No Mês das Mulheres, o CineSesc traz ao público o clássico “A Hora da Estrela”, com a trajetória de Macabéa – uma mulher invisibilizada, mas repleta de existência.
Lançado originalmente em 1985, o filme dirigido por Suzana Amaral foi restaurado e remasterizado e, atualmente, é distribuído pela Vitrine Filmes. A adaptação da obra de Clarice Lispector para as grandes telas escancara as dores e silêncios de tantas mulheres, ao mesmo tempo que nos faz refletir: o que significa ter voz em um mundo que não nos escuta?
As 44 sessões de “A Hora da Estrela” são gratuitas e acontecem em unidades do Sesc nos seguintes estados (confira no final da matéria o dia e local das sessões):
📍 Rio de Janeiro 📍 Espírito Santo 📍 Acre 📍 Alagoas 📍 Pernambuco 📍 São Paulo 📍 Tocantins
“A Hora da Estrela” problematiza, de forma explícita, a questão da pobreza e da marginalização das classes sociais oprimidas, configuradas na personagem central, Macabéa.
Órfã, ela muda-se para São Paulo, uma “cidade toda feita contra ela”, emprega-se como datilógrafa e se apaixona por Olimpio de Jesus – que logo a trai com sua colega de trabalho.
Criada por uma de nossas maiores escritoras, Clarice Lispector, recebeu adaptação para o cinema à altura, pela talentosa diretora Suzana Amaral. A obra “A Hora da Estrela” teve grande repercussão no Brasil e no exterior, não apenas ao nível da crítica, como do público em geral.
Além dos inúmeros prêmios recebidos em festivais, entre eles o Urso de Prata do Festival de Berlim de melhor atriz para Marcélia Cartaxo, a diretora foi agraciada pela Presidência da República e pelo Itamaraty com a medalha da Ordem do Rio Branco. No Brasil, o filme ganhou todos os principais prêmios do festival de Brasília de 1985, entre outros prêmios de melhor atriz, direção, fotografia e montagem.
O Prêmio Sesc de Literatura, um dos mais importantes e consagrados do país voltado a escritores inéditos, está com inscrições abertas até 10 de março de 2025. Podem ser inscritos originais ainda não publicados nas categorias Romance, Conto e Poesia. Os vencedores têm seus livros publicados pela Editora Senac Rio e recebem uma premiação em dinheiro no valor de R$30 mil cada. Também serão concedidas menções honrosas aos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo finalistas na premiação. Interessados podem se inscrever gratuitamente pelo site www.sesc.com.br/premiosesc.
“A expectativa pelo Prêmio Sesc de Literatura costuma ser grande, tanto para escritores quanto para o público leitor. Ao abrir espaço para novos autores, estamos proporcionando a renovação do cenário literário brasileiro e incentivando a formação de mais escritores. No ano passado, com a inclusão da categoria Poesia, registramos quase o dobro do número de inscrições, o que demonstra o potencial da produção literária nacional”, constatou a Diretora de Programas Sociais do Departamento Nacional do Sesc, Janaina Cunha.
Os trabalhos inscritos são analisados por comissões julgadoras de diferentes regiões do país, compostas por renomados escritores, jornalistas e críticos literários. O processo de avaliação tem como base o anonimato tanto dos autores quanto do júri, garantindo a lisura do projeto e a liberdade de análise das comissões julgadoras, que fazem a seleção pelo mérito literário, com soberania sobre a decisão final.
O resultado, que este ano também contemplará os finalistas, será divulgado em agosto e os vencedores vão ser apresentados ao público em uma cerimônia com noite de autógrafos no fim do ano. Após a publicação, os livros serão distribuídos na rede de bibliotecas e escolas do Sesc, em todas as regiões do país. Os escritores participarão, ainda, de bate-papos e mesas redondas em eventos culturais promovidos pelo Sesc ao longo de 2026.
A Premiação
Criado em 2003, o Prêmio Sesc de Literatura já recebeu cerca de 22 mil originais e revelou ao mercado editorial 40 novos autores. Em 2024, os vencedores foram Ricardo Mauricio Gonzaga (ES), com o romance “Bololô: gaiola vazia”; Patrícia Lima (SP), com a coletânea de contos “A glória dos corpos menores”; e Antonio Veloso Maia (RJ), com o livro de poesias “Contra a parede”.
