Iniciativa tem como proposta arrecadar recursos para ampliar distribuição de cestas básicas
O Sesc lançou a campanha Mesa Brasil Urgente que tem como proposta formar uma rede de solidariedade com empresas de todo o país para a intensificação das ações de combate à fome. O objetivo é arrecadar recursos financeiros para a aquisição de cestas básicas, que serão distribuídas conforme Índice de Vulnerabilidade Social (IVS), de forma a garantir o atendimento às famílias mais impactadas pelas consequências da pandemia. Além de mobilizar os parceiros para doações emergenciais em dinheiro, a campanha propõe a formação de uma corrente, com cada participante atuando como multiplicador e estimulando a adesão de novas empresas. Pessoas físicas também podem participar do Mesa Brasil Urgente com contribuições de qualquer valor, que podem ser feitas pelo site https://mesabrasilurgente.com.br/.
Dados recentes apontam que 19 milhões de brasileiros passam fome, um cenário que indica a necessidade de reforço em ações solidárias. “Queremos mobilizar as empresas de Norte a Sul do país a participarem deste grande movimento nacional em prol das pessoas mais vulnerabilizadas. São milhões de brasileiros sofrendo com as consequências da pandemia e esta rede de solidariedade que o Mesa Brasil Urgente propõe vai levar não apenas alimentos a estas pessoas, mas também cidadania”, explica Carlos Artexes, diretor-geral do Departamento Nacional do Sesc.
Desde o início da pandemia, no ano passado, o programa Mesa Brasil Sesc viu aumentar os pedidos de instituições sociais em busca de apoio para o atendimento às famílias assistidas. Mesmo diante da situação adversa, o programa vem registrando crescimento nas doações. Nos primeiros cinco meses deste ano, a arrecadação de alimentos chegou a 20 milhões de quilos, volume 15% maior que no mesmo período do ano passado.
A gerente de Assistência do Departamento Nacional do Sesc, Ana Cristina Barros, explica que as empresas buscam redes com credibilidade para garantir que as doações cheguem de fato a quem precisa e da forma a mais rápida possível. “No ano passado, buscamos diversificar e ampliar o número de parcerias com empresas privadas. Passamos a coletar e doar refeições prontas, cestas básicas e a arrecadar recursos financeiros junto a empresas internacionais, nacionais e pessoas físicas, o que antes não estava no foco do programa”, explica.
O Mesa Brasil Sesc atua desde 1994 e mantém, em nível nacional, parcerias permanentes com mais de 50 grandes empresas nacionais e multinacionais de diferentes segmentos, além de entrepostos de hortifruti, propriedades rurais e pequenos comércios. Ao todo, o programa conta com mais de 2.600 parceiros em todo o país e as doações chegam a cerca de 3,4 milhões de pessoas por meio das 6 mil entidades assistenciais cadastradas. Em 2020, foram distribuídos mais de 50 milhões de quilos de alimentos em todo o país. As doações podem ser feitas pelo site: https://mesabrasilurgente.com.br/
Artigo de Christiane Caetano – Superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal
O que a nossa vida tem a ver com as outras coisas vivas? Cada vez mais pessoas entendem que a sobrevivência da humanidade depende da diversidade da natureza e da coexistência em harmonia, um ponto de equilíbrio que ainda estamos distantes de alcançar.
O Brasil tem a maior biodiversidade de fauna e flora do planeta. Isso representa uma riqueza incalculável. Água, comida, remédios, energia e todos os tipos de produtos que consumimos têm sua origem na natureza. Mais do que isso: a solução de tudo o que precisamos está nela. Mas a espécie humana só pode continuar existindo se tivermos ecossistemas saudáveis e fortes que continuem nos proporcionando os mais diversos recursos.
Em Mato Grosso existem três biomas, uma multiplicidade de espécies animais e vegetais e é onde, há mais de 20 anos, o Departamento Nacional do Sesc implantou um polo socioambiental com a criação da maior reserva particular do patrimônio natural do país, a RPPN Sesc Pantanal, que ajuda a conservar uma das mais importantes áreas úmidas do planeta.
