A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP) 30, realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém (PA), discutiu caminhos para enfrentar a crise climática global, com atenção especial à Amazônia. Mas o encontro também abriu espaço para outros biomas, como o Pantanal, grande conjunto de áreas úmidas que são fundamentais e estratégicas para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Em um dos painéis da Casa Brasil, o Sistema CNCSescSenac apresentou o tema Bem-estar no Sistema Comércio: o papel da promoção da saúde frente às mudanças climáticas. O painel, conduzido pelo diretor-geral do Departamento Nacional do Sesc, José Carlos Cirilo, pela gerente-geral do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália, e pelo gerente do Programa Saúde do Sesc, Victor Coutinho, destacou ações estruturantes voltadas à saúde, à conservação e à adaptação climática, com ênfase nas iniciativas desenvolvidas no Pantanal.
Para Cristina Cuiabália, participar da Conferência reforça o compromisso institucional com a conexão entre preservação ambiental e qualidade de vida. A COP é um espaço de pactuação global. Participar do evento significa apresentar o fazer do Sesc em seus 80 anos de história, sendo 30 dedicados à ação socioambiental, e compartilhar práticas que contribuem para esse esforço coletivo, afirmou.
Ao longo da programação, o Sesc Pantanal também apresentou suas ações integradas nas áreas de conservação ambiental, pesquisa científica, educação, ecoturismo, saúde e cultura, alinhadas ao conceito de Saúde Única, abordagem que reconhece a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental.
O Polo Socioambiental abriga a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Brasil, protegendo cerca de 1% de todo o Pantanal. O dado se torna expressivo diante do fato de que apenas 5% do bioma está inserido em áreas de conservação, públicas ou privadas. Além disso, o Sesc Pantanal mantém ações contínuas de prevenção a incêndios, manejo de áreas naturais e projetos de resiliência climática junto às comunidades locais.
"A discussão sobre o Pantanal é urgente. Estamos falando de um bioma que enfrenta secas e incêndios severos, mas também de um território de oportunidades e soluções replicáveis", enfatiza Cuiabália. Segundo ela, o Pantanal precisa ser reconhecido como área prioritária nessa busca global por respostas à crise climática. "Acreditamos que há saída e que ela passa por estratégias como as que já estamos realizando no bioma, complementa.
Além do painel na Casa Brasil, o Sesc Pantanal também integrou o debate Áreas naturais como estratégia de enfrentamento às mudanças climáticas – Oportunidades e desafios para o setor privado, realizado no Sesc Teatro Casa Isaura Campos. A participação ampliou o diálogo sobre o papel das instituições privadas na manutenção de reservas naturais, na redução de vulnerabilidades climáticas e na promoção do bem-estar em áreas urbanas e rurais.
Ações Concretas
A exemplo das discussões realizadas na COP 30, o Sesc Pantanal apresentou exemplos de soluções já em andamento no território. Entre elas, as ações de segurança hídrica desenvolvidas com comunidades rurais de Poconé (MT), onde períodos de estiagem têm se tornado mais severos.
Em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Polo construiu duas cisternas, com capacidade para 17 mil litros cada, para captação de água da chuva. Essa tecnologia social contribui para a autonomia das comunidades no período da seca. A primeira cisterna, na comunidade Capão de Angico, e a segunda, instalada em 2024 na instituição social Nympho de Paula Correa, hoje atendem crianças, moradores e produtores rurais.
É uma solução simples, eficaz, acessível e que promove autonomia e dignidade. A falta de água impactava consideravelmente o modo de vida das comunidades. Agora, essas comunidades têm uma alternativa viável para enfrentar momentos de insegurança hídrica mesmo em longos períodos de seca, lembra Cuiabália.
Sistema Comércio na COP 30
A programação do Sesc na COP30 integrou a agenda ampliada do Sistema Comércio (CNC, Sesc, Senac, Fecomércio e sindicatos empresariais), que reúne atividades voltadas à cultura amazônica, sustentabilidade, negócios ecoeficientes e segurança alimentar. A iniciativa contemplou painéis sobre justiça climática, áreas verdes, economia circular e inovação social, além de apresentações musicais de artistas paraenses, oficinas, gastronomia regional e ações educativas do Sesc Mesa Brasil na Green Zone.
As atividades ocuparam diversos espaços da instituição, como a Jambu Arena (Sesc Doca), o Sesc Teatro Casa Isaura Campos, o Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso e o Sesc Casa de Artes Cênicas, reforçando o compromisso do Sistema Comércio em promover diálogo, cultura e desenvolvimento sustentável durante a COP30.
