O Pantanal, uma das maiores planícies alagáveis do planeta, vive um tempo de desafios. As mudanças climáticas, os períodos de seca mais prolongados e a alteração no regime das águas têm intensificado o risco de incêndios florestais. Nesse cenário, o Polo Socioambiental Sesc Pantanal exerce um papel essencial: proteger, educar e integrar esforços para garantir a conservação do bioma e o bem-estar das populações que vivem em seu entorno.
Com três áreas naturais que somam 117 mil hectares (a Reserva Particular do Patrimônio Natural Sesc Pantanal, o Parque Sesc Baía das Pedras e o Parque Sesc Serra Azul), o Sesc Pantanal mantém uma estrutura permanente de prevenção e resposta a incêndios, com brigadistas pantaneiros capacitados, equipamentos modernos e parcerias técnicas com órgãos como o ICMBio, o Ibama, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado.
A Brigada de Incêndio Sesc Pantanal é reconhecida pela robustez e excelência técnica. Formada anualmente em parceria com o ICMBio, a equipe passa por treinamentos teóricos e práticos sobre comportamento do fogo, segurança em campo, técnicas de combate direto e indireto, uso de equipamentos e primeiros socorros. O treinamento é realizado nas próprias áreas de atuação, permitindo que os profissionais compreendam o relevo, o clima e a vegetação locais. Durante a estiagem, os brigadistas atuam em regime de prontidão, distribuídos entre as três unidades de conservação. A operação conta com veículos 4×4, quadriciclos, barcos, caminhões-pipa, pás-carregadeiras, sopradores, motosserras e equipamentos de proteção individual. O Sesc também ampliou o período de contratação dos brigadistas temporários e reforçou a equipe com profissionais especializados em georreferenciamento e operação de máquinas.
A prevenção é tão importante quanto o combate. Por isso, o Sesc Pantanal investe em sistemas de monitoramento por câmeras de alta resolução e inteligência artificial, que operam 24 horas por dia, identificando os primeiros sinais de fumaça e acionando as brigadas em tempo real. Alimentadas por energia solar e conectadas via rede de transmissão adaptada às condições do bioma, as câmeras analisam imagens pixel a pixel, reconhecendo padrões de cor e movimento associados à fumaça ou ao calor.
O sistema cruza as informações com dados meteorológicos e históricos de incêndios, permitindo a triangulação dos pontos de calor e reduzindo o tempo de resposta. Além desta tecnologia, a Brigada Sesc Pantanal também utiliza plataformas FIRMS, da NASA, e BDQueimadas, do INPE, garantindo o monitoramento constante e a construção de um banco de dados que orienta as ações preventivas. Essas estratégias têm dado resultados concretos: segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o estado de Mato Grosso registrou, em agosto de 2025, 2.322 focos de calor — o menor número da série histórica e uma redução de 75% em relação à média dos últimos 27 anos.
O Sesc Pantanal baseia suas ações no Manejo Integrado do Fogo (MIF), que une ciência, manejo técnico e o conhecimento tradicional pantaneiro para reduzir riscos e impactos ambientais. Dentro da RPPN Sesc Pantanal, essas estratégias são sistematizadas no Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) da RPPN Sesc Pantanal, desenvolvido em parceria com o Prevfogo/Ibama, a Sema-MT e instituições de pesquisa. A água também é parte desse manejo: a reserva conta com 41 tanques mapeados e dois poços tubulares profundos, que abastecem as operações de combate e ajudam a manter a fauna durante a seca, com uso controlado para garantir a sustentabilidade do aquífero.
A conservação é um esforço coletivo. O Sesc mantém parcerias com comunidades tradicionais, povos indígenas e proprietários rurais, promovendo aceiros, combate conjunto e formação de brigadistas locais. Essa relação gera renda, valoriza o saber pantaneiro e acelera o alerta a focos de incêndio. Essas ações se estendem, também, na área da educação ambiental, com palestras, rodas de conversa e oficinas que formam multiplicadores do cuidado com o bioma, e à articulação institucional, com participação em comitês e salas de situação do governo de Mato Grosso, fortalecendo decisões conjuntas.
