Página Inicial > Cultura > Prêmio Sesc de Literatura anuncia vencedores 2026
O Prêmio Sesc de Literatura anuncia os vencedores da edição 2026: Mariana do Nascimento Ramos, de Brasília (DF), com o Romance “A vontade das coisas mortas”; Anacã Agra, de João Pessoa (PB), em Conto com o livro “A replicação do sangue”; e Guilherme de Miranda Ramos, de Maceió (AL), na categoria Poesia com “A geografia do desconforto”. Neste ano, o prêmio bateu recorde histórico de inscrições com 2.969 obras, sendo 1.203 de poesia, 960 romances e 806 livros de contos. As obras foram selecionadas por especialistas convidados para cada categoria. O júri de Romance foi formado por Maria Esther Maciel e Itamar Vieira Junior; o de Conto, por Miriam Alves e Dau Bastos; e o de Poesia, por Cida Pedrosa e Edimilson de Almeida Pereira.
“Chegar a 23ª edição com recorde de inscrições é um reconhecimento da força que o Prêmio Sesc de Literatura conquistou ao longo de sua trajetória. Os trabalhos recebidos este ano mostram que há uma produção literária diversa, potente e interessada em encontrar novos caminhos para contar as histórias do nosso país. Mais do que revelar novos autores, o prêmio reafirma o compromisso do Sesc com a literatura brasileira, criando oportunidades para que essas vozes sejam publicadas, circulem e cheguem a leitores de diferentes lugares”, afirma Diana dos Santos Abreu, Diretora de Saúde, Cultura, Lazer e Assistência do Departamento Nacional do Sesc.
Criado para incentivar novos talentos da literatura nacional, o Prêmio Sesc de Literatura é voltado exclusivamente a autores inéditos, ou seja, aqueles que nunca tiveram livros publicados na categoria para a qual concorrem. Os vencedores têm seus livros publicados pela Editora Senac Rio e recebem uma premiação em dinheiro no valor de R$ 30 mil. Além disso, circulam pelo país em uma programação composta por eventos como clubes de leitores, bate-papos com o público e eventos de literários.
Romance
A vencedora na categoria Romance é Mariana do Nascimento Ramos, de Brasília, de 45 anos, autora de “A vontade das coisas mortas”. Escritora, professora e servidora pública, Mariana é formada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também concluiu mestrado em Ciência da Literatura. Atuou como professora de Literatura Brasileira na Argentina, na Costa Rica e na China. Em “A vontade das coisas mortas”, conta a história de Bruna, professora de literatura de uma pequena cidade do interior que tenta reconstruir a própria vida depois de sobreviver a um massacre escolar. Entre sessões de terapia, o retorno ao trabalho, relações familiares e lembranças do passado, a personagem enfrenta o luto, a culpa e o trauma. A narrativa alterna presente e passado e aborda temas como memória, morte, solidão e as marcas deixadas por tragédias em pessoas e lugares. “Esse foi o primeiro romance que eu escrevi. O livro foi inspirado no caso de Suzano, em São Paulo, e tentei trazer intimidade de um lugar difícil, que é a violência. Procurei falar com lirismo e ternura, tratando a violência de forma silenciosa e que se entranha nas relações e nas coisas. Estou ansiosa para ver qual vai ser a percepção do público sobre a história”, conta.
Conto
Na categoria Conto, o vencedor é Anacã Agra, de João Pessoa (PB), de 48 anos, com “A replicação do sangue”. Formado em Letras, com mestrado e doutorado em Literatura, Anacã é professor na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), onde ministra, desde 2017, um curso de criação literária. A literatura e a escrita estão presentes na vida dele desde a infância, com influência do pai, que também foi professor de literatura, letras e escritor. “Segundo meu pai conta, escrevi meu primeiro conto aos 13 anos e não parei mais”. Escritor de romances, contos, poemas e roteiros cinematográficos, Anacã publicou de forma independente os romances “A Face Interna da Carne”, “O Circo da Galileia”, “Amadis de Riorraso” e “Éramos Eternos”.
“A replicação do sangue” reúne contos marcados por tragédias humanas, violência, culpa, desejo e ironias do destino. As histórias colocam personagens comuns diante de situações extremas e exploram dramas familiares, paixões frustradas, vinganças, acidentes, crimes e encontros marcados pelo acaso. “Uma semana antes de receber a notícia do prêmio eu pensei em desistir de publicar. Faz mais de 30 anos que eu produzo e ainda não havia conseguido um ‘sim’. Agora eu não desisto mais”. Anacã diz que os contos que compõem o livro foram escritos ao longo do tempo, inicialmente sem a intenção de formar uma obra única. Posteriormente, o autor identificou aproximações temáticas entre os textos e os reuniu. “Parte das histórias tem origem em experiências próprias ou de pessoas próximas, enquanto outras nasceram de notícias, filmes e outras referências”, ele explica.
