A população de onças-pintadas da maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do Brasil, a RPPN Sesc Pantanal, é objeto de uma ampla pesquisa que utiliza 155 câmeras trap em uma área de 108 mil hectares, localizada em Barão de Melgaço (MT). O estudo, realizado em parceria com o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro com participação de pesquisadores do Grupo de Estudos em Vida Silvestre (GEVS), busca compreender o uso do espaço pelo animal e contribuir para a conservação dessa espécie vulnerável à extinção, que possui grande importância ambiental por ocupar o topo da cadeia alimentar e indicar a qualidade dos ambientes.
Maior carnívoro da América do Sul, terceiro maior felino do mundo e o único representante do gênero Panthera (formado por leões, leopardos e tigres) no continente americano, a onça-pintada necessita de áreas extensas e de habitat de boa qualidade para sobreviver. Segundo o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP), estimativas indicam que 50% da população total de onças-pintadas do mundo estão no Brasil, distribuídas por diversos biomas: Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga.
Distribuição das armadilhas fotográficas
As armadilhas fotográficas foram distribuídas a cada 2,8 km, na forma de gradeado, cobrindo uma vasta área da Reserva, o que permite avaliar o uso do espaço por várias espécies, incluindo presas potenciais. Com os equipamentos, o propósito é monitorar a área nos períodos de seca e cheia. A instalação teve início em julho deste ano e as revisões seguirão até janeiro de 2024. Os dados levantados são utilizados para a geração de mapas de distribuição e avaliação das formas de uso da paisagem, tanto das presas quanto dos predadores, possibilitando obter informações sobre interações e suas relações com o mosaico disponível no interior da RPPN.
O projeto realizado na RPPN Sesc Pantanal, uma das unidades do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac, contempla, ainda, a perspectiva dos saberes locais por meio das interações entre pesquisadores, guarda-parques e brigadistas do Sesc Pantanal. Essas interações servem para a propagação do entendimento das relações tanto entre os elementos da fauna, sob a perspectiva do projeto, quanto da convivência entre os pantaneiros com a diversidade disponível e a valorização do patrimônio biológico e cultural do Pantanal.
Inovação, tecnologia ancestral e sustentabilidade são a base do projeto criado pelo arquiteto José Portocarrero para o Complexo Educacional Sesc Pantanal – Ministro Gilmar Mendes, inaugurado nesta sexta-feira (29/9), em Poconé (MT). Inspirado na arquitetura dos povos indígenas, a construção se beneficia com aproveitamento da luz natural e sua estrutura suspensa do solo é capaz de aumentar a ventilação e o conforto térmico para os estudantes, permitindo a redução do consumo de energia elétrica. A nova estrutura colabora, ainda, com o processo de aprendizado, ao despertar a criatividade e a imaginação de crianças e jovens em formação.
“O papel transformador da educação é incontestável. Há mais de sete décadas, o Sistema Comércio investe na área educacional com as mais diversas iniciativas, colaborando no desenvolvimento da sociedade. É com muito orgulho que por meio dessa inauguração homenageamos nosso ilustre Ministro Gilmar Mendes com o que há de mais importante para os indivíduos: o saber e a conquista da cidadania. Seu nome estará associado e perpetuado uma proposta inovadora, sustentável e que beneficiará diversas gerações”, declarou o Presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
Presente na cerimônia, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, mato-grossense de Diamantino, falou um pouco sobre sua trajetória profissional e agradeceu a homenagem. “Fico muito feliz em receber essa homenagem do Sistema CNC Sesc Senac. São muitos os jovens que irão se beneficiar desse poder transformador que é a educação. Como professor, alguém que dedicou a vida ao ensino, ser o nome de uma escola é certamente algo muito honroso”.