É importante que se entenda que conservação não é uma barreira para o desenvolvimento. As unidades como a RPPN, o Parque Sesc Baía das Pedras e o Parque Sesc Serra Azul, todas pertencentes ao Polo Socioambiental Sesc Pantanal, são espaços abertos, acessíveis, que podem e devem ser contemplados, estudados, visitados, porque é do turismo responsável que se dá a sua manutenção.
Nas nossas áreas de conservação, dezenas de animais ameaçados de extinção voltaram a aparecer. Esses registros são a prova da regeneração da biodiversidade nos locais. Se existe alimento, as espécies voltam a ocupar os espaços e reestabelecem o ciclo natural da cadeia alimentar que permite a manutenção do ecossistema. E isso não exclui o ser humano, porque também somos parte da natureza.
Nossas unidades proporcionam experiências que integram as pessoas aos habitats naturais e fazem das vivências uma sensibilização e estímulo a preservação, ao uso racional, ao entendimento da conexão que existe entre todos os seres vivos.
A conservação das múltiplas formas de vida e o enfrentamento aos problemas ambientais do planeta é que deu origem ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Nós, seres humanos, precisamos encontrar um jeito de prosperar e viver em harmonia com a natureza por uma razão bem simples, porque é a única maneira de sobrevivermos.
A minha vida, a sua, a dos animais, das plantas, as florestas e as cidades, tudo está interligado, um influencia o outro, um não existe sem o outro. Quando se trata de meio ambiente e de vida, tudo está conectado.
Departamento Nacional do Sesc conquista certificado Great Place to Work
O Departamento Nacional do Sesc (DN) – instituição que elabora, coordena e monitora os projetos que são desenvolvidos nas unidades do Sesc – conquistou pela segunda vez a certificação do GPTW Brasil (Great Place to Work) como um excelente lugar para se trabalhar. Essa distinção reconhece os pontos fortes da empresa e indica os fracos, para que melhorias possam ser aplicadas. Para conseguir o selo, é preciso participar de uma pesquisa feita diretamente com os funcionários e conseguir uma avaliação de, no mínimo, 70 pontos. Ou seja, em média, ao menos sete em cada dez entrevistados devem ter uma percepção positiva de seu ambiente de trabalho.
A conquista é resultado da pesquisa de clima organizacional 2021, que foi realizada em março. A média alcançada pelo DN este ano foi de 80 pontos, mais alta que a pontuação da edição 2019 da pesquisa (que foi de 73). Houve também aumento no percentual de participação: 79% em 2021 (12% acima do registrado na edição anterior). Esse resultado também superou a média de adesão das empresas de mercado, que fica em torno de 70%, considerando empresas de médio e grande porte.
O engajamento de toda a equipe – funcionários, estagiários e jovens aprendizes da Sede e dos três Polos de referência – é um importante indicador, pois revela a visão dos funcionários a respeito da importância da contribuição individual para viabilizar melhorias no ambiente de trabalho. O DN também tem o certificado GPTW Mulher, estando entre as 35 melhores grandes empresas brasileiras para as mulheres trabalharem.
Sobre o GPTW – O GPTW é uma autoridade global no mundo do trabalho e especialista em auxiliar organizações na jornada de ser um excelente lugar para todos trabalharem. O instituto está presente em mais de 60 países.
Artigo de Luiz Fernando de Moraes Barros – Diretor do Polo Educacional Sesc
Na última edição do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), realizada em 2018, o Brasil se manteve entre os mais frágeis desempenhos globais, cravando sua triste posição entre as 20 últimas no ranking mundial. Em Matemática, por exemplo, 68,1% dos estudantes brasileiros estão entre o pior grau de proficiência, não alcançando sequer o nível básico. Além disso, o levantamento também evidenciou que somos um dos países com maior desigualdade de aprendizagem, dentre todas as 80 nações participantes, tomando por base o distanciamento abissal entre os estudantes de maior e menor condição socioeconômica. Nesse quesito, o Brasil exibe a lamentável 5ª maior desigualdade mundial em Matemática e a 3ª em Leitura e Ciências.
