel Sesc Porto Cercado. Eu corro há 15 anos e não pensei duas vezes em me inscrever para participar. No Sudeste estamos acostumados a correr em centros urbanos, então foi uma oportunidade única viver uma corrida no Pantanal, destacou.
Histórias de superação emocionaram quem acompanhou a prova. Uma delas foi a de Fabiana Bernardo, de Cuiabá, que correu ao lado da filha Maria Victória, de 13 anos. A menina, que recebeu o diagnóstico de que não voltaria a andar após a descoberta de um câncer no sistema nervoso central, contrariou todas as expectativas. Graças a Deus hoje ela tem a oportunidade de correr, e eu corro com ela. A corrida é mais do que um esporte, é superação, é disciplina e é a certeza de que vai valer a pena cada quilômetro, contou Fabiana.
Outras trajetórias também tocaram o público, como a de Karol Ferraz, de Poconé, que correu conduzindo a cadeira julietti com filho Luís Emanuel, portador de mielomeningocele, A gente fica muito feliz de trazer visibilidade para a questão da acessibilidade e o Sesc Pantanal é um lugar onde a gente se sente acolhido, disse.
As cenas de emoção se repetiram por todo o trajeto, com pais conduzindo filhos em cadeiras adaptadas, idosos completando o percurso com sorriso no rosto e crianças vibrando ao cruzar a linha de chegada. Nós não corremos atrás do pódio, corremos para vencer a depressão, o colesterol, a diabetes e somos alegres e otimistas, resumiu Solange Maria da Costa Cunha, corredora de Cuiabá que participou junto com um grupo de amigas.
Ao final, o público foi convidado a continuar em movimento, dessa vez acompanhando o grupo Siriri Elétrico e de Thiago Maia e banda, que encerraram o evento em clima de celebração.
O Circuito Sesc inspira a comunidade a se movimentar e olhar para o entorno. É bonito ver gente de todas as idades reunidas, respeitando esse lugar e mostrando que o esporte pode ser também uma forma de cuidar do Pantanal, conclui Roney Aparecido Diniz Assis, coordenador de Esporte e Recreação do Sesc Poconé.
O evento é realizado pelo Polo Socioambiental Sesc Pantanal, iniciativa do Sistema CNC, Sesc-Senac, e integra o calendário nacional de corridas do Sesc, além de fazer parte das ações em comemoração ao Dia do Pantanal (12 de novembro), conectando esporte, saúde e sustentabilidade.
