16 de maio de 2022

Já foram registrados 90 mil fotos e vídeos de mais de 60 espécies de animais diferentes, sendo 13 ameaçadas de extinção, por meio de câmeras trap instaladas em reserva ambiental do Sesc 

Para a realização da pesquisa “Onças-pintadas e pardas em um mosaico de pantanais no Mato Grosso: uma perspectiva a partir da RPPN Pantanal e adjacências (Barão de Melgaço e Poconé)”, uma parceria do Sesc com o Museu Nacional, foram instaladas 46 armadilhas fotográficas (câmeras trap) em locais variados dos 108 mil hectares da reserva. De acordo com a bióloga e gerente de Pesquisa e Meio Ambiente do Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália, o projeto é importante pois possibilita o registro da fauna silvestre, seu habitat, comportamento, localização.  

“Estes dados são fundamentais para entendermos melhor a fauna de vertebrados da RPPN, a funcionalidade e efetividade da Reserva enquanto unidade de conservação, por garantir a presença segura dessas espécies, possibilitando sua reprodução e todo o caráter ecológico associado”, pontuou. 

 

 

A expectativa é que nos próximos meses, ao todo, 110 câmeras estejam sendo utilizadas. Já foram registrados cerca de 90 mil fotos e vídeos. As câmeras funcionam 24 horas por dia, mas os registros são feitos conforme o sensor de presença é acionado com a aproximação dos animais. O arquivo já acumula cerca de 60 espécies de animais vertebrados, sendo 13 ameaçados de extinção. Entre eles a onça-pintada, onça-parda, tamanduá-bandeira, cachorro-do-mato-vinagre, ariranha, anta e cervo-do-pantanal. 

Os guarda-parques e auxiliares da RPPN Sesc Pantanal participam ativamente do projeto indicando locais, acompanhando e auxiliando os pesquisadores na instalação e monitoramento das áreas. Já os pesquisadores realizam a revisão periódica dos registros, analisam os dados e organizam as informações para a produção de publicações científicas e relatórios. 

 

11 de março de 2022

Primeira onça-pintada recebe colar de monitoramento para pesquisa na maior RPPN do Brasil, no Pantanal de MT. Os dados adquiridos a partir do colar são importantes para conservação da espécie, que está na lista de animais ameaçados de extinção.

A primeira onça-pintada capturada para a pesquisa em andamento na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Sesc Pantanal), localizada em Barão de Melgaço, Pantanal de Mato Grosso, recebeu o colar com GPS para o monitoramento no período de aproximadamente um ano. O estudo do maior felino das Américas, ameaçado de extinção, é importante para a conservação da espécie e funciona como um “guarda-chuva”, ao contemplar todo o ecossistema com informações de diversas espécies e paisagens.

O animal capturado na maior RPPN do Brasil tem cerca de seis anos e 103 Kg. O nome escolhido pelos guarda-parques e auxiliares de parque da RPPN Sesc Pantanal foi Niti Cáre, que significa “menino bonito” em macro-jê, tronco linguístico dos Bororos e Guatos, presentes na região. O macho estava em ótimo estado físico e passou por exames, para checagem do estado de saúde, identificação de parasitas, vírus e bactérias, coleta de material reprodutivo e genético.

Para esta etapa da pesquisa, foram escolhidos locais onde há presença recorrente de onça-pintada, indicada pelas câmeras trap instaladas há cerca de 12 meses. A previsão é que, no total, cinco onças-pintadas recebam os colares. A próxima fase está prevista para acontecer em maio deste ano.

A pesquisa do animal, que ocupa o topo da cadeia alimentar, é realizada pelo Polo Socioambiental Sesc Pantanal em parceria com o Museu Nacional e colaboração das seguintes instituições: Instituto Reprocon e o Grupo de Estudo em Vida Silvestre (GEVS), formado por integrantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Universidade de Aveiro (Portugal).

De acordo com o pesquisador do Museu Nacional e coordenador do GEVS, Luiz Flamarion, o objetivo da pesquisa é identificar a quantidade e o comportamento das onças existentes na região. “Com o colar, será avaliado o movimento dos indivíduos de maneira mais detalhada, como são as tomadas de decisões no uso do espaço, a permanência nos locais e o motivo das mudanças feitas com mais frequência, por exemplo”, explica.

A superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Christiane Caetano, destaca a relevância da pesquisa realizada na área de conservação. “A RPPN Sesc Pantanal é um laboratório a céu aberto do bioma. Estudar a onça-pintada numa área natural é importante para entender a dinâmica de toda cadeia alimentar. A partir da presença do felino é possível ter um indicador de que a área é saudável e equilibrada, onde a fauna pode se desenvolver e perpetuar”, declara.

Em 25 anos de existência, já foram encontradas 12 espécies em extinção na área de 108 mil hectares da RPPN, equivalente a 2% do Pantanal de Mato Grosso e 1% de todo o bioma.

Técnica para captura 

O médico veterinário do Instituto Reprocon, Antônio Carlos Csermak Jr, explica que para a captura de grandes felinos a técnica utilizada é a armadilha de laço, indicada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnivoros (Cenap), que integra o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “A técnica é considerada eficiente, segura e, por conter o animal pela pata, não gera lesões ou machucados devido a mecanismos de segurança, como molas e freios”.

O sistema de alarme instalado na armadilha chega a 12 km. Isso permite saber o momento exato em que a armadilha foi desarmada e o rápido acesso ao animal, contido por pouco tempo até a anestesia. A associação anestésica utilizada causa amnésia dos momentos anteriores e posteriores à captura. Deste modo, não há traumas ao animal.

“O desafio na execução deste trabalho é a agilidade dos animais, mesmo num território como o Pantanal, com grande densidade de onças-pintadas. O período da cheia, que muda o nível da água diariamente, também dificulta o acesso a pontos importantes para o trabalho, mas vamos nos adequando. A sensação de fazer parte deste trabalho é única. A onça-pintada é um animal magnífico e importantíssimo para a conservação dos biomas onde ocorre. Poder trabalhar com esta espécie no Pantanal é um privilégio”, conclui o veterinário.

Em 10 anos de trabalho na RPPN Sesc Pantanal, o guarda-parque Vilson Taques já viu onças-pintadas diversas vezes, sempre de longe, e conta sobre a emoção de estar tão perto do felino. “A adrenalina foi a mil. A emoção é muito grande em ver o animal de perto. É gratificante fazer parte da pesquisa e saber que isso é fruto do nosso trabalho de conservação da natureza”, declara.

A equipe, formada por biólogos, ecólogos, médicos veterinários, guarda-parques e auxiliares de parque da RPPN Sesc Pantanal, também irá instalar mais 60 câmeras trap pela reserva, totalizando 100 em toda a área, ampliando o monitoramento da fauna.