Autor do projeto, o arquiteto, professor e doutor em habitações indígenas brasileiras, José Portocarrero é reconhecido e premiado internacionalmente pela identidade sustentável que imprime nas obras. De acordo com ele, a arquitetura impacta diretamente no ensino-aprendizagem dos estudantes. “A inovadora proposta une a história da ocupação desse território, tecnologia ancestral das casas indígenas, sustentabilidade e compartilhamento, em contato com a natureza”, destaca.O projeto do Complexo Educacional surgiu a partir do trabalho desenvolvido pela Escola Sesc Pantanal. Criada em 2002, a unidade atendia alunos com as duas primeiras etapas da educação básica, em um espaço de cerca de 1.000 m². Com o passar do tempo, sua atuação se ampliou gradativamente e como forma de atender melhor os alunos foi criado o complexo, com tamanho quase três vezes superior ao original, o que faz dele a maior estrutura educacional de Poconé. Com a expansão, são mais sete salas de aula, além de refeitórios, cozinha, sanitários, secretaria, sala dos professores, coordenação e recepção. A inovação também está presente na forma circular da escola, com as novas salas de aula divididas por áreas de conhecimento: Matemática, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, História, Geografia, Ciências e Arte. No Complexo Educacional Sesc Pantanal são os alunos que se movimentam a cada aula, compartilhando os ambientes e sendo corresponsáveis por eles. Na área externa central, o objetivo é promover a integração dinâmica de crianças e jovens, num ambiente natural, com árvores nativas e gramado, que pode ser explorado pelos alunos de diferentes formas, como atividades interativas com a natureza, contemplação e leitura ao ar livre.
Além do presidente da CNC e do ministro do STF, estiveram presentes no evento o Diretor-Geral do Departamento Nacional do Sesc, José Carlos Cirilo, o Diretor-Geral do Departamento Nacional do Senac, Marcus Vinicius Machado Fernandes, o Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio-MT), José Wenceslau de Souza Júnior, os Presidentes das Federações do Comércio de todo o país, o Secretário Estadual de Educação de Mato Grosso, Alan Resende Porto, o Prefeito de Poconé, Atail Amaral, a Secretária Municipal de Educação, Ornella Proença Moraes, o Presidente da Câmara de Vereadores de Poconé, Itamar Lourenço da Silva, o Comandante do 1º Pelotão de Bombeiros de Poconé, Tenente Frank Marcelino da Costa, o Comandante do 6º Companhia Independente da Polícia Militar, Tenente-Coronel José Corrêa da Costa Júnior.
O Complexo Educacional Sesc Pantanal – Ministro Gilmar Mendes faz parte da Rede Sesc de Educação, que conta com mais de 200 escolas em todo o país. A educação ambiental e a sustentabilidade são pilares estratégicos desde a criação da escola e estão presentes em todas as disciplinas, dentro e fora da sala de aula, assim como na arquitetura moderna da nova estrutura. Ao longo de 21 anos, mais de 8 mil estudantes já foram formados.
A educação integral dos alunos passa pela sensibilização socioambiental, presente em diversas iniciativas na escola. O uso consciente dos materiais nas aulas, contato com a natureza em áreas naturais do Sesc Pantanal, assim como a produção de materiais didáticos e jogos educativos com elementos na natureza, são alguns exemplos práticos. Atualmente, mais da metade (55%) dos estudantes é beneficiado pelo Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG), que dá acesso gratuito a todos esses diferenciais da escola. Criado em 2009, o PCG oferece educação gratuita aos alunos com renda bruta familiar de até três salários mínimos nacionais.
Mãe de três alunos, – dois já formados e um ainda estudante do Complexo Educacional, Fabijane Furtado de Souza contou com o benefício do PCG do Sesc. Segundo ela, o programa foi essencial para que os filhos tivessem acesso à educação de qualidade. “O ensino do Sesc é diferenciado, há vários tipos de atividades que colaboram com o aprendizado e ainda oferecem uma alimentação saudável, com apoio de nutricionista, o que estimula as crianças a comerem alimentos mais naturais. O João Vitor é cadeirante e o Sesc o abraçou desde o primeiro momento, ensinando os coleguinhas a não tratarem ele com indiferença. Ele sempre participou de todas as atividades”, destaca.
