Pela primeira vez, jovens pantaneiras de Poconé (MT) apresentaram suas experiências locais de transformação social no Festival LABmais – Laboratório Sesc de Artes, Mídias, Tecnologias e Juventudes, realizado no Rio Grande do Sul (RS). O festival que reúne pessoas de todo o Brasil para discutir cultura, tecnologia e transformação social teve como tema Entre corres e conexões: o que sustenta as juventudes?, com o objetivo de abordar os principais desafios enfrentados pelos jovens em diferentes territórios do país.
A programação incluiu oficinas, painéis, apresentações culturais e uma mostra audiovisual, tudo com entrada gratuita. O Festival entra para agenda nacional do Sesc como meio de pensar um futuro com maior participação, colaboração e inserção das juventudes na cadeia produtiva da cultura, como agentes criativos e transformadores de seus territórios, explica Érlei de Araújo, diretor interino de Programas Sociais do Departamento Nacional do Sesc.
Lorena Kauane, 18 anos, e Thalita Cristinny, 19 anos, integrantes do projeto LABmais do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, compartilharam suas vivências no por meio de uma oficina e um painel.
Eu pude mostrar que nossa realidade pode ser transformada por meio da arte e da cultura. Minha oficina trouxe histórias reais e incentivou os participantes a se reconhecerem como protagonista de sua própria narrativa, afirma Lorena. Ela inicia em breve o curso de Serviço Social e atua como voluntária em projetos comunitários de Poconé.
A jovem relata que começou a jornada no Sesc Pantanal aos três anos, no Complexo Educacional Sesc Pantanal. Desde então, esteve envolvida em atividades gratuitas disponibilizadas pelo Polo, como a Orquestra Jovem Sesc Pantanal e o Projeto Jovem Beri. A minha jornada no Sesc Pantanal tem sido de autodesenvolvimento, para ser quem eu sou agora, principalmente na área profissional. Nunca pensei que teria essa coragem para me expor e falei para todos esses jovens, num lugar em que já estive antes como ouvinte, conclui.
Já Thalita Cristinny participou como painelista no encontro Conectados e sobrecarregados: a saúde mental das juventudes, que abordou o impacto da hiper conexão e das redes sociais no bem-estar emocional dos jovens. Para ela, a experiência foi uma oportunidade de compartilhar vivências locais e de dar voz a uma pauta urgente.
A saúde mental ainda é um tema cercado de preconceitos. Levei a realidade da minha cidade e discuti como podemos criar redes de apoio para que jovens, crianças e adultos se sintam acolhidos. Essa participação também foi uma homenagem ao meu avô, que faleceu este ano, e que sempre teve muito orgulho da minha trajetória, compartilha Thalita, estudante de enfermagem, que completa: "No Sesc Pantanal me descobri como pessoa e profissional. E é como sempre falo, a gente sai do Sesc, mas o Sesc não sai da gente, afirma.
Para a analista de Cultura do Sesc Poconé, Cláudia Patrícia de Oliveira, cada jovem que participa do LABmais leva para o mundo a essência do Pantanal e o resultado do trabalho coletivo desenvolvido nas unidades. Ver Lorena e Thalita representando o Estado em um evento nacional é a prova de que estamos no caminho certo.
Festival LABmais
O Festival LABmais reuniu jovens de 17 estados onde o projeto está presente. Além das oficinas e painéis, a programação incluiu apresentações artísticas e uma mostra audiovisual com produções desenvolvidas durante os cursos do LABmais, como filmes e videoclipes. Entre os temas das oficinas tiveram dança K-pop, moda afro coletiva, educação ambiental, videoarte e proteção territorial indígena.
Criado em 2021, o LABmais atua como plataforma educativa e artística, preparando jovens para atuar no mercado cultural por meio da produção de conteúdos como podcasts, filmes, clipes e ensaios fotográficos. No Polo Socioambiental, o projeto é desenvolvido no Sesc Poconé, estimulando o protagonismo juvenil e a valorização da identidade local, por meio de oficinas e vivências gratuitas.