31 de janeiro de 2022
Localizada dentro do Parque Sesc Serra Azul, a RPPN Sesc Serra Azul tem dois sítios arqueológicos e registros de animais em extinçãoO Polo Socioambiental Sesc Pantanal deu início à criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural, a RPPN Sesc Serra Azul, com 850 hectares no Cerrado mato-grossense. A área é estratégica por estar às margens das nascentes que deságuam no Pantanal, o que amplia o trabalho de conservação feito no bioma. Quando homologado, o local, que já é habitat de animais em extinção, avistados com câmera trap, e tem dois sítios arqueológicos em cavernas, será aberto para o desenvolvimento de novas pesquisas científicas e atividades de turismo responsável.
CLIQUE AQUI E CONHEÇA OUTRAS ÁREAS NATURAIS DO SESCA importância destas áreas é celebrada nesta segunda-feira (31 de janeiro), Dia Nacional das RPPNs, que são reservas criadas espontaneamente, por vontade de proprietários de áreas conservadas, que optam por perpetuar, na matrícula do imóvel, a categoria de unidade de conservação de uso sustentável para sempre. A primeira RPPN do Sesc foi criada há 25 anos, no Pantanal. Com 108 mil hectares, a RPPN Sesc Pantanal é a maior do Brasil e presta à humanidade diversos benefícios, como a purificação das águas, controle das inundações, reposição das águas subterrâneas, controle do fluxo de sedimentos e nutrientes do solo, reservas de biodiversidade e mitigação e adaptação às mudanças climáticas.Considerado a caixa d’água do Brasil, por abrigar as nascentes de importantes rios brasileiros, que abastecem um total de oito bacias hidrográficas, o Cerrado é o segundo maior bioma do país, com 204 milhões de hectares. É uma das regiões de maior biodiversidade do mundo, com 6 mil espécies de árvores e 800 espécies de aves. Há 10 anos, o Polo Socioambiental está presente neste bioma, com o Parque Sesc Serra Azul, uma área de conservação de cinco mil hectares, que atua com turismo sustentável, pesquisa científica, educação ambiental e ação social. A criação da RPPN dentro do parque representa um passo definitivo pela conservação do Cerrado, que tem impacto direto no Pantanal.“Após 25 anos de criação da RPPN no Pantanal, damos esse novo passo no Cerrado. A área é de grande importância, pois é onde estão as nascentes do Rio Cuiabá, que abastecem o Pantanal. Com essa nova RPPN, o Sesc passará a ter cinco áreas protegidas em todo o Brasil, sendo esta, a primeira no Cerrado. O título de RPPN é vitalício e, portanto, um marco, que demonstra o esforço e investimento do Sesc para cuidar de áreas naturais no Brasil”, explica o Diretor-Geral do Departamento Nacional do Sesc, José Carlos Cirilo.A nova ReservaRPPN Sesc Serra Azul é formada por duas áreas que somam 850 hectares, ligadas por um corredor natural, utilizado pelos animais para transitarem entre os locais. Fazem divisa com a RPPN, o Rio Cuiabazinho, onde há uma Área de Preservação Permanente (APP), e a área de morros que pertence à união e a fazenda Leão. Os dois sítios arqueológicos da reserva foram encontrados dentro da Caverna Lapa das Abelhas e da Caverna Raízes, que também estão em processo de homologação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).A vegetação da área de conservação reúne um mosaico de paisagens que formam o Cerrado, com áreas mais baixas e úmidas e também mais altas e secas. Quanto à fauna, há registros fotográficos de diversos animais, dois deles presentes na lista de extinção: o cervo-do-pantanal e o cachorro-vinagre. Este último já foi visto em bando com até cinco indivíduos.De acordo com a superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Christiane Caetano, com a RPPN, a instituição irá avançar no desenvolvimento de novas pesquisas sobre o Cerrado. “Este será um novo espaço de experimentações, onde o conhecimento gerado poderá beneficiar não somente o Cerrado, mas os demais biomas que estão interligados a ele. Uma das frentes de estudo previstas é sobre como se dará a articulação entre a RPPN, o turismo desenvolvido no parque e as outras atividades econômicas presentes na região”, explica.RPPN Sesc Serra Azul faz parte do projeto Reservas Privadas do Cerrado (RPC), iniciativa da Fundação Pró-Natureza (Funatura), que criou 50 RPPNs no bioma. Dessas, 18 já foram homologadas e as demais estão no processo. Com o projeto, o objetivo é ampliar a experiência para outros biomas e apoiar a criação de mais reservas naturais pelo Brasil.
16 de dezembro de 2021

Documentário vencedor retrata luta dos brigadistas e equipes da maior RPPN do Brasil, situada no coração do Pantanal, contra o grande incêndio do ano passado

O documentário “Heróis do Fogo”, produzido pelo Polo Socioambiental Sesc Pantanal, venceu a etapa nacional do Prêmio Aberje 2021 na categoria mídia audiovisual. A obra, que marca a luta de brigadistas contra o fogo na Reserva Particular do Patrimônio Natural, a RPPN Sesc Pantanal, já havia sido premiada na etapa regional (Minas Gerais e Centro-Oeste) do prêmio.

Em 2020, a maior unidade de conservação privada do Brasil, com 108 mil hectares, localizada em Barão de Melgaço (MT), no Pantanal Norte, teve 93% da sua área atingida pelo pior incêndio do bioma nas últimas décadas. A superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Christiane Caetano, destacou a importância do prêmio que reconhece o trabalho excepcional dos brigadistas e toda equipe que lutou bravamente para amenizar os danos do fogo na fauna e flora pantaneira.