Mesmo com a redução dos incêndios em 2025, o desafio permanece. O Sesc Pantanal segue ampliando sua capacidade de resposta e investindo em tecnologia, ciência e cooperação. Há quase três décadas, o trabalho do Polo Socioambiental Sesc Pantanal mostra que cuidar da natureza é cuidar da vida: um compromisso que une pessoas, comunidades e o futuro desse ecossistema.
Com ações do Sesc e Senac, o Sistema Comércio transforma a COP30 em vitrine global de sustentabilidade, inclusão e parcerias que fortalecem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
A COP30 não foi apenas um marco ambiental, mas uma vitrine internacional para mostrar como o Sistema Comércio atua de forma integrada nos pilares do ESG, especialmente no social, por meio do Sesc e do Senac. Essa presença reforçou que as instituições são referência em práticas que unem qualificação profissional, bem-estar social e desenvolvimento sustentável, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
“Estamos falando de uma atuação singular que une qualificação para o trabalho, bem-estar social e desenvolvimento econômico. É um exemplo de como a iniciativa privada pode atuar pelo bem público, com eficiência e impacto real na vida das pessoas”, afirma José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.
ODS NA PRÁTICA
O Sesc e o Senac têm ações diretamente conectadas aos ODS, como Educação de Qualidade (ODS 4), Redução das Desigualdades (ODS 10), Trabalho Decente e Crescimento Econômico (ODS 8) e Consumo e Produção Responsáveis (ODS 12). Na COP30, isso se traduziu em oficinas educativas, debates sobre economia verde, apresentações culturais e soluções para turismo sustentável. O Sesc trouxe experiências que valorizam a economia criativa amazônica, saberes tradicionais e práticas culturais que fortalecem comunidades locais.
PARCERIAS INSTITUCIONAIS E IMPACTO SOCIAL
Outro destaque foi a mobilização social. Na Jambu Arena, coração da programação cultural do Sistema Comércio na COP30, a entrada se deu por meio da doação do 1 quilo de alimento não-perecível para o Programa Sesc Mesa Brasil, maior rede privada de bancos de alimentos da América Latina. Foram arrecadadas mais de 7 toneladas de alimentos durante a COP30. “Estamos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O futuro começa agora, e o Sistema Comércio está comprometido com uma agenda sustentável consistente”, afirma o Presidente
A Jambu Arena é uma parceria com o Sistema Transporte e essas ações reforçam o compromisso do Sistema Comércio com ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) e ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação), mostrando que a atuação vai além do discurso: é prática concreta que transforma realidades.
COP30 COMO VITRINE
A participação na COP30 projetou o trabalho do Sistema Comércio para o mundo, mostrando que o futuro começa agora e que a agenda sustentável é prioridade. Com espaços como a Jambu Arena (Sesc Doca), o Hub de Negócios Sustentáveis (Sesc Ver-o-Peso), a Green e Blue Zone e a Casa Brasil, o Sistema apresentou soluções inovadoras e promoveram diálogo entre setores público e privado.
“A atuação na COP30 mostrou a força e a sinergia do Sistema Comércio e reforçou nosso compromisso com a sustentabilidade, a inclusão social e o desenvolvimento do país. É assim que queremos construir o futuro: com diálogo, inovação e responsabilidade”, afirma Tadros.
80 ANOS
Comemorar a história das instituições é também projetar o futuro. Às vésperas de celebrar oito décadas de algumas das suas mais importantes instituições de desenvolvimento social e econômico: a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e seus vetores de desenvolvimento social, Sesc e Senac não ficam para traz das mudanças e estão atentas às demandas sociais. “Vivemos um tempo de profundas transformações tecnológicas e sociais. Mais do que acompanhar tendências, precisamos agir e criar caminhos capazes de moldar uma realidade mais inclusiva, digital e próspera para todos”, enfatiza Tadros.
Com essa visão, o Sistema Comércio reafirma seu papel como exemplo do Brasil que dá certo, fortalecendo redes de cooperação e garantindo que cultura, educação e sustentabilidade caminhem juntas.
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Presente em mais de 2 mil municípios, por meio de 623 unidades fixas e 145 unidades móveis, o Sesc oferece atividades e serviços nas áreas de Educação, Saúde, Cultura, Lazer e Assistência, com foco na melhoria da qualidade de vida da população – norteado por questões de desenvolvimento sustentável.