O Complexo Educacional é uma das unidades do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac. Criado há 26 anos, o Polo atua com a conservação da biodiversidade, a pesquisa científica, o desenvolvimento comunitário, a educação ambiental e o turismo de natureza nos biomas Pantanal e Cerrado. Em Poconé, principal destino turístico do Pantanal mato-grossense, estão – além do Complexo Educacional – o Hotel Sesc Porto Cercado, o Parque Sesc Baía das Pedras e o Sesc Poconé. Em Barão de Melgaço, também no Pantanal, fica a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do país, a RPPN Sesc Pantanal, com 108 mil hectares. No Cerrado, fica o Parque Sesc Serra Azul e, em Várzea Grande, o Ponto de Encontro, completando as unidades que atuam conectadas.
Parceria entre Brasil e Suíça dá visibilidade e gera oportunidades no Pantanal
O embaixador da Suíça no Brasil, Pietro Lazzeri, chegou a Poconé (MT) nesta semana para conhecer as unidades do Polo Socioambiental Sesc Pantanal e sua atuação na conservação ambiental, pesquisa científica, turismo de natureza, assistência social e desenvolvimento comunitário. A ação faz parte do trabalho desenvolvido entre o Departamento Nacional do Sesc e a Swissnex para dar visibilidade e gerar oportunidades no Pantanal.
A comitiva inclui também o embaixador emérito Jean-Pierre Villard, a CEO da Swissnex no Brasil, Malin Borg, e o cônsul-geral da Suíça em São Paulo, Pierre Hagmann. Eles visitarão o Hotel Sesc Porto Cercado e o Parque Sesc Baía das Pedras, em Poconé, e a Reserva Particular do Patrimônio Natural do Brasil, a RPPN Sesc Pantanal, localizada em Barão de Melgaço.
De acordo com o diretor-geral do Sesc, José Carlos Cirilo, que representou o presidente José Roberto Tadros, a presença do embaixador ratifica a importância do trabalho realizado pelo Sesc Pantanal há 26 anos na maior planície alagável do mundo. “Nossa missão neste território, Patrimônio Natural da Humanidade, é cuidar das pessoas e do meio ambiente. Poder ampliar essa atuação permite que mais partes do mundo possam conhecer uma parcela desse bioma tão importante”, destaca.
Swissnex
A Swissnex está presente em algumas das regiões mais inovadoras do mundo, formando uma rede global que conecta pessoas e instituições com a missão de apoiar o alcance e o engajamento ativo de parceiros no intercâmbio internacional de conhecimento, ideias e talento. A organização é a agência de Educação, Pesquisa e Inovação da Suíça responsável por conectar projetos, parceiros e iniciativas para o desenvolvimento dessas áreas de interesse.
Por meio da parceria entre o Departamento Nacional do Sesc e a Swissnex, foi criado o programa Science Camp Pantanal, uma ação inédita de ciência e inovação com o objetivo de incentivar a vinda de pesquisadores, estudantes e startups suíças ao Polo Socioambiental Sesc Pantanal para intercâmbio científico, produção de conhecimento e desenvolvimento de projetos inovadores.
Sesc Pantanal
Criado há 26 anos pela iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac, o Polo Socioambiental Sesc Pantanal é formado por um complexo de unidades no Pantanal e no Cerrado mato-grossense.
Em Poconé, que é o principal destino turístico do Pantanal, estão o Hotel Sesc Porto Cercado, o Parque Sesc Baía das Pedras, o Sesc Poconé e a Escola Sesc Pantanal. Em Barão de Melgaço, também no Pantanal, fica a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do país, a RPPN Sesc Pantanal, com 108 mil hectares. No Cerrado, fica o Parque Sesc Serra Azul e, em Várzea Grande o Ponto de Encontro completa as unidades que atuam conectadas.