“Estamos muito felizes, tenho certeza que toda a equipe, não somente a de comunicação, responsável por essa campanha de mobilização e esclarecimento sobre o que estava acontecendo, mas, principalmente, os brigadistas e todos os funcionários do Sesc Pantanal, que no passado tiveram que ir ao combate, do motorista aos dos serviços gerais. Foi uma mobilização muito grande. O prêmio é muito importante para nós, muito obrigada!”, declarou.

Lançado em 12 de novembro de 2020, Dia do Pantanal, o documentário traz depoimentos de quem estava na linha de frente do combate, imagens dos animais sobreviventes, além da fauna e flora atingidas pelo fogo na área conservada há 24 anos.

Apesar do fogo ter atingido 101 mil hectares da unidade de conservação, muita vida foi preservada. Em meio às imagens de carcaças e bichos feridos vistos em todo o Pantanal, as cenas dos animais vivos e saudáveis chamam a atenção para o trabalho da brigada Sesc Pantanal. Existente há 20 anos, a brigada retardou o avanço dos incêndios, dando tempo de fuga para os animais migrarem para áreas ainda não queimadas ou já atingidas há dias.

Imediatamente, após o fim dos incêndios na unidade de conservação, teve início o levantamento de dados com pesquisadores de diversas partes do país, que integram o Grupo de Estudos em Vida Silvestre (GEVS). No documentário, eles relatam o início desses trabalhos e a ação emergencial realizada para ofertar alimento e água aos animais.

Em novembro deste ano, o Polo Socioambiental Sesc Pantanal lançou a segunda parte do documentário. Clique aqui e assista.

Sobre o Prêmio

Neste ano, o consagrado Prêmio Aberje chegou à sua 47ª edição, com o propósito de promover e divulgar esforços e iniciativas na área da comunicação empresarial em todo o país, por meio da apresentação de cases inspiradores e do compartilhamento de experiências, contribuindo para melhores práticas da comunicação de empresas e instituições.

12 de novembro de 2021

Um ano após incêndios no Pantanal, documentário mostra ações integradas para proteger o bioma

A mobilização de pesquisadores, comunidades, ONGs, instituições e fazendeiros para proteger o Pantanal, logo após o pior incêndio do bioma, registrado em 2020, é o enredo do documentário “Heróis do Fogo 2 – Rede unida pelo Pantanal” lançado nesta sexta-feira (12/11), Dia do Pantanal. Produzido pelo Polo Socioambiental Sesc Pantanal, o filme traz 13 depoimentos, interligados pelos primeiros passos da recuperação do Pantanal e pela união, com foco na prevenção e combate a incêndios florestais.

Muitas frentes de trabalho atuaram neste período após o fogo e o documentário, com 29 minutos de duração, apresenta relatos de algumas delas, mais especificamente no Pantanal de Poconé e Barão de Melgaço, em Mato Grosso: Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Sindicato Rural de Poconé, Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso, SOS Pantanal, Ampara Silvestre, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Projeto Aquarela Pantanal e Grupo de Estudo em Vida Silvestre (GEVS).

A preparação e articulação formadas para evitar um novo desastre, num ano que se anunciava ainda mais seco, contribuiu para a redução dos focos na temporada da seca 2021. A preocupação no cuidado com o Pantanal é nítida no decorrer da obra, mas é só o primeiro passo, destaca a superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Christiane Caetano.

“Hoje, vemos todos trabalhando juntos, mobilizados para cuidar do Pantanal, pois este é o ponto comum, independente das diferentes atuações nessa área. Muito já foi feito e ainda podemos avançar mais, principalmente com políticas públicas que tenham como objetivo a conservação do bioma e toda a sua abundante biodiversidade. O Pantanal é resiliente, mas tem um limite, e é preciso cuidar desse futuro agora”, declara.

Vencedor regional do Prêmio Aberje na categoria audiovisual, o primeiro documentário “Heróis do fogo”, lançado também no Dia do Pantanal em 2020, aborda todo o trabalho da Brigada Sesc Pantanal para combater o pior incêndio da RPPN e do grupo de pesquisadores que levantava dados do impacto desse evento. Esse momento após o fogo em todo o bioma envolveu muito trabalho, estratégia e precisava ser documentado, declara a superintendente. “Todo esse preparo, fortalecimento e união foi construído ao longo de um ano e é fundamental para a conservação do Pantanal. É um trabalho contínuo em todos os ciclos do bioma”, diz a superintendente.