Se os dados coligidos nessa avaliação internacional, executada em 2018, já revelavam acentuada preocupação sobre os rumos da educação brasileira, temos acompanhado agora, no contexto de pandemia, o que já se vislumbra como o agravamento desses mesmos indicadores de aprendizagem, além de uma inevitável ampliação das desigualdades que já eram extremadas. Sem condições semelhantes de estudo, as juventudes brasileiras seguem um caminho ainda mais preocupante e que, por isso mesmo, não poderá prescindir de uma atenção especial, quer do poder público, quer das iniciativas privadas, com o objetivo de reduzir esses desafios e alavancar, qualitativamente, os processos educacionais no país.
Com a pandemia se estendendo por mais de um ano, alunos, educadores e instituições precisaram aprender novas formas de operar as dinâmicas de ensinar e aprender. As aulas expositivas – indiscutivelmente desgastadas na modalidade presencial – passaram a ser ainda mais obsoletas e improdutivas. Nesse sentido, as escolas que já vinham desenvolvendo estratégias híbridas de aprendizagem, principalmente a partir de metodologias ativas, vêm logrando maior êxito no regime remoto imposto pela pandemia.
Na Escola Sesc de Ensino Médio, temos explorado o hibridismo desde pelo menos 2017, entendendo que juventude digital nos impulsiona por caminhos mais criativos e eficientes, do ponto de vista das expectativas de aprendizado e sua conexão com a vida. Nesse sentido, nossos desafios para realizar uma educação remota de qualidade foram atenuados, não somente pelo repertório de práticas já acumulado ou pela estrutura tecnológica desde sempre adotada, mas principalmente pelo empenho de talentosos professores e de estudantes dedicados. Com processos integradores e humanizados, temos conseguido realizar um ensino remoto de alta adesão e intensamente produtivo.
Como escola nacional (com estudantes de todos os estados brasileiros em regime residencial), vivemos – como princípio e identidade institucional – a potência da diversidade brasileira enriquecendo cada momento de aprendizagem. E essa pluralidade, aplicada agora a um contexto pandêmico, possibilita uma leitura crítica do país – suas dificuldades e estratégias – e a conversão dessa mesma leitura em conhecimento.
Mas para garantir o sucesso das ações, precisamos manter a atenção em alguns aspectos essenciais, como garantir tempo de planejamento e formação continuada para os educadores, que passaram a ser também produtores de objetos de aprendizagem online, além de suporte emocional a todos os envolvidos. Cuidar da qualidade técnica das ações, sem negligenciar o cuidado pessoal. Por isso, na Escola Sesc de Ensino Médio, professores e estudantes contam com uma rede de apoio, que contempla desde um currículo voltado à inteligência emocional ao suporte multidisciplinar em saúde física e mental, inclusive no período de férias.
Apesar dos esforços e dos sucessos, é indiscutível que todos nós, na Escola Sesc e nas demais instituições, vivemos momentos desafiadores. Se, por um lado, nos reinventamos em nosso fazer, desenvolvendo ainda mais competências outras como a resiliência, a empatia, a escuta ativa e as habilidades de organização e negociação, por outro, será preciso criar e fortalecer mecanismos que possibilitem a redução dos impactos causados pela pandemia na educação brasileira, sobretudo na rede pública, que também exige reinvenção.
No pós-Covid19, a escola – como locus aberto às mudanças – precisará incorporar algumas experiências vividas, como o uso produtivo dos celulares, as estratégias híbridas de ensinar e aprender, bem como o desenvolvimento – integrado aos currículos – das habilidades socioemocionais como ferramentas para o enfrentamento equilibrado dos novos desafios da vida. Fica, pois, o convite a um amplo pacto educacional, para além de nossas instituições, com vistas ao melhor e mais adequado desenvolvimento da educação brasileira, apoiado na irrefutável justiça social.