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A ação, articulada entre umgrauemeio, Brigada Aliança, Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e Polo Socioambiental Sesc Pantanal, com apoio financeiro da JBS, tem como objetivo proteger 2,5 milhões de hectares de área do bioma por meio da detecção precoce de incêndio. A tecnologia utiliza um algoritmo de inteligência artificial que, a partir do envio de imagens por câmeras de alta resolução instaladas no topo de torres de comunicação, identifica focos de incêndio de forma automática e notifica os operadores do sistema. Além disso, haverá resposta rápida e geração de dados analíticos, operacionais e de impacto na comunidade, com redução de CO2 estimada em 15 milhões de toneladas.
A integração de informações como localização das brigadas, recursos e equipamentos disponíveis, horário de acionamento, tempo de locomoção até o local do foco de incêndio, tempo de combate e extinção do foco e o contato com os proprietários de terra no entorno permitem a rápida resposta ao fogo. Também estão previstas ações educativas de prevenção à incêndios junto das comunidades do entorno.
Cada câmera tem a capacidade de detectar focos de incêndio em aproximadamente 3 minutos, cobrindo um raio de 15 km e ainda indica o local exato do foco através da triangulação das câmeras e apoio de imagens de satélite, acelerando os protocolos de identificação e combate. Há, ainda, a detecção back-up de pontos de calor por satélites que podem complementar a proteção de áreas que sofram menor pressão humana. Nesta primeira fase, são 11 pontos de detecção automática por imagem distribuídas nas regiões Sul, Norte e Central, começando pelo território da Serra do Amolar.
A iniciativa Aquarela Pantanal, projeto que reúne diversas instituições e famílias das comunidades pantaneiras de Capão do Angico, em Poconé-MT, e São Pedro de Joselândia, em Barão do Melgaço-MT, foi uma das vencedoras do XIII Prêmio Hugo Werneck de Meio Ambiente e Sustentabilidade, promovido pela revista Sou Ecológico. O projeto promove a recuperação da riqueza natural de áreas no Pantanal e foi premiado na categoria “Melhor Exemplo de Mobilização Social”.
“Foi com muito orgulho que recebemos mais um prêmio por nossas iniciativas com foco em responsabilidade social. O Aquarela Pantanal é uma iniciativa primorosa que mobiliza e gera renda para famílias de comunidades da área de preservação que mantemos na região. Assim o Polo Socioambiental Sesc Pantanal cumpre sua missão de polo de referência em sustentabilidade. É o Sistema CNC-Sesc-Senac ajudando a transformar o país.”, comemora José Carlos Cirilo, Diretor-Geral do Departamento Nacional do Sesc.
A cerimônia de premiação ocorreu na noite da última terça-feira (28.02) em Belo Horizonte (MG). Nesta quinta (02.03), o Polo Socioambiental Sesc Pantanal, que representou a iniciativa no evento por meio de sua gerente-geral, Cristina Cuiabália, fez a entrega dos certificados de reconhecimento para as viveiristas do Aquarela. O encontro foi realizado na comunidade do Capão do Angico e contou com a presença de representantes das associações comunitárias envolvidas na iniciativa.
“Fomos escolhidos entre 117 projetos de todo o país e a única iniciativa do bioma Pantanal premiada. Um reconhecimento dessa importância no cenário nacional é muito representativo e simbólico pois, das cinzas dos grandes incêndios de 2020, vimos nascer uma rede de proteção ao Pantanal formada por diversos atores, com muita resiliência, força e união. É um projeto colaborativo, que envolve muitas mãos e corações e estamos muito orgulhosos e gratos pelo reconhecimento”, comentou Cristina Cuiabália.