O que mudou em um ano 

Formação e estruturação de brigadas; ampliação de aceiros; comunicação integrada e rápida; monitoramento avançado com sistemas da NASA e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a instalação do 1º Pelotão Independente de Bombeiros Militar de Poconé estão entre os avanços construídos ao longo de um ano no Pantanal mato-grossense.

Na área das pesquisas, deu-se início a diversos estudos, entre eles o projeto inédito para implementação do Manejo Integrado do Fogo (MIF) no Pantanal e a avaliação do impacto do fogo na fauna e flora, que inclui o reflorestamento no Pantanal a partir da criação de viveiros nas comunidades de São Pedro de Joselândia (Barão de Melgaço) e Capão do Angico (Poconé).

Para a fauna, recintos foram adaptados e estão sendo criados para atender animais que precisam de atendimento devido a queimaduras, por exemplo, e passarão pelo processo de reabilitação até o momento da soltura.

Tempo de resposta mais rápido 

Conforme dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA), do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 2021, um dos anos mais secos do Pantanal, houve redução da área queimada.

Em 2020, mais de 4,3 milhões de hectares foram atingidos, ou seja, 26% do bioma e, em 2021, foram 1,3 milhão, equivalente a 9% da área total. Conforme dados do INPE, também houve redução dos focos de calor em Poconé (86%) e Barão de Melgaço (91,5%), entre janeiro e novembro de 2021, em comparação ao mesmo período de 2020.

Na RPPN Sesc Pantanal, a maior reserva privada do país, 300 hectares foram impactados pelo fogo em 2021, decorrente de dois raios registrados em outubro. Enquanto que, em 2020, dos 108 mil hectares da reserva, 101 mil foram atingidos pelo fogo em diferentes intensidades, o que representa 93% da área.

“Um ano após o pior incêndio registrado nas últimas décadas, este resultado mostra a importância da união das pessoas e instituições presentes neste território, que permitiram respostas mais rápidas para a extinção dos incêndios. Seguimos trabalhando para que o Pantanal não passe por incêndios consecutivos”, conclui a superintendente do Sesc Pantanal.

A mobilização de pesquisadores, comunidades, ONGs, instituições e fazendeiros para proteger o Pantanal, logo após o pior incêndio do bioma, registrado em 2020, é o enredo do documentário “Heróis do Fogo 2 – Rede unida pelo Pantanal”. Produzido pelo Polo Socioambiental Sesc Pantanal, o filme traz 13 depoimentos, interligados pelos primeiros passos da recuperação do Pantanal e pela união, com foco na prevenção e combate a incêndios florestais.

Muitas frentes de trabalho atuaram neste período após o fogo e o documentário, com 29 minutos de duração, apresenta relatos de algumas delas, mais especificamente no Pantanal de Poconé e Barão de Melgaço, em Mato Grosso: Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Sindicato Rural de Poconé, Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso, SOS Pantanal, Ampara Silvestre, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Projeto Aquarela Pantanal e Grupo de Estudo em Vida Silvestre (GEVS).

 

3 de setembro de 2021

 

O Polo Socioambiental Sesc Pantanal recebeu a Medalha Mérito Engenheiro Domingos Iglesias Valério, concedida pelo governo do Estado de Mato Grosso. Personalidades civis e militares foram homenageados pelos relevantes serviços prestados ao Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil, entre eles representantes de instituições que atuaram durante os incêndios florestais no Pantanal, em 2020.

A superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Christiane Caetano, recebeu a medalha em nome da Instituição. Recentemente, no mês de julho, o Sesc Pantanal concluiu a capacitação de 100 brigadistas para atuação no combate a incêndios na temporada de seca. Além disso, de forma inédita na localidade, ocorreu o projeto de Manejo Integrado do Fogo (MIF) como prevenção a incêndios florestais. A queima controlada da primeira área de pesquisa foi realizada na RPPN Sesc Pantanal, por meio da parceria entre 17 instituições e o Polo Socioambiental.

A medalha

A Medalha Mérito Engenheiro Domingos Iglesias Valério é destinada a agraciar militares e civis, brasileiros ou estrangeiros, organizações militares e civis nacionais ou estrangeiras, que tenham prestado serviços relevantes ao Sistema de Proteção e Defesa Civil.