A instituição traduz as metas globais da Agenda 2030 em práticas concretas, que impactam diretamente milhões de brasileiros. A partir de seus programas e iniciativas, o Sesc contribui com cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Em suas ações, o Sesc ajuda, por exemplo, a: reduzir a pobreza, proteger as áreas naturais, impulsionar a educação de qualidade, evidenciar a saúde da mulher, viabilizar a universalização da cultura, dignificar o respeito e a diversidade, propiciar o lazer de todas as formas, promover a eficiência no uso dos recursos e mitigar o desperdício de alimentos.
Para a instituição, é essencial que as iniciativas de todas as suas áreas estejam alinhadas aos princípios do desenvolvimento sustentável, integrando de forma estratégica os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Dessa forma, os projetos executados fortalecem a sustentabilidade promovendo impactos positivos nos territórios e contribuindo para a construção de um futuro mais justo e resiliente.
O Departamento Nacional do Sesc é signatário da Rede Brasil do Pacto Global da ONU desde 2019 e vem ampliando a agenda dos ODS. Essa unidade é o órgão executivo da Administração Nacional do Sesc. Ela elabora, coordena e monitora os projetos desenvolvidos nas unidades do Sesc, em suas diversas áreas de atuação, por todo o país.
Em 2022, o Departamento Nacional iniciou um trabalho de alinhamento de projetos aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável com seus Polos de Referência e os Departamentos Regionais do Sesc. A prática permitiu avaliar a atuação em prol da agenda e monitorar iniciativas quanto ao alcance de objetivos, metas e indicadores sociais em prol dos ODS
Atualmente, 110 projetos foram alinhados. Também aconteceu a capacitação de 264 profissionais com base no guia internacional SDG Compass, foi o ponto de partida para fortalecer a cultura dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na instituição. Esses profissionais tornaram-se multiplicadores do tema em suas unidades e comunidades, em vários estados do país, contribuindo diretamente para a consolidação de práticas sustentáveis. Como resultado desse movimento, 110 projetos foram alinhados aos ODS, promovendo ações integradas ao desenvolvimento sustentável. Além disso, foram realizados esforços para avaliar impactos sociais — positivos e negativos —, mapear indicadores, aprimorar metas e difundir a cultura dos ODS em rede, fortalecendo o compromisso institucional com a transformação dos territórios.
Com uma atuação ampla e articulada, o Sesc demonstra que os ODS não são apenas um compromisso formal, mas parte de sua prática diária. Em cada frente, a instituição reafirma que qualidade de vida, cidadania e sustentabilidade caminham juntas, transformando territórios e fortalecendo o Brasil no cumprimento da Agenda 2030.
A agenda do Sistema Comércio começa nesta quinta-feira (6) e reúne atrações musicais regionais, experiências gastronômicas, oficinas e debates que conectam cultura, meio ambiente e desenvolvimento sustentável
O Sesc preparou uma ampla programação para a COP30 em vários pontos de Belém (PA), com atividades gratuitas que celebram a cultura amazônica, a sustentabilidade, os negócios e o protagonismo das comunidades locais. As atividades acontecem entre 6 e 27 de novembro na Jambu Arena (Sesc Doca), no Sesc Teatro Casa Isaura Campos, no Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso e no Sesc Casa de Artes Cênicas. A iniciativa é fruto de uma ação do Sistema Comércio, composto pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Fecomércio, Sesc, Senac e Sindicatos Empresariais.
Para ter acesso às atividades do Sistema Comércio é preciso retirar o ingresso na plataforma EventMaster. Haverá também doação voluntária do público presente para o Sesc Mesa Brasil, programa de combate à fome e ao desperdício de alimentos, que pode ser realizada via doação de alimentos e/ou por Pix.
Mostrando a força da música paraense, a cantora Fafá de Belém se apresenta no primeiro dia da Conferência, dia 10/11, às 19h. Outros nomes consagrados do Pará como Dona Onete, Fruta Quente, Manoel Cordeiro, Reggae Town e Lia Sophia também se apresentarão, valorizando os ritmos e expressões culturais da região amazônica. Essa iniciativa parte de uma parceria entre o Sistema Comércio com o Sistema Transporte.