Segundo a diretora executiva da Wetlands International Brasil e diretora técnico-científica da Mupan, Rafaela Nicola, o prêmio é um indicador de que o trabalho está no caminho certo para compreender cada vez mais a dinâmica das áreas úmidas e quais estratégias são melhores para promover a conservação. “Esse trabalho só é possível porque mulheres de duas comunidades tradicionais abraçaram a iniciativa com a gente. A Aquarela Pantanal tem essa característica do protagonismo feminino porque as mulheres estão à frente dos viveiros, pesquisa, gestão, execução e planejamento das atividades como um todo”, completou.
Sopro de esperança – O objetivo do Aquarela Pantanal é produzir mudas nativas do bioma para recuperar áreas atingidas pelo fogo dentro da Reserva Particular de Patrimônio Natural – RPPN Sesc Pantanal, a maior RPPN do país, ao mesmo tempo em que gera renda e desenvolvimento comunitário. Por meio do projeto, foram construídos dois viveiros para produção de mudas nativas dentro das comunidades, que recebem suporte técnico e capacitações, além de uma bolsa para desenvolver o trabalho de viveiristas. Dessa forma, o projeto contempla os três pilares da sustentabilidade: o social, o ambiental e o econômico.
Atualmente, 10 famílias participam diretamente das atividades do projeto. No entanto, Natalice da Costa, viveirista da comunidade de Capão do Angico (MT), destaca que a comunidade inteira é beneficiada pelas ações. “A Aquarela Pantanal é um sopro de esperança, não só para os animais e as plantas, que tanto sofreram com o fogo, mas também nos traz uma nova força enquanto pessoas, principalmente nós mulheres. Por causa do projeto, a gente voltou a se movimentar e trabalhar unidas. Isso ajudou a nossa comunidade a enxergar o potencial que tem e o que podemos fazer quando se une”.
Para Miriam Amorim, viveirista de São Pedro de Joselândia, o projeto foi um divisor de águas em sua vida. “A gente vem fazendo um trabalho tão bonito de recuperação e de conservação do nosso Pantanal e eu me sinto muito honrada e feliz de fazer parte. É um orgulho receber esse reconhecimento com o prêmio e isso nos estimula e incentiva a continuar. O projeto mudou minha vida e da minha comunidade. Hoje, temos mais consciência que fazemos parte do meio ambiente e que cuidando dele, todo mundo se beneficia. Espero que o projeto cresça e envolva cada vez mais pessoas”, afirmou a viveirista.
Aquarela Pantanal – O projeto “Recuperação de Florestas Ribeirinhas Pantaneiras: beneficiando água, solo, peixes e populações do entorno da RPPN Sesc Pantanal”, também chamado de Iniciativa “Aquarela Pantanal”, é um trabalho construído no coletivo, que envolve a Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal, a Wetlands International Brasil, o Polo Socioambiental Sesc Pantanal – uma iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac, o Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP), e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Áreas Úmidas (INAU/UFMT).
A Aquarela Pantanal é financiada pelo: 1) Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) por meio do Projeto Estratégias de Conservação, Recuperação e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), com as agências Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como implementador e o Fundo Brasileiro de Biodiversidade (FUNBIO) como executor; 2) DoB Ecology via Programa Corredor Azul da Wetlands International.
Pesquisadores e estudantes da Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique (ZHAW), uma das instituições mais importantes da Suíça, participam do intercâmbio internacional na maior reserva particular do Brasil, a RPPN Sesc Pantanal, localizada em Barão de Melgaço (MT). A reserva pertence ao departamento nacional do Sesc.
A parceria é fruto dos esforços do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac, e a Swissnex, extensão da Secretaria de Educação, Pesquisa e Inovação da Suíça, para aproximar os dois países e desenvolver projetos inovadores para a conservação do Pantanal por meio do turismo científico.
Por meio do programa, grupos de pesquisadores ou estudantes suíços visitam o Pantanal em viagens científicas personalizadas em formatos como cursos de campo, residências acadêmicas ou escolas de verão. Eles contam com o suporte do Sesc Pantanal e da Swissnex, também para intercâmbio com redes locais de especialistas, cientistas e comunidades.