Poesia
O vencedor na categoria Poesia é o alagoano Guilherme de Miranda Ramos, de Maceió, de 54 anos, com “Geografia do desconforto”. Escritor, compositor e produtor cultural, Guilherme é autor de livros infantis e de crônicas e possui textos premiados em editais e concursos. Na música, é idealizador do Intermídia Estúdio de Criação e do projeto Quarentemas, além de compor trilhas sonoras para literatura, audiovisual e artes cênicas e produzir singles e álbuns autorais. Guilherme diz que o primeiro contato que teve com a arte foi em criança, quando leu um poema em uma revista que sua mãe levou para casa. “Essa poesia me encantou, eu ficava reescrevendo como se o texto fosse meu”. Depois disso, se envolveu com arte na escola e passou a ler tudo, até bula de remédio, ele brinca.
Em “Geografia do desconforto”, os poemas percorrem três territórios simbólicos: o sangue, o asfalto e o espelho. A primeira parte aborda memórias familiares, heranças afetivas, silêncios entre gerações, perdas e a busca por identidade. Na segunda, o olhar se volta para trabalhadores invisibilizados nas cidades, discutindo desigualdade, precarização, resistência e dignidade. Já a terceira parte mergulha em questões existenciais relacionadas ao corpo, ao tempo, à solidão, à saúde mental e ao sentimento de não pertencimento. Com linguagem simples e imagens marcantes, o livro constrói uma cartografia da memória e da condição humana. “Para esse livro eu saí da minha zona de conforto e experimentei formatos que antes eu não tinha coragem. Estou ansioso para encontrar outros escritores, trocar experiências com essas pessoas e ser fonte de inspiração para que eles não desistam dos seus sonhos, como eu não desisti do meu”.
Os autores vencedores serão apresentados ao público em uma cerimônia com noite de autógrafos no fim do ano. Após a publicação, os livros serão vendidos em livrarias online e físicas por todo país e distribuídos na rede de bibliotecas e escolas do Sesc. A lista com todos os finalistas pode ser conferida abaixo:
Romance:
Gemerson Farias Roque da Costa (Paraíba)
Juliano Heinen (Rio Grande do Sul)
Andre da Silva Araujo (Ceará
Aloizio Campomizzi (São Paulo)
Marcelo Pacheco Soares (Rio de Janeiro)
Andre Ricardo Moreira (São Paulo)
Edilson Dias de Moura (São Paulo)
Lara de Podestá Haje (Distrito Federal)
Vinícius Oliveira Rocha (São Paulo)
Gustavo Trevizani Burla de Aguiar (Minas Gerais)
Eduardo Gabor (São Paulo)
Yan Patrick Brandemburg Siqueira (Espírito Santo)
Alexandre Leocádio Santana Neto (Paraná)
Lucas Rafael Nolli Duarte (Minas Gerais)
Conto:
Alysson Gabriel Pereira Reis (Pernambuco)
Raphael Carvalho Nogueira (Rio de Janeiro)
Lucas Barbosa (São Paulo)
Marcelo Assis Mello de Baère (Rio de Janeiro)
Alessandra Pereira Louzada (Paraná)
Josiano Saulo Diniz (Alagoas)
Leandro da Silva Adriano (Rio Grande do Sul)
Maurício Martins de Oliveira (Rio de Janeiro)
João Marcelo de Oliveira Rocha (Pará)
Jéssica Gonzatto Pedrozo (São Paulo)
Altamiza Melo Silva (Pernambuco)
Tamires da Silveira Borges Cavalcante (Rio de Janeiro)
Roberto Carlos Soares Sobrinho (São Paulo)
Yves Marcel de Oliveira São Paulo (Bahia)
Poesia:
Rafael Fonseca Atuati (São Paulo)
Antonio da Silva Castro Junior (Rio de Janeiro)
Roberto Brasileiro Prado (Minas Gerais)
Felipe Arruda de Toledo Pereira (São Paulo)
Felipe de Carvalho Fontoura (Bahia)
Clara Joséphine Figueiredo Caldeira da Silva (São Paulo)
Lorenzo Krüger da Câmara Ribas (Rio Grande do Sul)
Gabriel Rodrigues Bragança (São Paulo)
Nícolas Marques de Oliveira (Paraná)
Nayara Priscila Xavier (Pernambuco)
Cassia Cristina Silva Pereira (São Paulo)
Flavia Mendes de Andrade Peres (Pernambuco)
Alexandre Oliveira de Souza (São Paulo)
Alessandro Wanderley Guanabara (Rio de Janeiro)
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