No âmbito dos negócios sustentáveis, o Hub de Negócios Sustentáveis transformará o Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso em um verdadeiro polo de troca de experiências, reunindo empresários, empreendedores, investidores e parceiros estratégicos em torno de soluções ecoeficientes e práticas inovadoras. A Casa do Empresário foi pensada para mostrar soluções reais e aplicáveis aos negócios, abordando temas como Eficiência Energética e Inovação, Gestão de Resíduos e Economia Circular, Justiça Climática e ESG. As atividades ocorrerão todas as quartas-feiras, até o dia 21 de novembro.
O público também poderá acompanhar discussões sobre clima e desenvolvimento, com foco nos impactos das mudanças climáticas e nas estratégias para a construção de um futuro mais equilibrado e resiliente.
Os painéis abordarão temas como “Cultura, Clima e ODS — Impactos e Caminhos Sustentáveis para o Futuro”, “Áreas Verdes como Estratégia de Enfrentamento às Mudanças Climáticas – Oportunidades e Desafios para o Setor Privado”, “Diálogos Brasil, África do Sul e Quênia sobre Transição Justa e Reflorestamento” e “Do Desperdício à Resiliência: Enfrentando a Perda e o Desperdício de Alimentos para Promover a Ação Climática e a Segurança Alimentar”Os visitantes também poderão participar do Espaço Beleza Ancestral, voltado ao cuidado integral e à valorização das práticas tradicionais. No espaço, haverá oficina de automaquiagem, tranças e pintural corporal indígena, práticas integrativas e de relaxamento; jogos e outras atividades.
Na área de gastronomia, haverá uma experiência voltada para os sabores regionais. O Coletivo das Tacacazeiras levará pratos típicos do Pará e da culinária amazônica ao público, como o tacacá, arroz paraense, varuçoba e vataçoba. Também haverá degustação de bebidas autorais com ingredientes da região, como cupuaçu.
Em meio às dezenas de atrações, o programa Sesc Mesa Brasil vai reforçar a importância da segurança alimentar e do combate ao desperdício de alimentos, com ações educativas e de mobilização social. O programa foi selecionado para participar da Green Zone da COP30 com a apresentação de um painel com o tema “Da fome ao clima: o papel do banco de alimentos na redução do desperdício e seus impactos na ação climática sustentável”. Além disso, haverá a Ocupação Sesc Mesa Brasil, com a Aula Show “Aproveitamento Integral de Alimentos”, com Jane Glébia; e o lançamento do livro digital “Floresta na Mesa – Cozinha sem Desperdício”.
“A presença do Sesc na COP30 reflete o compromisso histórico do Sistema Comércio com a promoção da cultura e da sustentabilidade. Queremos oferecer experiências que sensibilizem o público para os desafios ambientais, ao mesmo tempo em que valorizamos o patrimônio cultural e os saberes das comunidades amazônicas. Nossa programação busca alcançar tanto quem frequenta o Sesc como empresários que contribuem para o Sistema Comércio, porque essa é uma pauta de toda a sociedade.”, destaca José Carlos Cirilo, Diretor-Geral do Departamento Nacional do Sesc.
A programação inclui ainda oficinas diversas, exposições, atividades literárias, sessões de cinema, contação de histórias e espetáculos teatrais, proporcionando uma imersão nas diversas linguagens artísticas e nos saberes tradicionais da Amazônia para toda a família.
Outro ponto de destaque será a Feira de Economia Criativa, com exposição e comercialização de produtos de empreendedores locais em frente ao Sesc Doca, valorizando o trabalho de empreendedores que transformam a biodiversidade amazônica em arte, design e produtos sustentáveis.
Com essa programação, o Sistema Comércio reafirma seu papel como agente de transformação social, promovendo o diálogo entre arte, conhecimento e desenvolvimento sustentável em um dos eventos mais importantes do planeta.
A programação completa pode ser consultada aqui.
Há 35 anos, o Brasil deu um relevante passo na proteção de sua biodiversidade ao possibilitar a criação de reservas particulares do patrimônio natural (RPPN). Uma importante ferramenta de conservação do meio ambiente que permite a preservação de espécies da fauna e da flora nativas da região em que estão inseridas. Desde a publicação do decreto que oficializa a medida, em janeiro de 1990, já foram criadas mais de 1,5 mil unidades de conservação em todo o país.