O diretor-geral interino do Sesc, José Carlos Cirilo, destaca que a iniciativa dá ainda mais visibilidade e oportunidades ao bioma, que é Patrimônio Natural da Humanidade. “O programa vai gerar produção de conhecimento e oportunidades econômicas para a região. O Sesc Pantanal desenvolve pesquisa científica aliada ao conhecimento local tradicional, educação ambiental, lazer, desenvolvimento social e conservação da natureza. O Sistema CNC-Sesc-Senac há 25 anos enxergou a importância da sustentabilidade e hoje estamos de portas abertas para receber pesquisadores e interessados em conhecer tudo o que é feito aqui”, conclui.
Comunidades pantaneiras de Poconé e São Pedro de Joselândia, em Barão de Melgaço, receberam, entre os dias 23 e 30 de julho, técnicos do Ministerio para la Transición Ecológica y el Reto Demográfico do Governo da Espanha para um intercâmbio sobre prevenção e controle de incêndios florestais promovido pelo Sesc. Foram realizados dois encontros, que resultaram em uma rica troca de experiências e saberes entre a equipe espanhola, os brigadistas do Sesc e membros da comunidade.
A ação é resultado do acordo de cooperação firmado entre o Departamento Nacional do Sesc e a Embaixada da Espanha no Brasil, em junho de 2021. O diretor-geral interino do Sesc, Jose Carlos Cirilo, explica que a parceria prevê a realização de diversas atividades de troca de conhecimento técnico-científico, educacional e cultural entre as partes.
“Este intercâmbio é uma reafirmação do nosso compromisso com a proteção do Pantanal e com o bem-estar da população pantaneira. Precisamos redobrar as ações de prevenção e capacitação no período da estiagem. Nesses 25 anos de trabalho, o Polo Socioambiental Sesc Pantanal se consolidou como referência em educação, conservação da biodiversidade, pesquisa científica, turismo responsável e desenvolvimento comunitário. Parcerias como essa com o governo espanhol só reforçam a importância do trabalho do Sesc para o Brasil”, comentou Cirilo.
As capacitações abordaram temas como ferramentas para monitoramento e detecção de incêndio florestais, estratégias de prevenção, técnicas de registro e organização de informações sobre o combate a incêndios e Manejo Integrado do Fogo como ferramenta de prevenção, além de exercícios práticos e simulações.
De acordo com o Ecólogo do Sesc Pantanal, Alexandre Enout, a atividade de intercâmbio vai contribuir muito para a evolução do trabalho das brigadas locais. “O grande diferencial desse curso foi o uso de ferramentas interativas para planejar a estratégia de combate aos incêndios, visando a melhor utilização dos recursos disponíveis e a escolha de técnicas mais adequadas para cada caso. Essas trocas de experiências são fundamentais. Assim como temos feito por aqui, vimos que eles também têm trabalhado muito na capacitação e investido em tecnologias para a prevenção dos incêndios”, afirmou.
Já Inmaculada Cantero, umas das seis técnicas de Operações de Incêndio Florestal da equipe do governo espanhol, definiu a experiência como enriquecedora, no âmbito pessoal e profissional. “Eu gostei muito de ver como eles conseguem otimizar os meios que dispõem e como envolvem e mobilizam suas comunidades de forma voluntária, com participação ativa na gestão integrada do fogo, tanto na prevenção quanto no combate aos incêndios. E nós aprendemos bastante também, pois os métodos utilizados aqui são muito bem desenhados e planejados. Esse intercâmbio de experiências nos beneficia muito, pois aprendemos com as semelhanças e com as diferenças também”, afirmou a intercambista.