— Artigo originalmente publicado no Jornal O Dia em 26/04/2021.
Sustentabilidade como estratégia de gestão
Sustentabilidade hoje é questão chave no mundo organizacional. Atuar de forma sustentável contribui para a preservação ambiental, para o cuidado com as futuras gerações, além de refletir positivamente na economia e na imagem das organizações. No Sesc, o Ecos – Programa de Sustentabilidade cumpre desde 2010 o papel de implementar e acompanhar ações que resultem na otimização de recursos e mitigação dos impactos socioambientais, além de promover junto ao corpo funcional uma cultura de trabalho mais sustentável.
A importância desta atuação ficou comprovada pelos processos de avaliação realizados pelo Departamento Nacional, com o apoio da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), que apontaram o Programa Ecos como um ponto forte dentro das iniciativas de Desenvolvimento Sustentável.
“O resultado da avaliação da FNQ, que mostra o desenvolvimento sustentável como um ponto forte dos eixos potencializadores do desempenho de gestão, é um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo Ecos. Mais do que a economicidade e a melhoria dos processos operacionais, os resultados do programa representam impactos positivos para a sociedade em geral. Isso fica ainda mais claro nestes tempos de pandemia, que nos levam a refletir sobre a importância cada vez maior da conservação dos recursos naturais como caminho para um futuro saudável e promissor”, disse Mario Saladini, da Assessoria de Sustentabilidade do Departamento Nacional do Sesc.
“O Ecos promove o exercício de uma gestão conjunta entre CNC, Sesc e Senac; foi recentemente certificado como tecnologia social e na avaliação da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) demonstrou sua relevância ao ser reconhecido como um como um ponto forte, contribuindo para que no fundamento Desenvolvimento Sustentável tivesse uma evolução de 38,84 % em 2017 para 40,14 % em 2020. Esse é um, dentre tantos, dos bons exemplos que devem nos inspirar na gestão dos projetos que propomos e entregamos para nosso público de interesse ”, disse Daniel Lima, da Gerência de Logística e Patrimônio do Departamento Nacional do Sesc.
O Programa Ecos é desenvolvido por meio de processos que possibilitam o ciclo de eficiência contínua, com análise mensal dos dados, possibilitando o planejamento das ações propostas, correção de eventuais resultados inesperados e melhoria das atividades desenvolvidas. Trabalha com indicadores relacionados à economicidade, buscando redução de despesas e maior eficiência operacional. São indicadores do programa: consumo de água, energia elétrica, copos descartáveis, papel-toalha, folhas de papel A4 e desperdício de alimentos.
Desde seu lançamento até 2019 foram alcançados os seguintes resultados, somente no Departamento Nacional do Sesc:
O Ecos – Programa de Sustentabilidade é certificado como tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil e sua metodologia compõe um banco nacional de iniciativas voltadas a conservação do meio ambiente. Atualmente, o programa está implantado em 19 Departamentos Regionais do Sesc no país, além de sete Federações do Comércio (vinculadas à CNC) e 16 Departamentos Regionais do Senac. Clique aqui para mais informações.
Artigo de Anderson Dalbone – Gerente de Lazer do Departamento Nacional do Sesc
Por que as pessoas viajam? Para que serve o turismo? Viagens podem representar uma fuga da rotina, uma oportunidade para descansar ou até mesmo uma forma de se conectar consigo mesmo ou com a natureza e, sobretudo, aprender. Entretanto, o desenvolvimento da atividade turística ocorre em um cenário de desigualdades sociais, o que costuma privar muitas pessoas de viajar e de exercer o pleno direito à cidadania.
O conceito de turismo social surgiu nas primeiras décadas do século XX com o objetivo de proporcionar férias e lazer ao maior número de pessoas e, mais recentemente, agregou o estímulo ao respeito às diferenças culturais, além de incentivar as viagens daqueles que, pelos mais variados motivos, não fazem parte do perfil de clientes da indústria turística tradicional.