Jovens de diversas partes do continente participam da edição de 2025 do evento, que é um dos principais festivais de música de concerto da América Latina.
Mais de 350 jovens músicos viajam a Pelotas para os cursos de especialização musical do 13º Festival Internacional Sesc de Música, que ocorre de 20 a 31 de janeiro. São dias em que a música invade o Sul do estado em um intercâmbio cultural com representantes de todas as regiões do Brasil e de diferentes países da América Latina que irão aprimorar suas técnicas com professores reconhecidos mundialmente. Eles ainda terão a oportunidade de encantar o público com apresentações em variados espaços da cidade.
Entre bolsistas selecionados e alunos das Orquestras Jovens do Sesc pelo País, eles representam os estados de Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. Há alunos vindos exterior, da Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Porto Rico e Uruguai; e, entre os gaúchos, das cidades de Alvorada, Bento Gonçalves, Cachoeirinha, Capão do Leão, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Farroupilha, Guaíba, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Rio Grande, Santa Maria, São Leopoldo e Viamão.
No eixo educativo do evento, estão classes de especialização musical em violino, viola, violoncelo, contrabaixo, harpa, flauta, oboé, clarinete, fagote, trompa, trompete, trombone tenor e baixo, tuba, saxofone, eufônio, percussão, canto lírico, piano, composição e choro. Elas serão conduzidas por professores convidados de diversas nacionalidades, como Itália, Rússia, Bulgária, Argentina, Alemanha, Romênia e diferentes partes do Brasil.
Reconhecido como um dos principais eventos de música de concerto da América Latina, o 13º Festival Internacional Sesc de Música é uma realização do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac. Além dos cursos, o evento conta com uma agenda de dezenas de apresentações artísticas que ocorrem em diferentes espaços de Pelotas. A programação completa já está disponível no site www.sesc-rs.com.br/festival.
Os três livros vencedores das categorias de Romance, Conto e Poesia do Prêmio Sesc de Literatura 2024 foram lançados no Rio de Janeiro, nessa terça-feira, 03.12, em noite de autógrafos na unidade da instituição em Copacabana. Durante o evento, os escritores Ricardo Mauricio Gonzaga (ES), do romance “Bololô: gaiola vazia”; Patricia Lima (SP) do livro de contos “A glória dos corpos menores”; e Antonio Veloso Maia (RJ), da obra de poesia “Contra a parede”, enalteceram a importância do Prêmio e sua tradição de lançar novos autores garantindo visibilidade para as obras por meio da forte estrutura e da tradição do Sesc.
“O maior prazer de quem escreve é ser publicado para ser lido. A literatura brasileira vive um grande momento e o diferencial do Prêmio Sesc é abrir uma janela relevante aos novos autores”, agradeceu Ricardo Mauricio Gonzaga a uma plateia que lotou o Sesc Copacabana. Sobre sua obra, ele explica que “Bololô” tem um pé no realismo mágico ao mesmo tempo em que mostra os mistérios da mata, da natureza. “Meu processo de criação foi intenso, com a narrativa se apossando de mim durante madrugadas inteiras. Espero que esse processo tome vocês também”, completou.
A escritora Patrícia Lima lembrou que vencer a premiação era um sonho antigo em função da estrutura da premiação. “Já participei de muitos eventos literários aqui no Sesc e espero que o meu livro possa, por meio da narrativa de um mundo específico e íntimo, agora lançado ao público, alcançar os leitores dos mais diversos universos”.
Já o escritor Antonio Veloso Maia foi representado pela filha e enviou uma mensagem de otimismo para com a literatura. “É uma aventura estar com o livro aqui. Ver o Prêmio Sesc alcançando a maioridade, com 21 anos, não é pouca coisa. Não é pouca coisa revelar a literatura de pessoas de todo país”.