Recentemente, o Decreto nº 593 de 11/08/2020 criou, redefiniu e atualizou a legislação da medalha da Defesa Civil, passando a denominá-la Medalha Mérito Engenheiro Domingos Iglesias Valério, em homenagem ao criador da Defesa Civil Estadual em 06 de fevereiro de 1973, que também é designado como o Patrono da Defesa Civil Estadual.

16 de agosto de 2021

 

Saiba mais sobre o Sesc Pantanal.

5 de junho de 2021

Artigo de Christiane Caetano – Superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal

O que a nossa vida tem a ver com as outras coisas vivas? Cada vez mais pessoas entendem que a sobrevivência da humanidade depende da diversidade da natureza e da coexistência em harmonia, um ponto de equilíbrio que ainda estamos distantes de alcançar.

O Brasil tem a maior biodiversidade de fauna e flora do planeta. Isso representa uma riqueza incalculável. Água, comida, remédios, energia e todos os tipos de produtos que consumimos têm sua origem na natureza. Mais do que isso: a solução de tudo o que precisamos está nela. Mas a espécie humana só pode continuar existindo se tivermos ecossistemas saudáveis e fortes que continuem nos proporcionando os mais diversos recursos.

Em Mato Grosso existem três biomas, uma multiplicidade de espécies animais e vegetais e é onde, há mais de 20 anos, o Departamento Nacional do Sesc implantou um polo socioambiental com a criação da maior reserva particular do patrimônio natural do país, a RPPN Sesc Pantanal, que ajuda a conservar uma das mais importantes áreas úmidas do planeta.


Trabalho de conservação ambiental é realizado há mais de 20 anos pelo Polo Socioambiental Sesc Pantanal (Divulgação)

É importante que se entenda que conservação não é uma barreira para o desenvolvimento. As unidades como a RPPN, o Parque Sesc Baía das Pedras e o Parque Sesc Serra Azul, todas pertencentes ao Polo Socioambiental Sesc Pantanal, são espaços abertos, acessíveis, que podem e devem ser contemplados, estudados, visitados, porque é do turismo responsável que se dá a sua manutenção.

Nas nossas áreas de conservação, dezenas de animais ameaçados de extinção voltaram a aparecer. Esses registros são a prova da regeneração da biodiversidade nos locais. Se existe alimento, as espécies voltam a ocupar os espaços e reestabelecem o ciclo natural da cadeia alimentar que permite a manutenção do ecossistema. E isso não exclui o ser humano, porque também somos parte da natureza.

Nossas unidades proporcionam experiências que integram as pessoas aos habitats naturais e fazem das vivências uma sensibilização e estímulo a preservação, ao uso racional, ao entendimento da conexão que existe entre todos os seres vivos.

Clique aqui e saiba mais sobre o Sesc Pantanal. 

A conservação das múltiplas formas de vida e o enfrentamento aos problemas ambientais do planeta é que deu origem ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Nós, seres humanos, precisamos encontrar um jeito de prosperar e viver em harmonia com a natureza por uma razão bem simples, porque é a única maneira de sobrevivermos.

A minha vida, a sua, a dos animais, das plantas, as florestas e as cidades, tudo está interligado, um influencia o outro, um não existe sem o outro. Quando se trata de meio ambiente e de vida, tudo está conectado.

12 de novembro de 2020

Luta contra o fogo na maior Reserva Natural do Brasil vira documentário

 

O Polo Socioambiental Sesc Pantanal lançou um documentário que relata a luta contra o fogo na maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do país, a RPPN Sesc Pantanal, durante esta que foi a pior temporada das últimas décadas no bioma. O registro histórico traz depoimentos de quem estava na linha de frente do combate, imagens dos animais sobreviventes, além da fauna e flora atingidas pelo fogo nos 98 mil hectares, da área de 108 mil, conservada há 23 anos.

As cenas são impactantes e mostram o caminho da destruição causado pelo fogo, que entrou pela primeira vez este ano na RPPN, no dia 2 de agosto. Foram várias frentes de incêndio, combatidas simultaneamente ao longo de 50 dias e um intenso trabalho dos brigadistas do polo Socioambiental Sesc Pantanal, que somaram esforços a Operação Pantanal II, formada pelas Forças Armadas, Bombeiros de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Ibama e ICMBio.