Ao todo, 29 pessoas foram capacitadas, entre representantes do Sindicato Rural de Poconé, Associação Rural de São Pedro de Joselândia, Núcleo de Proteção e Defesa Civil do Distrito de São Pedro de Joselância, integrantes da brigada Aliança e os brigadistas do Sesc Pantanal.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é a entidade sindical de grau máximo do setor terciário brasileiro, representando e defendendo quase 5 milhões de empresas. De forma ampla, o setor terciário abrange mais de 73% das riquezas produzidas no país.
Além do trabalho de representação sindical empresarial realizado com afinco pela CNC há quase 77 anos, buscando sempre garantir que o comércio de bens, serviços e turismo tenha voz e vez na formulação de leis e políticas públicas, administramos também a atuação do Sesc e do Senac. As duas instituições integram um dos maiores sistemas de desenvolvimento social do mundo, que transforma a vida de milhares de brasileiros diariamente em cada canto do país. Estamos presentes em mais de dois mil municípios, levando educação, saúde, lazer, cultura e assistência às populações.
Em nossa missão, a prática de ações sustentáveis está presente em todos os campos, considerando a necessidade de pensarmos juntos num equilíbrio entre as dimensões social, ambiental e econômica.
Somos pioneiros nessas iniciativas, pois, há 25 anos, já observávamos a importância de se prestar mais atenção às questões ambientais, e criamos uma das primeiras Reservas Particulares do Patrimônio Natural do Brasil: a RPPN Sesc Pantanal, localizada em Mato Grosso.
Temos muito orgulho em comemorar, em julho de 2022, essa efeméride, sabendo que este é um projeto interligado ao turismo, à educação e à inclusão das comunidades. Ao longo dos anos, um trabalho foi construído de forma muito respeitosa, ouvindo as pessoas e as demandas locais, entrelaçando os saberes de quem nasceu e vive na região com o conhecimento de técnicos e pesquisadores, criando pontes em benefício da natureza e do ser humano.
Para se ter uma ideia, até 1992 o Brasil tinha 31 Reservas Particular do Patrimônio Natural, que equivaliam a uma área de 386,94 Km2. Hoje, de acordo com a Confederação Nacional de RPPNs (CNRPPN), são 1,755 reservas, totalizando 814.528,61 hectares. E muitas destas são iniciativas empresariais.
A partir dos resultados deste trabalho no Pantanal, o Sesc não parou de ampliar suas reservas naturais e hoje mantém 109 mil hectares de áreas protegidas no Sesc Tepequém (RR), no Sesc Bertioga (SP), no Sesc Iparana (CE) e, mais recentemente, a RPPN Sesc Serra Azul, também em Mato Grosso, na região do Cerrado. Do total de áreas das RPPNs do Brasil, 13% dos hectares são do Sesc.
Somos responsáveis por preparar as futuras gerações com educação ambiental, produzindo e compartilhando conhecimento. Vamos seguir trabalhando, cada vez mais, para cuidarmos juntos do meio ambiente, pensando sempre em soluções sustentáveis, que tragam benefícios para a vida de brasileiros e brasileiras.
José Roberto Tadros
Presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Presidente do Conselho Nacional do Serviço Social do Comércio (Sesc) e presidente do Conselho Nacional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
O Pantanal tem paisagens incríveis, uma biodiversidade exuberante e proporciona experiências inesquecíveis. O bioma que intitula a trama, o Pantanal é a maior planície inundada do mundo: uma área de 230 mil km² que cobre grande parte do centro-oeste brasileiro e partes do Paraguai e Uruguai.
Considerado Reserva da Biosfera e Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO, o Pantanal abriga quase 5 mil espécies de fauna e flora, sendo considerado um dos ambientes mais diversos presentes no Brasil. Presente na localidade por meio de nosso Polo Socioambiental Sesc Pantanal, o Sesc mantém diversos projetos e iniciativas que buscam desenvolver a cidadania das populações locais, a conservação ambiental e o turismo sustentável. Com tanto a se ver e fazer, confira abaixo como o Sesc pode te ajudar você a conhecer a região.