Em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecida como ECO-92, realizada no Rio de Janeiro, tornou oficial a aplicação do conceito de desenvolvimento sustentável e deixou clara a relação de dependência dos seres humanos com a natureza. Foi um evento de grande relevância para a sociedade e colocou na pauta de muitas instituições a causa socioambiental.
O Sistema CNC-Sesc-Senac trouxe para si essa responsabilidade de fazer algo efetivo para a conservação da natureza. Dessa forma, foi criado o Polo Socioambiental Sesc Pantanal, com a missão de promover a preservação do meio ambiente com educação ambiental, por meio do ecoturismo, das pesquisas científicas e do desenvolvimento comunitário, tornando-se referência para todo o país.
O polo abriga a maior reserva particular do patrimônio natural do país. A RPPN Sesc Pantanal tem 108 mil hectares e é um laboratório a céu aberto do Pantanal primitivo. Detém em sua área 250 espécies de plantas e mais de 630 espécies de animais, incluindo a fauna ameaçada de extinção, como a onça-pintada, o tamanduá-bandeira e o lobo-guará.
Reconhecida internacionalmente como Sítio Ramsar e Zona Núcleo da Reserva da Biosfera desde 2002, presta serviços ecossistêmicos essenciais, como a purificação da água, o sequestro de carbono e a regulação do clima. É ainda uma referência em pesquisas, com mais de 500 publicações científicas, elaboradas a partir do trabalho de investigação de pesquisadores de instituições brasileiras e estrangeiras.
Na linha de frente da conservação, a RPPN conta com colaboradores pantaneiros com amplo conhecimento sobre o ecossistema e um grupo de brigadistas experientes, além de equipamentos importantes, como pás carregadeiras e câmeras de detecção de focos de calor, que contribuem com o combate ao fogo em toda a região.
Em 2010, o polo socioambiental expandiu sua atuação em Mato Grosso para o Cerrado. Considerado a caixa d’água do Brasil, o bioma protege as nascentes do Rio Cuiabá, que deságuam no Pantanal. Localizado em Rosário Oeste, o Sesc Serra Azul é um parque ambiental com mais de 5 mil hectares, voltado para o turismo de aventura e contemplação. O local abriga a Reserva Natural Sesc Serra Azul, responsável pela proteção de animais em risco de extinção.
O Sesc também atua na preservação de outros importantes biomas brasileiros. No Norte do Brasil, a RPPN Sesc Tepequém, no município de Amajari, em Roraima, é considerada uma das principais unidades de conservação ambiental do estado e é área de soltura de animais silvestres. No litoral de São Paulo, a Reserva Natural Sesc Bertioga protege um importante remanescente florestal com 60 hectares de Mata Atlântica. No Ceará, a Reserva Ecológica Sesc Iparana, em Caucaia, preserva os últimos fragmentos de floresta de tabuleiro existentes na Região Nordeste do país. Mais recentemente, em julho de 2024, foi oficializada a criação da RPPN Sesc Bonito, em Mato Grosso do Sul.
Dividir o encargo de proteger a rica biodiversidade brasileira é uma decisão acertada. Não apenas porque vivemos em um país de abrangência continental, mas também pela necessidade de engajamento e conscientização de que a questão do meio ambiente necessita. Trabalhar por uma sociedade mais sustentável é um compromisso que o Sistema Comércio assumiu há mais de três décadas e no qual continua empenhado, com ações desenvolvidas a partir de parâmetros como o fortalecimento da cidadania e a promoção de uma cultura igualitária.
Artigo de José Roberto Tadros, Presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac. Publicado originalmente no Correio Braziliense.
No mês do Meio Ambiente, o Sesc reafirma seu compromisso com a sustentabilidade e a preservação ambiental. Presente em todo o país, a instituição realiza ações que vão além do cuidado com as pessoas, mas também com o planeta. Nessa direção, o Sesc trabalha em diversas frentes de ações desenvolvidas em todo o país.