O Comitê Econômico e Social Europeu define o turismo social explicitamente como um direito. Apesar disso e de sua importância para a inclusão social e de seu potencial como instrumento de educação não formal e de promoção da cidadania, trata-se de um conceito ainda pouco conhecido no Brasil e na maior parte do mundo, mesmo após a criação da Organização Internacional de Turismo Social (ISTO), na década de 1960, quando se abriu uma nova perspectiva em relação a essa atividade.
O turismo social evoluiu de um conceito destinado a facilitar o acesso a viagens de férias para camadas da população com menor poder aquisitivo para uma proposta muito mais ampla e holística, com foco em grupos desfavorecidos da sociedade, abrangendo as famílias, jovens, idosos e pessoas com deficiência, e deslocando parte do seu olhar também para as comunidades receptoras e profissionais da área. A nova visão tem como alguns de seus objetivos contribuir para uma transformação social por meio da inclusão, da educação e do desenvolvimento de regiões.
Busca-se, também, integrar a cadeia produtiva do setor a partir de relações pautadas na solidariedade, confiança mútua e compromisso ético, de maneira a promover a distribuição justa da riqueza gerada e estimular serviços turísticos sustentáveis, solidários e socialmente responsáveis para todos, isto é, para turistas, comunidades receptoras, trabalhadores e empresas que atuam nessa atividade de relevância global.
No Brasil, o Sesc é pioneiro e protagonista na realização de turismo social e, desde 1948, é referência no tema para pesquisadores e outras instituições em nível global. Membro da Organização Internacional de Turismo Social, foi o único representante do Brasil incluído na publicação “Turismo em Ação” (ISTO, 2017), que traz vinte exemplos de políticas sociais em turismo ao redor do mundo.
Algumas tendências têm sido apontadas por especialistas para a retomada das atividades turísticas em um cenário pós-pandemia. Dentre elas, podemos destacar o turismo de proximidade (viagens curtas, notadamente rodoviárias) e viagens em grupos menores compostos por familiares, especialmente idosos, grupo que mais sofreu com a necessidade de se manter isolado. Nesse sentido, as atividades que já fazem parte do escopo de trabalho natural das organizações que atuam em turismo social, como o Sesc, apresentam-se como contribuições de primeira hora nesse processo de retomada, pois o turismo doméstico e as famílias – com especial atenção para aquelas de menor poder aquisitivo – formam os pilares de sustentação do turismo social.
A viagem impacta corpo e alma do viajante, este sujeito que, no retorno, pode ser outro, e ver-se transformado por aquela experiência. Em um cenário de forte retração econômica, devido à pandemia da covid-19, o turismo social pode ser um importante vetor de retomada de crescimento, de inclusão e de promoção do bem-estar social para diversos municípios brasileiros.
— Artigo originalmente publicado no Jornal Correio (BA) em 6/1/2021.
Luta contra o fogo na maior Reserva Natural do Brasil vira documentário
O Polo Socioambiental Sesc Pantanal lançou um documentário que relata a luta contra o fogo na maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do país, a RPPN Sesc Pantanal, durante esta que foi a pior temporada das últimas décadas no bioma. O registro histórico traz depoimentos de quem estava na linha de frente do combate, imagens dos animais sobreviventes, além da fauna e flora atingidas pelo fogo nos 98 mil hectares, da área de 108 mil, conservada há 23 anos.
As cenas são impactantes e mostram o caminho da destruição causado pelo fogo, que entrou pela primeira vez este ano na RPPN, no dia 2 de agosto. Foram várias frentes de incêndio, combatidas simultaneamente ao longo de 50 dias e um intenso trabalho dos brigadistas do polo Socioambiental Sesc Pantanal, que somaram esforços a Operação Pantanal II, formada pelas Forças Armadas, Bombeiros de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Ibama e ICMBio.
