Início 5 Notícias 5 Inspirado nas habitações indígenas, protótipo do Complexo Educacional Sesc Pantanal é destaque na Bienal Internacional de Arquitetura

A 14ª edição da Bienal Internacional de Arquitetura, um dos eventos mais relevantes do setor nas Américas, que acontece entre os dias 18 e 19 de setembro em São Paulo, recebe um protótipo inovador baseado no desenho das habitações indígenas, conceito que inspirou a criação do Complexo Educacional Sesc Pantanal, localizado em Poconé (MT). A escola, que integra o Polo Socioambiental Sesc Pantanal, foi projetada com formato de aldeia indígena, sob assinatura do arquiteto José Afonso Botura Portocarrero, reconhecido internacionalmente por unir identidade cultural e soluções arquitetônicas inovadoras.

O Complexo Educacional Sesc Pantanal, iniciativa do sistema CNC-Sesc-Senac atende cerca de 600 alunos em sua estrutura inspirada nas habitações indígenas. A construção privilegia o aproveitamento da luz natural, ventilação eficiente e materiais como madeira, resultando em maior conforto térmico. A escola já formou mais de 8 mil estudantes, oferecendo educação integral gratuita a mais de 55% dos alunos, por meio do Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG).

Sua arquitetura, agora em evidência na Bienal, foi planejada para promover o aprendizado em contato com a natureza, integrando áreas de conhecimento em um espaço circular e dinâmico que favorece a criatividade e a vivência coletiva.

Para o arquiteto José Portocarrero, ver esse projeto na Bienal reforça o papel transformador da arquitetura. “É muito significativo ver esse desenho, que resgata a história da primeira casa brasileira, circulando em um espaço como a Bienal. Ele mostra como é possível unir simplicidade e sofisticação, tradição e inovação, em uma proposta que pode atender tanto comunidades indígenas quanto situações emergenciais, como moradias temporárias”, afirma. O projeto apresentado contou com a participação do professor de Engenharia Civil Alberto Dalmaso, responsável pelo estudo de cálculo estrutural.

Montado no pavilhão da Oca, o protótipo dialoga diretamente com a temática da Bienal, que este ano discute soluções para os desafios urbanos e ambientais contemporâneos. “Estar aqui significa mostrar para o mundo que soluções inovadoras e sustentáveis podem nascer nas aldeias e inspirar mudanças globais. Este projeto é um exemplo de como a arquitetura pode transformar realidades e apoiar comunidades”, complementa Portocarrero.

De acordo com a diretora do Complexo Escolar Sesc Pantanal, Carla dos Santos, a estrutura da escola representa a missão de integrar educação e sustentabilidade. "Cada detalhe da escola foi pensado para que os alunos tenham contato direto com a natureza, entendam a importância da conservação ambiental e, ao mesmo tempo, tenham condições adequadas para o aprendizado e desenvolvimento pleno. Estamos felizes pelo projeto estar na Bienal como referência e inspiração para, quem sabe, ser replicado em outras locais do Brasil”, destaca.