Início 5 Notícias 5 Terceira reunião FIRE-ADAPT termina com grande sucesso no Study Hub no Brasil

Os membros do consórcio FIRE-ADAPT se reuniram pela terceira vez no Brasil, de 11 a 27 de junho. O evento é organizado pelo Núcleo de Estudos do Brasil, formado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e pelo Polo Socioambiental Sesc Pantanal . Os principais objetivos têm sido avançar nas tarefas das áreas especializadas do FIRE-ADAPT e conhecer a ecologia dos biomas brasileiros com diferentes graus de dependência do fogo, as estratégias abrangentes de manejo do fogo do país e a gestão de seus espaços naturais protegidos. O encontro foi realizado em três etapas.

A primeira etapa aconteceu em Brasília, na sede do Centro Nacional de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (Prevfogo), pertencente ao Ibama. As atividades incluíram palestras sobre a estrutura de manejo florestal federal e o manejo abrangente do fogo no Brasil, o papel ecológico do fogo nos biomas brasileiros e seus efeitos sobre a flora, a fauna e as comunidades indígenas. Os participantes também visitaram áreas tratadas por queima controlada no Parque Nacional de Brasília, área protegida a apenas 10 km da cidade.

“O conceito de gestão abrangente do fogo tem muitas incertezas associadas. Nós (IBAMA-Prevfogo) estamos nos aproximando da comunidade acadêmica para podermos ter estudos que nos ajudem a ver como melhorar isso no país, reduzindo grandes incêndios florestais com o menor impacto possível na biodiversidade”, afirma Mariana Senra de Oliveira, Pesquisadora. e Assistente Técnico Interagências do Prevfogo/IBAMA.

Naqueles dias, as áreas FIRE-ADAPT “Conservação da Biodiversidade” ( pacote de trabalho 2, WP2) e “Dinâmica do Carbono” (WP1) facilitaram sessões de trabalho colaborativo destinadas a desenvolver métodos para estudar os efeitos do fogo na biodiversidade e nos fluxos de carbono. As áreas “Serviços (inter)culturais e bem-estar humano” (WP3) e “Modelagem e previsão” (WP4) também tiveram um espaço para discutir o progresso do seu trabalho.

O encontro continuou com a visita ao Cerrado, bioma com queimadas recorrentes que contém um amplo mosaico de composições vegetais, como o cerrado. Os participantes visitaram duas unidades de conservação administradas pelo ICMBio: o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e a Estação Ecológica Serra das Araras (ESEC), onde conheceram suas ações integrais de manejo do fogo de forma teórica e prática, realizando queimadas prescritas para reduzir o risco de grandes incêndios, liderados por brigadas locais.

“A queima prescrita na Chapada dos Guimarães foi muito bem concebida. Ele presumia que o fogo cessaria sozinho ao passar de um tipo de composição vegetal para outro. O planejamento para isso requer um bom entendimento das propriedades de inflamabilidade do combustível e como elas mudam à medida que o fogo se espalha. No final, a área queimada foi exatamente o que se esperava”, descreve Davide Ascoli, colíder do WP1.

Esta etapa teve um forte componente de troca de conhecimentos com brigadistas e membros de comunidades tradicionais sobre sua relação com o fogo, história, cultura e saberes tradicionais, como o uso de plantas do Cerrado para fins terapêuticos. Outro exemplo é uma técnica de ignição em locais de difícil acesso, que consiste no lançamento do arco de um aparelho de bambu que possui em uma das pontas um pedaço de tecido em chamas.

“Este evento foi muito especial para o ICMBio, pois nos permitiu compartilhar com o FIRE-ADAPT nossa abordagem inovadora na gestão de áreas protegidas e parte do nosso trabalho nos últimos 10 anos no manejo integral do fogo, que trouxe resultados muito bons. ”, indica Luiz Gustavo Gonçalves, Analista Ambiental do ICMBio.

Nesta fase, prosseguiram as atividades das áreas especializadas do projeto. Entre eles, uma sessão sobre a mudança na perspectiva social da gestão integral do fogo através de recursos multimédia, liderada pelos WP3 e WP6 (Comunicação e divulgação), e um teste de protocolos de campo para recolha de dados sobre a dinâmica do carbono do fogo nas áreas. onde é realizada a queima prescrita (WP1). Este teste foi realizado nas parcelas que o projeto de pesquisa CerFogo possui na ESEC Serra das Araras para realização de queimadas experimentais.

O encontro terminou no Pantanal, bioma sensível ao fogo, cuja ecologia é marcada pelos ciclos de subida e descida das águas, e que atualmente está sendo afetado por um grande incêndio. Em 2020, sofreu o maior incêndio do Brasil até agora, que queimou mais de quatro milhões de hectares em quase três meses e provocou uma mudança de paradigma em direção ao manejo integral do fogo. A primeira queima prescrita foi realizada em 2022, e seu primeiro Plano Integrado de Gerenciamento de Incêndios foi aprovado no início deste ano.

O Sesc Pantanal promoveu palestras sobre a ecologia desse bioma, a evolução do manejo integral do fogo e a gestão de suas unidades de conservação; saída de campo dentro da Reserva Particular do Patrimônio Natural Sesc Pantanal (RPPN); um workshop experiencial para refletir sobre possíveis futuros do fogo para paisagens através da visualização e da narração de histórias, liderado pelo WP3; e reuniões de encerramento dos trabalhos realizados no Brasil.

“A última etapa do encontro FIRE-ADAPT no Sesc Pantanal envolveu a nossa integração com outras instituições que trabalham no mesmo tema e que possuem outras formas de fazê-lo. Para nós é muito importante entender as oportunidades de colaboração técnica e científica para que possamos avançar no trabalho que estamos fazendo aqui no Brasil, neste bioma zona úmida”, afirma Alexandre Enout, Gerente da RPPN Sesc Pantanal.

O encontro destaca a troca de conhecimentos e experiências entre os participantes, tanto do FIRE-ADAPT quanto externos, e todos os colaboradores envolvidos graças ao IBAMA, ICMBio e Sesc Pantanal, sob diferentes perspectivas: ciências naturais, ciências sociais, gestão, combate e conhecimento tradicional.

“As atividades reforçaram a colaboração entre os órgãos e instituições participantes do projeto e o importante papel do IBAMA e do ICMBio no manejo integral do fogo. Serviram também para uma importante troca de conhecimento entre os diferentes participantes do projeto”, afirma Imma Oliveras, coordenadora científica do FIRE-ADAPT.

“Outro dia, de repente, toda essa avalanche de ideias me veio de conversas que tive, e escrevi por várias horas, fazendo um brainstorming de todas as minhas ideias. Diria que o evento foi muito inspirador, fonte de muitas ideias novas, e que ajuda a ver o mundo e as paisagens de uma forma diferente”, explica Grania Power, investigadora de pré-doutoramento na Universidade de East Anglia.

Nos próximos meses, o France Study Hub começará a se preparar para a quarta reunião do consórcio, que acontecerá no final de janeiro de 2025.