Confira a seguir algumas iniciativas:
O Sesc mantém Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e outras áreas de conservação ambiental que preservam ecossistemas estratégicos em cinco estados brasileiros. A RPPN é uma unidade de conservação de domínio privado, com objetivo de conservação da biodiversidade. Além do manejo para conservação da natureza nas áreas de reserva, essas unidades prestam apoio às populações do seu entorno e promovem ações de turismo sustentável e educação ambiental. Dessa maneira, o Sesc trabalha para ampliar a consciência – tanto de agentes locais quanto de visitantes – em relação à importância da preservação dos recursos naturais desses territórios.
RPPN Sesc Pantanal (MT) – Maior RPPN do Brasil, com 108 mil hectares (aproximadamente, do tamanho da Região Metropolitana do Rio de Janeiro), é reconhecida por seu trabalho de pesquisa em parceria com universidades e institutos, como o Museu Nacional, Reprocon e GEVS. Um exemplo é o estudo sobre onças-pintadas com uso de câmeras trap.
Parque Sesc Serra Azul (MT) – Com 5 mil hectares, o Parque Sesc Serra Azul é um parque de aventura onde fica um dos principais atrativos da região turística de Nobres e Rosário Oeste (MT), a Cachoeira Serra Azul. Com queda de 50 metros, ela é rodeada de paredões de arenito, que formam o lago cristalino. O Parque conserva uma área de Cerrado, que é conhecido por ser a caixa d’água do Pantanal, pois é onde se encontram as nascentes do Rio Cuiabá, que deságuam no Pantanal. Localizado próximo a uma das nascentes do Rio Cuiabá, o Parque Sesc Serra Azul, colabora, portanto para a conservação do Pantanal também.
RPPN Sesc Tepequém (RR) – Situada em Roraima é, atualmente um dos maiores polos turísticos do estado. Localizada no município de Amajari, a 210km da capital Boa Vista, contribui para a proteção da biodiversidade amazônica.
Reserva Natural Sesc Bertioga (SP) – Localizada no litoral norte de São Paulo, essa reserva ocupa 60 hectares de Mata Atlântica em plena zona urbana. Abriga mais de 650 espécies da fauna e flora de restinga e desenvolve ações de educação ambiental, turismo social, mobilização comunitária e pesquisa científica.
Reserva Ecológica Sesc Iparana (CE) – Espaço voltado à preservação costeira e educação ambiental no Ceará. Situada em Caucaia (CE), promove oficinas, vivências e ações de educação ambiental e geração de renda por meio da produção de artesanato, incentivando o protagonismo das comunidades locais e a valorização dos saberes tradicionais
RPPN Sesc Bonito (MS) – Certificada em agosto de 2024, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Bonito está situada na Serra da Bodoquena e abrange quase 20 hectares. Seu objetivo é preservar a biodiversidade local e fomentar o ecoturismo, a contemplação da natureza e a educação ambiental. Com o plano de manejo em desenvolvimento, a reserva já nasce conectada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
O compromisso ambiental do Sesc se manifesta também nas diversas ações implantadas em unidades e equipamentos. Confira alguns exemplos:
Parnaíba (PI) – Projeto de integração comunitária e preservação ambiental.
Sesc Esplanada (RR) – Instalação de sistema biodigestor, promovendo gestão de resíduos e geração de energia limpa.
Hotel Sesc Cacupé (SC) – Referência em compostagem e manejo de resíduos orgânicos.
Grande Hotel Sesc Itaparica (BA) – Primeiro hotel da Rede Sesc com certificação de carbono neutro e signatário da Declaração de Glasgow sobre Ação Climática no Turismo.
Você costuma pensar no futuro? Quais são seus compromissos mais importantes neste mês? Como estará sua saúde no ano que vem? Sonhar, planejar, são habilidades humanas elementares, inspiram e determinam nossa forma de ler o mundo, nossas decisões, nossas relações com as pessoas, com os desafios, com o tempo, com o meio a nossa volta. Mas quando o assunto é o futuro do planeta, já não temos mais tanto tempo pela frente para pensar, e o principal alarme tem sido o clima em novos padrões numa escala global, impactando no regime de chuvas, na temperatura das florestas, campos, cidades e oceanos. Já é fato que a nossa relação com a natureza precisa mudar.
