Fonte: Sesc
Foto: Sesc
O Pantanal Norte será destaque na COP15 — a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres — com a apresentação de um dos mais consolidados modelos de conservação em áreas privadas do país. Realizada em Campo Grande (MS) até 29 de março, a Reserva Particular do Patrimônio Natural, a RPPN Sesc Pantanal, levará à conferência a experiência em pesquisa científica, ecoturismo, gestão territorial e proteção envolvendo as espécies migratórias.
Reconhecida como a maior RPPN do Brasil e como Sítio Ramsar, título internacional concedido a áreas úmidas estratégicas para a biodiversidade, a área será apresentada como um exemplo de conservação integrada em escala regional. A participação ocorre no dia 26 de março, por meio de um painel técnico-científico selecionado entre propostas internacionais, reforçando o papel do Pantanal como território-chave para espécies que dependem de longas rotas migratórias na América do Sul.
Com o tema “Governança Compartilhada no Pantanal: Conservação de Espécies Migratórias em uma RPPN e Sítio Ramsar”, a apresentação destacará pesquisas de longa duração realizadas na reserva, com ênfase em aves migratórias que utilizam o bioma como área de reprodução e descanso. O painel será mediado por Vinicius Almeida, gestor interino do Parque Sesc Serra Azul, uma das áreas naturais do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, e reunirá o ecólogo e gestor da RPPN Sesc Pantanal, Alexandre Enout; a pesquisadora Dra. Suelma Ribeiro Silva, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); e o ornitólogo e coordenador de projeto da Fundação Pró-Natureza (Funatura), Paulo de Tarso Zuquim Antas, referência nacional em estudos sobre avifauna pantaneira.
Para Alexandre Enout, a participação do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac, na COP15 representa o reconhecimento de um trabalho contínuo. “A RPPN Sesc Pantanal foi estruturada para conservação em caráter permanente, aliando proteção territorial, ecoturismo, produção científica e articulação com diferentes atores do território. Esse modelo permite manter o Pantanal como área fundamental para espécies migratórias e para a conservação de ecossistemas e fomenta de forma positiva o ecoturismo na região”, afirma.
Durante a apresentação, Enout destacará como acontece a governança compartilhada, que é um impulsionador das ações de conservação dessas espécies, mantendo o ambiente como um trampolim para a migração e favorece atividades de contemplação dos visitantes que escolhem o Pantanal como destino.
Além do painel, a RPPN Sesc Pantanal também participará do lançamento da Rede Pantaneira pela Coexistência Humano-Onças, iniciativa que reúne diversas instituições voltada à convivência entre comunidades locais e grandes felinos no bioma.
Avifauna Pantaneira
Participante do painel, Paulo Antas tem atuação contínua na RPPN desde 1998 e no Pantanal desde 1979, contribuindo de forma decisiva para consolidar a área como um dos principais polos de produção de conhecimento sobre a avifauna pantaneira. Suas pesquisas aprofundaram o entendimento sobre espécies que utilizam o rio Cuiabá como área de reprodução, com destaque para o corta-águas (Rynchops niger), cuja dinâmica migratória conecta a reserva a diferentes ecossistemas do Cone Sul.
Como destaca o pesquisador, “a proteção das áreas de reprodução na RPPN é fundamental para a manutenção dessas populações ao longo de toda a sua rota migratória”, evidenciando o papel relevante da reserva na conservação de espécies que dependem de ambientes úmidos ao longo de seu ciclo de vida.
A partir de 2018, as pesquisas foram ampliadas em uma articulação institucional entre a Fundação Pró-Natureza (Funatura), o Sesc Pantanal, a Universidade da Flórida (Gainesville) e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), incorporando novas frentes de investigação. Entre elas, destaca-se a análise do papel de aves migratórias como vetores não intencionais de patógenos, como o vírus da gripe aviária, especialmente diante de eventos recentes registrados na América do Sul.
Para 2026, está previsto o aprofundamento desses estudos durante o período reprodutivo, reforçando o compromisso das instituições envolvidas com a produção de conhecimento aplicado à conservação e à saúde ambiental.
A pesquisadora Dra. Suelma Ribeiro Silva, analista ambiental do ICMBio, também integra o painel e deve contribuir com a discussão sobre a gestão de áreas úmidas em escala nacional e internacional, a partir de sua atuação como ponto focal do Brasil para a gestão de Sítios Ramsar. Membro do Painel Técnico-Científico da Convenção de Ramsar (STRP) no período de 2023 a 2025 e representante do ICMBio no Comitê Nacional de Zonas Úmidas, sua participação reforça o debate sobre governança compartilhada e articulação institucional na conservação de espécies migratórias.
RPPN Sesc Pantanal
Localizada em Barão de Melgaço (MT), a RPPN Sesc Pantanal protege uma área que integra cerca de 108 mil hectares e é considerada um dos principais laboratórios naturais para pesquisas no país.
Em três décadas de existência, mais de 500 publicações científicas nacionais e internacionais sobre o Pantanal foram realizadas na área localizada em Barão de Melgaço (MT), que é equivalente a cidade do Rio de Janeiro e representa 2% do Pantanal de Mato Grosso e 1% do Pantanal brasileiro.
Além de RPPN, a área é reconhecida como Sítio Ramsar e integra a Reserva da Biosfera do Pantanal, reforçando sua importância para a conservação de espécies migratórias e dos ecossistemas associados.
Relevância global
A COP15, em vigor desde 1979, reúne atualmente mais de 130 países e estabelece diretrizes para proteção de espécies que cruzam fronteiras ao longo de seus ciclos de vida. Realizada pela primeira vez no Brasil, amplia a visibilidade internacional de biomas como o Pantanal, considerado uma das maiores áreas úmidas contínuas do planeta.