ASSISTA AQUI:

Embora o fogo tenha alcançado 91% da unidade de conservação, localizada em Barão de Melgaço (MT), muita vida foi preservada. Em meio às imagens de carcaças e bichos feridos vistos em todo o Pantanal, as cenas dos animais vivos e saudáveis chamam a atenção para o trabalho da brigada Sesc Pantanal. Existente há 20 anos, ela retardou o avanço dos incêndios, dando tempo de fuga para os animais migrarem para áreas ainda não queimadas ou já atingidas há dias.

De acordo com a superintendente do Sesc Pantanal, Christiane Caetano, o documentário de 20 minutos é um registro histórico de um fato inédito na RPPN Sesc Pantanal e o seu lançamento no Dia do Pantanal é um marco na temporada do fogo em 2020. “As primeiras chuvas e o verde que surgem apagam momentaneamente as marcas do fogo, que são muito profundas e têm impactos que vão durar anos. Não queremos que tudo o que houve seja esquecido e, principalmente, o objetivo deste registro é ser um alerta para o que não queremos viver novamente. Para isso, é preciso união, estratégia e ação para os próximos anos”, destaca.

Imediatamente, após o fim dos incêndios na unidade de conservação, teve início o levantamento de dados com pesquisadores de diversas partes do país. A partir de pesquisas desenvolvidas ao longo de 20 anos será possível realizar um comparativo com o atual momento, para encontrar soluções que beneficiem todo o Pantanal, seja para a recuperação da flora, reestabelecimento da fauna e atendimento às comunidades afetadas por este evento.

Pesquisador da RPPN Sesc Pantanal há 20 anos, o biólogo da Fiocruz, José Luís Cordeiro, que faz parte do documentário, acompanhou várias transformações que a região sofreu, como o aumento das populações animais (anta, cervo-do-pantanal, queixadas e catetos), a recuperação da paisagem para uma condição mais próxima da paisagem pantaneira original, com a implantação da Unidade de Conservação, e a redução do impacto humano, bem como a regeneração da vegetação após queimadas, secas ou cheias severas. Mas, nunca havia visto nada com tamanha capacidade destrutiva como neste ano. “Todos que respeitam a vida, e em especial o Pantanal, tem uma longa jornada pela frente, no suporte à recuperação da biodiversidade do Pantanal”, avalia.

Nada foi igual nas últimas décadas, em relação à seca, baixa umidade, altas temperaturas e fogo, na maior área alagável do planeta e Patrimônio Natural da Humanidade, ressalta o diretor-geral do Departamento Nacional do Sesc, Carlos Artexes, e, apesar de todos os esforços, a RPPN Sesc Pantanal foi muito atingida. “Diante disso, seguimos nossa missão de conservar e estudar essa importante área, que representa 2% do bioma em Mato Grosso. O que aconteceu jamais será esquecido, deixa diversos aprendizados e a certeza de que o Sesc Pantanal sempre estará cuidando de gente, planta e bicho”, conclui.

RPPN Sesc Pantanal

A criação da RPPN Sesc Pantanal se deu após a Eco-92, como iniciativa do Sesc Nacional, em desenvolver um projeto de conservação no Pantanal. Em duas décadas de existência, mais de 70 pesquisas nacionais e internacionais sobre o Pantanal foram realizadas. Da abundante biodiversidade da Bacia do Alto Paraguai, com 1.059 espécies de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, a Reserva detém 630. Isso significa que 60% destas espécies estão presentes na RPPN.

Entre as espécies ameaçadas de extinção, a RPPN possui 12. Além de ser a maior RPPN do país, a reserva do Sesc Pantanal ainda é Zona Núcleo da Reserva da Biosfera do Pantanal, faz parte da terceira maior Reserva da Biosfera do planeta e é um Sítio Ramsar. Entre os benefícios que a RPPN presta à humanidade estão a purificação das águas, controle das inundações, reposição das águas subterrâneas, controle do fluxo de sedimentos e nutrientes do solo, reservas de biodiversidade e mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Saiba mais em www.sescpantanal.com.br.