As três obras foram escolhidas entre 2.731 inscritas e publicados pela editora Senac Rio, com tiragem inicial de 2 mil exemplares para cada categoria e estão disponíveis em livrarias físicas e online. Os autores receberam ainda um prêmio no valor de R$ 30 mil.
“O Prêmio Sesc de Literatura já se consagrou no cenário nacional e internacional e tem levado os autores a vencerem outras premiações, ampliando a projeção desses escritores brasileiros no mercado literário. Assim, vamos ajudando a descortinar e a apresentar ao mercado, ao setor e aos leitores uma nova geração muito forte e muito potente da nossa escrita”, comemora Janaina Cunha, diretora de Programas Sociais do Departamento Nacional do Sesc.
Menção Honrosa
Durante o evento, também receberam Menção Honrosa os livros de trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo finalistas das três categorias. O escritor Matheus Rodrigues, autor do romance “1 copo de sal”, recebeu a homenagem em nome do grupo, que inclui também Oly Cesar Wolf (PR) com o romance Inventário da parede; Mônica Karine da Silva SP), com o livro de contos Onde se pede a carne; e Ruan Gabriel Belo da Silva (PE) com o livro de poesias Codorna.
“Eu sou rato de Sesc, como costumo brincar. Eu faço academia, escrevo, fiz vários cursos. Então é muito bom e muito emocionante. Estou amando fazer parte disso tudo”, celebrou Matheus.
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Criado com o objetivo de ajudar na retomada do setor cultural gaúcho, que sofreu com as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, o projeto Circula Sesc – Artistas Gaúchos pelo Brasil vem proporcionando mais do que o aquecimento da economia no estado. A iniciativa representa um recomeçar para vários grupos artísticos, que perderam acervos e equipamentos.
O projeto teve início no dia 17 de outubro, em Pernambuco, e até o fim do ano marcará presença em 30 cidades de 18 estados. A programação do Circula Sesc foi montada a partir de uma convocação voltada, exclusivamente, para artistas de municípios que decretaram calamidade pública em razão das enchentes. Cada projeto contemplado realiza três apresentações, com cachê e todos os custos de hospedagem, alimentação e transporte mantidos pelo Sesc.
Confira algumas histórias de grupos que estão reconstruindo suas vidas e suas trajetórias profissionais com o apoio do Circula Sesc.
O espaço da Ói Nóis Aqui Traveiz, que funciona como escola de teatro, local de ensaio, de criação e de guarda do acervo, foi construído ao longo dos 46 anos. Infelizmente, durante as enchentes, nosso espaço passou três semanas debaixo de água. Figurinos, adereços objetos, fotografias e instrumentos musicais foram perdidos. Esse acervo nos fez pioneiros e referência para o teatro popular e o tetro de rua do país.
Passada a enchente, começamos a tentar recuperar parte dos materiais, como os instrumentos musicais de metal. O mais dramático, no entanto, foi o estado em que ficou o nosso teatro, que servia também como espaço para apresentação de outros grupos e formação de novos artistas.
Com o Circula Sesc, pudemos recomeçar e ir até Pernambuco para três apresentações com a peça “Manifesto de uma mulher de teatro”. Em cada um dos encontros, falei com o público sobre a importância desse projeto, que abriu a possibilidade de voltarmos a trabalhar e nos recolocar no palco. Foi a sensação de um respiro e de estarmos vivos novamente para a arte. O Circula Sesc, junto com o Palco Giratório, são oportunidades de intercâmbio para que os artistas possam apresentar seu trabalho em diferentes regiões. Precisamos de mais projetos como esses!
As enchentes comprometeram a rotina pessoal e profissional dos artistas gaúchos. Um dos nossos colegas do grupo chegou a perder todos os pertences durante as enchentes e precisou procurar outro lugar para morar. No prédio de três pavimentos onde moro, as águas chegaram até o segundo andar. Minha família foi resgatada por barco, após quatro dias ilhada, e chegou a ficar 30 dias num abrigo local. Apesar das perdas materiais e da estrutura do grupo ter ficado em uma região “seca” durante as enchentes, a programação de espetáculos em comemoração aos 20 anos da companhia foi abruptamente interrompida.