O Sesc no Pantanal: um pouquinho de história
Em 2022, o Polo completa 25 de fundação. Ele está localizado no Mato Grosso, e a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal – a maior reserva ambiental privada do país, conserva 108 mil hectares. Além da RPPN, integram o Sesc Pantanal o Hotel Sesc Porto Cercado, com 142 quartos, o Sesc Poconé, a Escola Sesc Pantanal e os parques ambientais: Sesc Serra Azul e Sesc Baia das Pedras.
Como faço para viajar para o Pantanal?
A principal dica é ficar no nosso Hotel Sesc Porto Cercado, uma das principais referências em hotelaria e ecoturismo brasileiro. Localizado às margens do rio Cuiabá, a 145 quilômetros de Cuiabá (MT), a unidade oferece os serviços de hospedagem, restaurante, área de lazer com piscinas, salão social, academia de ginástica, cinema, pistas para caminhada, passeios e o espaços de educação ambiental composto pelo Centro de Interpretação Ambiental, Borboletário, Coleção de Insetos e Formigueiro. Você pode conhecer toda a estrutura da unidade hoteleira em nosso site, clicando aqui.
De qualquer lugar do país, conhecer o Brasil com o Sesc é muito fácil. Fizemos essa matéria aqui para você entender um pouco melhor sobre o Turismo Social praticado pela Instituição.
O que fazer no Sesc no Pantanal?
O hotel proporciona diversas atividades aos hóspedes. Além de passeios pela região, a unidade oferece espaços de educação ambiental do Pantanal para oferecer experiências e sensações transformadoras a partir do contato do visitante com informações, curiosidades, imagens e sons que expressem a beleza extraordinária dobioa e sua importância para o mundo. É um circuito que visa comunicar, informar e sensibilizar as pessoas no que se refere à proteção da biodiversidade do Pantanal, destacando os esforços do Sesc Pantanal. É disponibilizado, ainda, um spa com foco em qualidade de vida a todos.
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Já foram registrados 90 mil fotos e vídeos de mais de 60 espécies de animais diferentes, sendo 13 ameaçadas de extinção, por meio de câmeras trap instaladas em reserva ambiental do Sesc
Para a realização da pesquisa “Onças-pintadas e pardas em um mosaico de pantanais no Mato Grosso: uma perspectiva a partir da RPPN Pantanal e adjacências (Barão de Melgaço e Poconé)”, uma parceria do Sesc com o Museu Nacional, foram instaladas 46 armadilhas fotográficas (câmeras trap) em locais variados dos 108 mil hectares da reserva. De acordo com a bióloga e gerente de Pesquisa e Meio Ambiente do Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália, o projeto é importante pois possibilita o registro da fauna silvestre, seu habitat, comportamento, localização.
“Estes dados são fundamentais para entendermos melhor a fauna de vertebrados da RPPN, a funcionalidade e efetividade da Reserva enquanto unidade de conservação, por garantir a presença segura dessas espécies, possibilitando sua reprodução e todo o caráter ecológico associado”, pontuou.
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A expectativa é que nos próximos meses, ao todo, 110 câmeras estejam sendo utilizadas. Já foram registrados cerca de 90 mil fotos e vídeos. As câmeras funcionam 24 horas por dia, mas os registros são feitos conforme o sensor de presença é acionado com a aproximação dos animais. O arquivo já acumula cerca de 60 espécies de animais vertebrados, sendo 13 ameaçados de extinção. Entre eles a onça-pintada, onça-parda, tamanduá-bandeira, cachorro-do-mato-vinagre, ariranha, anta e cervo-do-pantanal.
Os guarda-parques e auxiliares da RPPN Sesc Pantanal participam ativamente do projeto indicando locais, acompanhando e auxiliando os pesquisadores na instalação e monitoramento das áreas. Já os pesquisadores realizam a revisão periódica dos registros, analisam os dados e organizam as informações para a produção de publicações científicas e relatórios.