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Embora o fogo tenha alcançado 91% da unidade de conservação, localizada em Barão de Melgaço (MT), muita vida foi preservada. Em meio às imagens de carcaças e bichos feridos vistos em todo o Pantanal, as cenas dos animais vivos e saudáveis chamam a atenção para o trabalho da brigada Sesc Pantanal. Existente há 20 anos, ela retardou o avanço dos incêndios, dando tempo de fuga para os animais migrarem para áreas ainda não queimadas ou já atingidas há dias.
De acordo com a superintendente do Sesc Pantanal, Christiane Caetano, o documentário de 20 minutos é um registro histórico de um fato inédito na RPPN Sesc Pantanal e o seu lançamento no Dia do Pantanal é um marco na temporada do fogo em 2020. “As primeiras chuvas e o verde que surgem apagam momentaneamente as marcas do fogo, que são muito profundas e têm impactos que vão durar anos. Não queremos que tudo o que houve seja esquecido e, principalmente, o objetivo deste registro é ser um alerta para o que não queremos viver novamente. Para isso, é preciso união, estratégia e ação para os próximos anos”, destaca.
Imediatamente, após o fim dos incêndios na unidade de conservação, teve início o levantamento de dados com pesquisadores de diversas partes do país. A partir de pesquisas desenvolvidas ao longo de 20 anos será possível realizar um comparativo com o atual momento, para encontrar soluções que beneficiem todo o Pantanal, seja para a recuperação da flora, reestabelecimento da fauna e atendimento às comunidades afetadas por este evento.
Pesquisador da RPPN Sesc Pantanal há 20 anos, o biólogo da Fiocruz, José Luís Cordeiro, que faz parte do documentário, acompanhou várias transformações que a região sofreu, como o aumento das populações animais (anta, cervo-do-pantanal, queixadas e catetos), a recuperação da paisagem para uma condição mais próxima da paisagem pantaneira original, com a implantação da Unidade de Conservação, e a redução do impacto humano, bem como a regeneração da vegetação após queimadas, secas ou cheias severas. Mas, nunca havia visto nada com tamanha capacidade destrutiva como neste ano. “Todos que respeitam a vida, e em especial o Pantanal, tem uma longa jornada pela frente, no suporte à recuperação da biodiversidade do Pantanal”, avalia.
Nada foi igual nas últimas décadas, em relação à seca, baixa umidade, altas temperaturas e fogo, na maior área alagável do planeta e Patrimônio Natural da Humanidade, ressalta o diretor-geral do Departamento Nacional do Sesc, Carlos Artexes, e, apesar de todos os esforços, a RPPN Sesc Pantanal foi muito atingida. “Diante disso, seguimos nossa missão de conservar e estudar essa importante área, que representa 2% do bioma em Mato Grosso. O que aconteceu jamais será esquecido, deixa diversos aprendizados e a certeza de que o Sesc Pantanal sempre estará cuidando de gente, planta e bicho”, conclui.
RPPN Sesc Pantanal
A criação da RPPN Sesc Pantanal se deu após a Eco-92, como iniciativa do Sesc Nacional, em desenvolver um projeto de conservação no Pantanal. Em duas décadas de existência, mais de 70 pesquisas nacionais e internacionais sobre o Pantanal foram realizadas. Da abundante biodiversidade da Bacia do Alto Paraguai, com 1.059 espécies de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, a Reserva detém 630. Isso significa que 60% destas espécies estão presentes na RPPN.
Entre as espécies ameaçadas de extinção, a RPPN possui 12. Além de ser a maior RPPN do país, a reserva do Sesc Pantanal ainda é Zona Núcleo da Reserva da Biosfera do Pantanal, faz parte da terceira maior Reserva da Biosfera do planeta e é um Sítio Ramsar. Entre os benefícios que a RPPN presta à humanidade estão a purificação das águas, controle das inundações, reposição das águas subterrâneas, controle do fluxo de sedimentos e nutrientes do solo, reservas de biodiversidade e mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Saiba mais em www.sescpantanal.com.br.