Antes das chuvas, estávamos supercontentes, porque havíamos conseguido montar uma agenda bem bacana para esse ano com os nossos cinco espetáculos de repertório. Porém, com as enchentes, tudo foi cancelado. Por mais que sejamos dinâmicos e tenhamos espetáculos para todos os espaços, está sendo duro retomar a rotina de apresentações.
Por isso, a mobilização pela solidariedade para minimizar os impactos da tragédia foi fundamental para nós, artistas. A ajuda chegou de muitas frentes. Veio da comunidade, de entidades civis e de classe, além do poder público e do Sesc Canoas, que acolheu um número gigantesco de pessoas com alimentação, banho e doações. Além disso, articulou apresentações com os artistas locais nos abrigos e agora, com o Circula Sesc, o TIA subirá ao palco em várias cidades do Brasil.
Paulo Martins Fontes, diretor artístico e ator-bonequeiro da Cia Gente Falante – Teatro de Bonecos – Porto Alegre
A sede da nossa Cia Gente Falante – Teatro de Bonecos foi inundada pelas enchentes. Apesar dos inúmeros transtornos, conseguimos salvar objetos de cena e bonecos de trabalho, transferidos para o segundo andar ou para locais menos afetados do Centro Histórico. O espaço destinado ao ateliê, que funciona há 15 anos como núcleo de formação de atores-bonequeiros, produção e ensaio, não teve a mesma sorte. No momento, estamos tentando recuperar a área, gradativamente.
Para nós, o projeto Circula-Sesc – Artistas Gaúchos pelo Brasil é como um abraço na classe artística. Esse abraço das unidades Sesc é fundamental para nos mantermos ativos e cumprindo a nossa missão. Somos cientes dessa grandiosa atitude para com a classe artística gaúcha, que se recuperará desse dano com lembranças muito luminosas desses braços brasileiríssimos estendidos para nós!
Com o circuito do espetáculo Maria Peçonha, esperamos contribuir com um alerta à sociedade para os riscos das mudanças climáticas. O nosso espetáculo personifica as forças da natureza. Se a respeitamos, flores; se a exaurimos, teremos desertificação e suas consequências. No encalço da Maria, vamos plantando flores e esperamos que as novas gerações aprendam esse plantio respeitoso.
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Por Janaina Cunha, diretora de Programas Sociais do Departamento Nacional do Sesc
O Brasil é um país de grande diversidade cultural, fruto da convivência de várias etnias e seus legados históricos. E se por um lado a cultura nos provê de entretenimento e preservação de memórias, por outro representa emprego, renda e desenvolvimento social. Estudos apontam que a economia criativa contribui com 3,11% do PIB brasileiro e gera com suas atividades cerca de 7,5 milhões de empregos. Trata-se de uma área de grande relevância, sendo fundamental o desenvolvimento de políticas públicas que estimulem os setores criativos.
No caso de calamidades, faz-se ainda mais premente o apoio não apenas do Estado, como também da iniciativa privada. Desde o início da tragédia do Sul do país, o Sistema Comércio se mobilizou de forma a auxiliar as famílias que ficaram desabrigadas, levando não apenas alimentos e produtos de primeira necessidade, como também acolhimento e esperança de dias melhores.
Passado esse momento mais difícil, novamente nos mobilizamos para colaborar agora com a retomada do setor cultural gaúcho. Lançamos o projeto Circula Sesc – Artistas Gaúchos pelo Brasil, que proporcionará a circulação de grupos artísticos do Rio Grande do Sul por todas as regiões do país. Foram 72 produções selecionadas por meio de uma convocatória pública, nas áreas de artes cênicas, música e literatura.
Nosso objetivo principal é abrir espaço para receber o trabalho de profissionais que tiveram grandes perdas materiais e ainda hoje sofrem com as consequências das enchentes em suas cidades, como a suspensão de espetáculos e a falta de perspectivas para novos trabalhos. Contribuímos dessa forma não só com a cadeia produtiva da área de cultura local, como também para a valorização desses artistas e difusão da produção nacional.
Uma missão que o Sesc abraça e cumpre com excelência há quase oito décadas.