Tudo o que consumimos vem da natureza, é ela que supre todas as nossas necessidades básicas: água, alimento, ar, abrigo, e também é de onde surge o nosso modo de vida, nossa cultura, nossa história. E claro que não é por acaso, porque nós somos natureza, somos feitos dessa matéria e criamos formas de obter e transformar esses recursos a nosso favor por meio de técnicas de agricultura, construções, meios de locomoção. Mesmo com todo o avanço dessas técnicas que reinventam o ambiente onde vivemos, a fonte primária e origem de tudo sempre será a natureza.
E ela é resultado de um conjunto de condições que favorecem esse alto poder de provisão, oferecem o que chamamos de serviços ecossistêmicos, isto é, benefícios dos quais usufruímos: purificação das águas, chuvas, controle de processos erosivos, manutenção da qualidade do ar, regulação do clima, produção de biodiversidade nos que fornece alimentos, fármacos, controle de zoonoses. A natureza se reproduz em diferentes ecossistemas complexos e ricos, e há um tipo específico desse arranjo de condições ao redor do mundo que é de uma importância intangível: as áreas úmidas, que têm como característica principal a interface entre os ambientes terrestres e aquáticos, bordas onde a vida nasce em profusão.
As áreas úmidas são muito diversas: margens de rios, zonas costeiras, nascentes, podem ter caráter mais permanente ou sazonal conforme o ritmo das águas. Ambientes assim precisam de cuidado, em razão de todos os serviços que oferecem, sua proteção garante uma reserva de futuro, de abundância e, pode ter certeza, elas contribuem diretamente para a sua saúde e o seu bem-estar hoje e amanhã.
Em razão desta vital relevância, hoje é o dia em que o mundo celebra as áreas úmidas, mobilizando toda a sociedade para proteger as zonas úmidas para o nosso futuro comum, como reflete a campanha da Convenção sobre as Zonas Úmidas de Importância Internacional, ou Convenção de Ramsar. Esta consiste em um tratado com mais de 150 países signatários, incluindo o Brasil, que se comprometem a implementar ações efetivas de conservação dessas áreas, baseadas nos chamados Sítios Ramsar, como é caso da Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Sesc Pantanal. Esta é a maior reserva privada do Brasil, criada e mantida pelo Sistema CNC-Sesc-Senac há quase 30 anos, integrando uma área de 108 mil hectares no Pantanal de Barão de Melgaço, e que impacta de forma muito positiva toda a humanidade.
Somos todos parte desse esforço coletivo e os maiores beneficiados desse pacto com o futuro. A mobilização é mundial, e só terá resultados se cada um assumir a corresponsabilidade pelo destino desse planeta que ainda é muito bom e generoso para a gente viver.
Artigo de Cristina Cuiabália, gerente-geral do Polo Socioambiental Sesc Pantanal
O Sesc ampliou seu trabalho de conservação ambiental com a criação de uma nova Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) na cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul. Formalizada por meio da Portaria 2221, do dia 25 de julho, a reserva tem área de 19,48 hectares e será um santuário de proteção da fauna e flora regionais, além de um laboratório natural de estudo e observação.
A criação da reserva teve o apoio do Projeto Piúva Rosa, que é executado pela Funatura e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) no âmbito do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre).
As outras áreas de conservação ambiental do Sesc são: a RPPN Sesc Pantanal, no Mato Grosso; a RPPN Sesc Tepequém, em Roraima; a Reserva Natural Sesc Bertioga, em São Paulo, a Reserva Ecológica Sesc Iparana, no Ceará, e a reserva natural, e a Reserva do Sesc Serra Azul — as três últimas em processo de certificação como Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).
A RPPN é uma categoria de unidade de conservação privada. É uma área de terras particulares onde o proprietário se compromete voluntariamente a realizar a conservação da natureza. Uma vez criada, a RPPN tem sua proteção garantida por lei, mesmo se a propriedade for vendida para outra pessoa.
A Reserva Particular do Patrimônio Natural, RPPN Sesc Pantanal, completa 27 anos de história no Pantanal mato-grossense, nesta quinta-feira (4/7). Com 108 mil hectares, a unidade criada pelo Sistema CNC-Sesc-Senac é a maior RPPN do Brasil e possui relevante contribuição para a conservação de espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, lobo-guará e tamanduá-bandeira.
O Pantanal tem apenas 5% do bioma protegido em Unidades de Conservação. Deste total, 1% corresponde à RPPN Sesc Pantanal. Na área já foram desenvolvidas mais de 100 pesquisas nacionais e internacionais sobre o Pantanal. Do total de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos na Bacia do Alto Paraguai, que totalizam 1.059 espécies, a Reserva detém 630. Entre as espécies ameaçadas de extinção, a RPPN possui 12. Dos benefícios que presta à humanidade estão a purificação das águas e a mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Para proteger toda esta riqueza de vida, auxiliares de parque e guardas-parques se revezam no apoio ao desenvolvimento de pesquisas, bem como monitoramento, prevenção e combate a incêndios. São todos pantaneiros, nascidos na região da RPPN, localizada em Barão de Melgaço (MT).
O guarda-parque Reginaldo Taques trabalha na RPPN há 18 anos e conta sobre o maior desafio de trabalhar na RPPN Sesc Pantanal. “A reserva é um exemplo para outras e manter toda essa área conservada é uma missão importante que temos. O que mais gosto de trabalhar aqui é saber que estamos conseguindo cuidar desse pedacinho do Pantanal”, diz ele.
Com 12 anos de atuação da RPPN, o também guarda-parque Vilson Souza considera uma honra trabalhar na unidade de conservação. “O que mais gosto de fazer é compartilhar meu conhecimento como pantaneiro para turistas e pesquisadores que vêm até aqui. Por isso, nossa dedicação durante todo o ano é para proteger toda a área, principalmente neste ano tão seco”, destaca.
Gestor da RPPN Sesc Pantanal, o ecólogo Alexandre Enout destaca os dois títulos internacionais da área: Sítio Ramsar e Zona Núcleo da Reserva da Biosfera. “É evidente a relevância do papel da RPPN enquanto área de conservação, que beneficia a fauna, a flora e os seres humanos, com seus serviços ecossistêmicos fundamentais para a manutenção da vida na terra”, explica.
Segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA-UFRJ), o regime de seca persistente de intensidade extrema a moderada perdura nos últimos 12 meses. De acordo com relatório publicado em junho, o Pantanal foi o bioma que mais secou dentro da análise realizada entre 1985 a 2023. A superfície de água anual (pelo menos 6 meses com água) em 2023 foi 61% abaixo da média histórica.
Os guardas-parques confirmam isso com as mudanças vistas no dia a dia. Segundo Vilson, a paisagem mudou devido ao ciclo das cheias. “Os corixos onde eu tomava banho na infância, em São Pedro de Joselândia, não existem mais, meus filhos pequenos nunca viram cheio. Na RPPN, tem corixo que não enche há cinco anos por falta de chuva”, relata.
Para Reginaldo, com a falta de chuvas regulares o Pantanal está diferente, sem florada todos anos, por exemplo. “Os tanques da reserva, que ajudam no abastecimento de pipas e também para os animais beberem água, não costumavam secar e agora estão secos. A nossa expectativa para esse ano é que não tenha incêndio, apesar das previsões”, destaca.
A mobilização para proteger a grande área, rica em biodiversidade, é intensa e tem sido ampliada para prevenir o avanço de incêndios florestais como os que já atingiram a reserva, principalmente neste ano em que o Pantanal está mais seco.
A principal ação iniciada neste ano é a queima prescrita, que faz parte do Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) e utiliza o fogo como aliado para proteger a área. Iniciativa inédita em unidades de conservação do Pantanal Norte (Mato Grosso), o modelo prevê a queima de algumas áreas na RPPN, em vegetação mais adaptada ao fogo, o que contribui para a conservação do local. A estratégia, utilizada em várias partes do mundo e em outros biomas brasileiros, é uma das mais avançadas opções de prevenção, considerando as mudanças nos ciclos das águas registradas desde 2020.
Como ferramentas de prevenção, a reserva conta ainda com a tecnologia de detecção de focos de incêndio com câmeras de alta precisão. Já a Brigada de Incêndio, contratada para atuação durante seis meses no período da seca, agora permanecerá ativa por oito meses e terá um reforço importante: dois novos pontos de água na área central da Reserva, naturalmente mais seca por estar distante dos rios Cuiabá e São Lourenço, que margeiam a RPPN. Os poços artesianos contribuirão com os esforços de eventual combate a incêndios florestais, facilitando o rápido reabastecimento de caminhões-pipa